A Paramount Skydance anunciou nesta segunda-feira (8), em Nova York, uma oferta hostil de aquisição total da Warner Bros Discovery por US$ 108,4 bilhões, equivalendo a US$ 30 por ação em dinheiro vivo. Essa proposta visa derrubar o acordo preliminar fechado na sexta-feira (5) entre a Netflix e a Warner, avaliado em US$ 82,7 bilhões para partes específicas dos ativos, incluindo estúdios e streaming. A iniciativa ocorre em meio a uma guerra de lances que já dura meses, impulsionada pela necessidade de consolidação no setor de entretenimento digital, onde o streaming domina o mercado global.
Executivos da Paramount argumentam que sua oferta garante mais valor imediato aos acionistas da Warner, com US$ 18 bilhões a mais em caixa comparado ao mix de dinheiro e ações proposto pela Netflix. A Warner Bros Discovery, dona de marcas como HBO, CNN e franquias como Batman e Harry Potter, enfrenta pressões financeiras desde a fusão de 2022, o que acelerou o processo de venda.
O conselho da Warner afirmou que avaliará a proposta da Paramount em até dez dias úteis, sem alterar por ora a recomendação favorável à Netflix. Analistas preveem que a disputa pode se estender por meses, sujeita a escrutínio regulatório nos EUA e na Europa.
- Principais ativos envolvidos: HBO Max (120 milhões de assinantes), estúdios Warner Bros e canais lineares como CNN e TNT.
- Financiamento da Paramount: US$ 40,7 bilhões em equity da família Ellison e RedBird Capital, mais US$ 54 bilhões em dívida de bancos como Bank of America e Citi.
- Reação inicial do mercado: Ações da Warner subiram 4,3%; Paramount ganhou 8,5%; Netflix caiu 3,9%.
Detalhes da proposta Paramount
A oferta da Paramount Skydance representa uma aquisição hostil, direcionada diretamente aos acionistas da Warner Bros Discovery, sem o aval inicial do conselho da empresa-alvo. David Ellison, CEO da Paramount, destacou em comunicado que o lance em dinheiro puro evita riscos associados a ações voláteis, como no acordo com a Netflix.
Essa estratégia difere da abordagem amigável da Netflix, que envolve US$ 23,25 em caixa e US$ 4,50 em ações por papel da Warner pós-divisão de ativos lineares. A Paramount estima que sua transação eleve o valor empresarial total para US$ 108,4 bilhões, incorporando dívidas existentes.
O financiamento está garantido por investidores como a família Ellison, fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, além da Affinity Partners, ligada a Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Ellison mencionou em entrevista à CNBC que o plano preserva a integridade da Warner como um “campeão criativo” no setor.

Contexto da guerra de lances
A disputa começou em setembro, quando a Paramount Skydance iniciou ofertas não solicitadas pela Warner, buscando escala para rivalizar com gigantes como Netflix e Disney. A Warner, com um catálogo centenário que inclui clássicos como Casablanca e séries como Succession, viu sua avaliação cair devido à migração para o streaming.
A Netflix, líder global com 300 milhões de assinantes, venceu o leilão inicial em 5 de dezembro, focando em estúdios e HBO Max para reforçar seu conteúdo original. No entanto, a Paramount rejeitou seis propostas anteriores, alegando falta de engajamento do conselho da Warner, liderado por David Zaslav.
Analistas da Quilter Cheviot apontam que a Paramount precisa mais desse acordo para somar 120 milhões de usuários do HBO Max aos seus 79 milhões na Paramount+. A fusão potencial beneficiaria canais tradicionais, como CBS e Nickelodeon, com maior poder de negociação em direitos.
A cronologia recente inclui rejeições a lances de US$ 23,50 e US$ 26,50 por ação da Paramount, culminando no atual de US$ 30. Se aceita, a transação fecharia em 10 a 12 meses, contra 12 a 18 meses estimados para a Netflix.
