A Nasa monitora de perto o cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto confirmado vindo de fora do Sistema Solar, que alcançará sua maior aproximação à Terra em 19 de dezembro de 2025. O evento ocorre a cerca de 270 milhões de quilômetros de distância, equivalente a 1,8 unidade astronômica, sem qualquer risco de colisão. Descoberto em julho de 2025 pelo telescópio ATLAS no Chile, o cometa viaja a aproximadamente 33 km/s e passou pelo periélio, seu ponto mais próximo ao Sol, em 30 de outubro.
Agências espaciais como a Nasa e a Agência Espacial Europeia registram atividade crescente no objeto, com ejeção de gases e poeira após o aquecimento solar.
- O núcleo mede entre 0,32 km e 5,6 km de diâmetro, o maior interestelar observado até agora.
- A coma, atmosfera de gás e poeira, exibe cor avermelhada devido a compostos orgânicos.
- Velocidade de ejeção de poeira varia de 2 m/s para grãos grandes a 22 m/s para partículas pequenas.
Esses dados surgem de observações do Telescópio Espacial Hubble e da sonda Juice, que capturaram imagens em novembro.
O cometa segue em trajetória hiperbólica de saída, permitindo estudos contínuos até setembro de 2026.
Descoberta e trajetória inicial
O cometa 3I/ATLAS surgiu em observações preliminares de 14 de junho de 2025, mas só ganhou confirmação em 1º de julho, quando telescópios no Chile detectaram coma e elongação de cauda. Astrônomos como Alan Hale inicialmente questionaram se se tratava de asteroide ou cometa, mas análises do Nordic Optical Telescope em 2 de julho revelaram atividade clara.
A órbita hiperbólica confirma origem interestelar, com velocidade relativa ao Sol de 33 km/s.
Em outubro, o objeto passou a 28 milhões de quilômetros de Marte, ponto mais próximo registrado.

Imagens recentes do Hubble
O Telescópio Espacial Hubble capturou o cometa em 30 de novembro de 2025, a 286 milhões de quilômetros de distância. A imagem mostra núcleo brilhante central e coma em forma de gota, com estrelas de fundo alongadas pelo movimento do objeto.
Essa visão difere da primeira em julho, quando aparecia como borrão azul; agora, exibe brilho intenso pós-periélio.
A exposição usou o instrumento Wide Field Camera 3, rastreando o cometa em trajetória rápida.
Atividade e ejeções de material
Após o periélio, o cometa expele quantidades significativas de gás e poeira, impulsionados pela radiação solar. Jatos de criovulcanismo, ou vulcões de gelo, surgem na superfície aquecida, liberando dióxido de carbono e metanol em níveis recordes.
Estudos com o ALMA detectaram composição rica em álcoois, diferente de cometas solares conhecidos.
A cauda poeira mede 50 segundos de arco, cerca de 100 mil km, recuperada em 8 de novembro.
- Taxa de ejeção: 6 kg/s de poeira fina e 60 kg/s de grãos maiores em julho.
- Massa perdida: cerca de 2 milhões de toneladas entre julho e outubro.
- Rotação irregular: período de 16,16 horas com variações de brilho.
Essas emissões fornecem dados sobre formação planetária em sistemas distantes.
Observações de outras missões
A sonda Juice da ESA, rumo a Júpiter, observou o cometa em 2 e 25 de novembro de 2025, a 66 milhões de quilômetros. Cinco instrumentos registraram atividade intensa, com dados completos previstos para fevereiro de 2026.
A missão PUNCH da Nasa capturou o objeto por acaso em outubro, enquanto monitorava outro cometa.
O James Webb Space Telescope analisou emissões em agosto, confirmando traços de níquel e cianeto sem assinatura de poeira típica.
Composição química revelada
Análises espectroscópicas indicam coma avermelhada por tholins, compostos orgânicos irradiados, similar a asteroides D-type. O metanol domina, sugerindo formação em ambientes frios e distantes.
Em julho, a coma enrubesceu, indicando evolução superficial pela atividade crescente.
A presença de dióxido de carbono aponta para origens em regiões externas de outro sistema estelar.
O cometa pode ter 7 bilhões de anos, trazendo amostras de química primordial.
Caudas e anomalias detectadas
O cometa desenvolveu cauda anti-solar em agosto, com pluma voltada ao Sol em forma de leque. Imagens de 26 de agosto mostram assimetria na coma interna.
Em novembro, uma cauda poeira de 50 arcsegundos aponta para longe do Sol, enquanto anti-cauda solar persiste.
Variações de cor e brilho sugerem ejeções não periódicas e rotação irregular.
Preparativos para a aproximação
Astrônomos planejam observações adicionais com o James Webb em dezembro, focando emissões gasosas e razão enxofre-oxigênio. Telescópios terrestres rastreiam até setembro de 2026.
A aproximação em 19 de dezembro ocorre sem ameaça, permitindo modelagem precisa da estrutura.
- Magnitude: cerca de 12, visível apenas com telescópios potentes.
- Hemisférios sul e leste: melhores condições de observação em novembro-dezembro.
- Colaborações internacionais: expandem dados para estudos de poeira e formação planetária.
O evento reforça avanços em detecção de objetos hiperbólicos, elevando contagens anuais.
Trajetória de saída monitorada
O cometa segue para além da órbita de Marte, com atividade estável sem explosões detectadas até agosto. Observações do TESS sugerem atividade desde maio de 2025, a 6,4 UA do Sol.
Em 2026, deixará o Sistema Solar permanentemente, carregando lições sobre visitantes interestelares.
A Nasa coordena com ESA e CNSA para espectroscopia contínua, analisando emissões de enxofre e oxigênio.