A Paramount Global lançou uma oferta hostil de aquisição pela Warner Bros. Discovery em 8 de dezembro de 2025, em Los Angeles, Califórnia, poucos dias após o anúncio de um acordo preliminar entre a Warner e a Netflix. A proposta, avaliada em US$ 108 bilhões, incluindo dívidas, visa a totalidade da companhia, abrangendo seus renomados estúdios de cinema, o serviço de streaming HBO Max e canais de televisão como CNN e TNT. A iniciativa da Paramount surge de uma avaliação de que o pacto com a Netflix é inferior e pode enfrentar significativos obstáculos regulatórios.
Executivos da Paramount enviaram a oferta diretamente aos acionistas da Warner Bros. Discovery, contornando o conselho de administração da empresa-alvo, em uma tentativa de acelerar o processo. David Ellison, CEO da Paramount, afirmou publicamente que a transação proposta criaria uma estrutura de negócios mais robusta e diversificada para o setor global de entretenimento, fortalecendo a posição competitiva do grupo. Após a divulgação da oferta, as ações da Warner Bros. Discovery registraram uma alta de quase 5% no pré-mercado, indicando a reação positiva dos investidores à nova proposta.
O movimento da Paramount intensifica uma guerra de lances que já havia começado semanas antes, atraindo o interesse de outras grandes corporações do setor, incluindo a Comcast. A Netflix havia fechado um acordo de US$ 83 bilhões pela divisão de estúdios e streaming da Warner na sexta-feira anterior, 5 de dezembro de 2025, marcando uma fase crucial na reestruturação do mercado.
Disputa acirrada por ativos de mídia
A Warner Bros. Discovery iniciou formalmente seu processo de venda em setembro de 2025, após rejeitar propostas iniciais apresentadas pela Paramount, buscando um parceiro estratégico para seus vastos ativos. O conselho da empresa, em outubro do mesmo ano, optou por abrir uma rodada formal de lances, atraindo concorrentes de peso como a Netflix e a Comcast para a mesa de negociações.
A Paramount alega ter apresentado seis ofertas ao longo de 12 semanas, reiterando seu interesse e compromisso com a aquisição, mas argumenta que o processo de licitação favoreceu indevidamente a Netflix. Documentos internos, que vieram a público, indicam que ajustes em contratos de executivos da Warner Bros. Discovery podem ter influenciado a decisão inicial.
A Netflix superou seus rivais com uma proposta que inclui uma multa de rescisão de US$ 5,8 bilhões, caso os reguladores antitruste rejeitem o acordo, oferecendo uma segurança financeira considerável. A Paramount, por sua vez, propõe pagar US$ 2,8 bilhões à Netflix como compensação se sua oferta prevalecer, evidenciando a complexidade e os riscos financeiros envolvidos na disputa. Investidores do mercado financeiro monitoram atentamente o desfecho dessa negociação, com o volume de negociações das ações da Warner crescendo 20% desde o anúncio do acordo com a Netflix.
Detalhes da proposta da Paramount
A oferta da Paramount totaliza US$ 108 bilhões pelo pacote completo de ativos da Warner Bros. Discovery, o que representa um contraste significativo com os US$ 83 bilhões oferecidos pela Netflix, que se limitavam apenas aos estúdios e à divisão de streaming. O valor proposto pela Paramount inclui US$ 30 por ação em dinheiro, um montante que seria financiado por fundos soberanos do Oriente Médio e por parceiros estratégicos como a Affinity Partners.
David Ellison destacou que a transação proposta pela Paramount preservaria a integração crucial dos ativos de TV linear da Warner Bros. Discovery, um aspecto ausente no acordo fechado pela Netflix. A proposta da Paramount prevê a manutenção dos 128 milhões de assinantes globais do HBO Max, consolidando uma base de usuários robusta para a nova entidade.
Analistas do setor estimam que, embora o negócio possa elevar a dívida da Paramount em aproximadamente 40%, ele geraria economias anuais de US$ 2 bilhões em custos operacionais e sinergias de escala. A oferta da Paramount tem um prazo de validade de 60 dias, caso não haja uma resposta formal por parte do conselho da Warner Bros. Discovery. A Warner Bros. Discovery, independentemente do desfecho desta disputa, planeja separar canais como a CNN em uma nova entidade, batizada de Discovery Global, movimento previsto para meados de 2026.
[[_0]
Acordo Netflix sob escrutínio
A Netflix anunciou seu pacto de US$ 72 bilhões em valor de capital na sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, após um período de negociações exclusivas que havia sido iniciado na quarta-feira anterior. O acordo, que combina dinheiro e ações, concederia à Netflix o controle sobre franquias de grande valor como Harry Potter e o universo DC Comics, projetando sua base de assinantes para mais de 420 milhões globalmente.