Reações no mercado financeiro
As ações da Warner Bros Discovery registraram alta de mais de 4% na abertura da bolsa em Nova York nesta segunda-feira, refletindo otimismo com a valorização proposta pela Paramount. Já as da Paramount Skydance subiram 9%, impulsionadas pela confiança no financiamento robusto.
Em contrapartida, as ações da Netflix despencaram 3%, devido a temores de prolongamento do processo e potenciais custos adicionais. Investidores veem a oferta hostil como um fator de incerteza, mas também como oportunidade para ganhos de capital.
Volume de negociações aumentou 150% para a Warner, com analistas da eMarketer prevendo volatilidade até a resposta oficial do conselho. O valor de mercado da Warner, que caiu 30% desde janeiro, pode se recuperar com a consolidação.
Um relatório da Reuters indica que a Paramount planeja integrar talentos de ambas as empresas, preservando 80% dos executivos atuais para manter a produção de conteúdo.
Preocupações regulatórias e políticas
Órgãos antitruste nos Estados Unidos, como o Departamento de Justiça, e na Europa examinarão qualquer acordo para avaliar impactos na concorrência. A Paramount argumenta que sua proposta é pró-consumidor, evitando o domínio de 43% do mercado de SVOD que a Netflix alcançaria.
O presidente Donald Trump expressou ressalvas sobre o acordo com a Netflix, citando riscos à diversidade de conteúdo. Em postagem no Truth Social, ele criticou a Paramount por uma entrevista no 60 Minutes, mas elogiou conversas com David Ellison sobre o negócio.
A proximidade da família Ellison com Trump, incluindo doações políticas, pode facilitar aprovações, diferentemente da Netflix, que nunca realizou aquisições em grande escala. Reguladores focarão em negociações com anunciantes e distribuidores de TV.
A Warner pagaria US$ 2,8 bilhões em taxa de rompimento à Netflix se optar pela Paramount, enquanto a recíproca seria de US$ 5,8 bilhões.
Estratégias das gigantes do streaming
A Netflix busca a aquisição para expandir seu catálogo com 100 mil horas de conteúdo da Warner, incluindo franquias como Harry Potter e DC Comics, fortalecendo sua posição em mercados emergentes. Executivos da empresa, em conferência na segunda-feira, defenderam o plano como positivo para Hollywood, sem cortes massivos de empregos.
Para a Paramount, o foco está na sobrevivência das emissoras lineares, como Comedy Central e Food Network, que enfrentam declínio de 15% em receitas anuais. A integração com a Warner criaria sinergias de custo estimadas em US$ 2 bilhões por ano.
Ambas as propostas incluem spin-off de ativos como CNN para uma entidade independente em 2026, evitando conflitos regulatórios com licenças de TV. Analistas da Variety preveem que o vencedor controlará 20% do mercado global de entretenimento.
David Ellison alertou que o acordo com a Netflix concentraria poder excessivo, prejudicando atores e criadores independentes.
Benefícios para o setor de mídia
A consolidação proposta pela Paramount uniria 200 milhões de assinantes, elevando a receita projetada para US$ 50 bilhões anuais. Isso permitiria investimentos em produção original, com foco em séries de prestígio como The Sopranos e filmes de super-heróis.
Para canais esportivos da Warner, como TNT Sports, a fusão traria maior acesso a direitos de transmissão, competindo com ESPN. A Paramount planeja uma abordagem “best-of-both”, combinando tecnologia da Skydance com o legado da Warner.
No longo prazo, a transação poderia estabilizar o setor, reduzindo perdas de US$ 10 bilhões em TV paga nos últimos dois anos. No entanto, sindicatos de Hollywood monitoram impactos em 50 mil empregos.
A disputa destaca a transformação digital, onde o streaming representa 60% das receitas de mídia nos EUA. A Paramount visa criar um ecossistema híbrido, integrando linear e on-demand para retenção de público.
Essa batalha reflete desafios globais, com o mercado de SVOD crescendo 12% ao ano, mas pressionado por custos de conteúdo que subiram 20% em 2025. A resolução definirá o futuro de narrativas em tela, equilibrando inovação e tradição em uma indústria bilionária.