Ciência

Nasa alerta: até 560 mil satélites podem arruinar imagens do Hubble e outros telescópios

Satélite
Satélite - Artsiom P/ Shutterstock.com

Um estudo publicado nesta segunda-feira (8) na revista Nature, liderado por pesquisadores da Nasa, aponta que as megaconstelações de satélites em órbita baixa terrestre (LEO) representam risco grave para a astronomia espacial.

A pesquisa simulou o impacto de até 560 mil satélites planejados por empresas como SpaceX, Amazon e China. Os resultados indicam que três telescópios espaciais atuais podem ter 96% de suas imagens contaminadas por trilhas brilhantes.

O Telescópio Espacial Hubble, por exemplo, deve registrar trilhas em cerca de 40% das exposições longas. Observatórios terrestres de última geração, como o Vera C. Rubin, também enfrentam perdas significativas.

Impacto nos principais telescópios

O trabalho considerou quatro instrumentos espaciais em operação ou em fase final de desenvolvimento.

Três deles, localizados em órbita baixa, apresentaram taxa de contaminação próxima de 96% nas simulações mais pessimistas.

O Hubble, posicionado a cerca de 540 km de altitude, registrou índice menor, mas ainda elevado, de 40%.

A diferença ocorre porque o Hubble orbita em altitude ligeiramente superior à maioria das constelações planejadas.

Crescimento acelerado das constelações

O número de objetos rastreados em órbita baixa saltou de poucos milhares para mais de 20 mil desde 2019.

A redução drástica no custo de lançamento, impulsionada principalmente pelo foguete Falcon 9 da SpaceX, permitiu o mercado.

Empresas de diversos países anunciaram planos para colocar centenas de milhares de satélites adicionais até 2030.

A projeção da Nasa parte do cenário em que todos os projetos aprovados ou em análise sejam concluídos com sucesso.

Satélite
Satélite – Foto: Just_Super/istock

Efeitos em observatórios terrestres

O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, entrará em operação plena em 2025. Sua câmera de 3,2 gigapixels foi projetada para mapear o céu inteiro a cada poucos dias. Mesmo com apenas 50 mil satélites, até 80% das imagens do Rubin podem apresentar trilhas visíveis. Diferentemente dos telescópios espaciais, o Rubin não tem como mudar de órbita para evitar o problema.

Medidas propostas pela pesquisa

Os autores listam soluções já discutidas pela comunidade científica.

Revestimentos de baixa refletividade, como o Vantablack, reduzem o brilho, mas não eliminam completamente as trilhas.

Ajustes orbitais e manobras coordenadas entre operadores também ajudam, porém exigem cooperação global.

O Telescópio Espacial James Webb, posicionado a 1,5 milhão de km da Terra, permanece fora do alcance das constelações em LEO.

Cenário futuro da astronomia

A contaminação crescente afeta desde pesquisas sobre exoplanetas até o mapeamento de asteroides próximos.

Projetos científicos de décadas podem ter qualidade comprometida se não houver regulamentação efetiva.

A comunidade astronômica internacional acompanha negociações com agências espaciais e empresas privadas.

O estudo reforça a necessidade de ações conjuntas para preservar o acesso ao céu noturno em órbita.

To Top