A companhia obteve um empréstimo ponte de US$ 59 bilhões para financiar uma parte substancial da operação, somando-se a US$ 16 bilhões captados em junho do mesmo ano. Reguladores antitruste nos Estados Unidos e na Europa estão avaliando os riscos de concentração de mercado, com o presidente Donald Trump sinalizando uma revisão rigorosa da transação.
Se aprovado, o fechamento do acordo está previsto para o terceiro trimestre de 2026, após a cisão de ativos de TV da Warner Bros. Discovery. A Netflix comprometeu-se a manter os lançamentos teatrais para os filmes da Warner, respondendo a críticas e preocupações levantadas por cineastas e pela indústria cinematográfica.
Reações do mercado e da indústria
Sindicatos importantes, como o Writers Guild of America (WGA), expressaram profundas preocupações com os potenciais impactos das aquisições em empregos e nas futuras negociações salariais da categoria. O grupo alertou que a consolidação excessiva no setor de mídia poderia reduzir drasticamente as opções para criadores independentes e limitar a diversidade de conteúdo.
Executivos proeminentes de Hollywood, incluindo o ex-CEO da HBO, Jason Kilar, criticaram abertamente o acordo com a Netflix, considerando-o prejudicial à concorrência e ao ecossistema da indústria. Kilar publicou em suas redes sociais que a fusão proposta concentraria um poder excessivo em uma única plataforma de streaming.
A Comcast, que era a terceira concorrente na disputa pela Warner Bros. Discovery, retirou-se oficialmente após a vitória inicial da Netflix, mas continua monitorando os desenvolvimentos do mercado e as reviravoltas na negociação. Estúdios rivais, como a Disney, observam com atenção os possíveis efeitos dessas grandes movimentações nas negociações de licenciamento de conteúdo e nas estratégias de mercado. Cineastas de renome, como James Cameron, questionaram as promessas de preservação das janelas teatrais, classificando-as como insuficientes sem garantias contratuais mais robustas e claras.
Implicações regulatórias da fusão
Autoridades antitruste nos Estados Unidos estão examinando de perto o potencial de domínio de mercado que a Netflix poderia alcançar, dado que a empresa já detém aproximadamente 35% do mercado global de streaming. A Comissão Europeia também iniciou uma revisão preliminar do acordo, focando especificamente nos impactos que tal fusão poderia ter na distribuição de conteúdo no continente europeu e na concorrência local.
A Paramount argumenta que sua própria oferta para a Warner Bros. Discovery enfrentaria menos barreiras regulatórias, dada a ausência de uma concentração excessiva no segmento de streaming puro, ao contrário da Netflix. Documentos submetidos ao Departamento de Justiça dos EUA pela Paramount destacam os benefícios que sua proposta traria para a diversidade de mídia e para a pluralidade de vozes no setor.
O acordo da Netflix prevê o pagamento de US$ 5,8 bilhões em penalidades caso seja bloqueado pelos órgãos reguladores, enquanto a oferta da Paramount oferece maior flexibilidade em relação aos ativos de TV linear. Analistas do mercado preveem que o processo de deliberação regulatória pode se estender por até seis meses, dada a complexidade e o volume dos ativos envolvidos. Legisladores americanos, incluindo membros do Congresso, debatem a realização de audiências públicas sobre o tema, com discussões programadas para janeiro de 2026.
O valor dos ativos em jogo
Os estúdios Warner Bros. produzem anualmente cerca de 20 filmes de grande orçamento, que geraram US$ 4 bilhões em receitas de bilheteria em 2024, demonstrando seu poder de geração de conteúdo. A plataforma HBO Max reportou 128 milhões de assinantes no terceiro trimestre de 2025, com um crescimento consistente de 8% ano a ano, consolidando sua posição no mercado de streaming.
Franquias-chave da Warner, como o universo DC, acumularam US$ 7 bilhões em receitas globais ao longo dos anos, enquanto séries icônicas como Game of Thrones impulsionaram mais de 50 milhões de visualizações em reprises recentes, ressaltando o valor de seu catálogo. A divisão de TV linear, que inclui a CNN, atinge uma audiência massiva de 90 milhões de lares nos EUA, mostrando a relevância contínua da televisão tradicional. A Paramount busca sinergias com sua própria plataforma, a Paramount+, que conta com 60 milhões de usuários, com o objetivo de criar um hub unificado de conteúdo, o que poderia economizar US$ 1,5 bilhão em produção anual.
A Netflix, em seu plano, pretende migrar gradualmente o catálogo da HBO para sua própria plataforma em fases, começando com títulos premium no primeiro semestre de 2026, visando fortalecer sua oferta de conteúdo. A oferta hostil da Paramount eleva as tensões em um setor já sob pressão pelo declínio das receitas da TV tradicional, que registraram uma queda de 15% em 2025. Os acionistas da Warner Bros. Discovery terão a palavra final sobre o futuro da empresa, com uma assembleia decisiva marcada para fevereiro de 2026.
