As associações de futebol do Irã e do Egito enviaram cartas formais à Fifa para contestar a designação de sua partida no Mundial de 2026 como um “jogo de Pride” em Seattle, nos Estados Unidos. O confronto, marcado para 26 de junho no Lumen Field, coincide com o fim de semana do festival Pride da cidade, organizado localmente para promover a inclusão LGBTQ+.
A Fifa realizou o sorteio dos grupos e a alocação de jogos em 5 e 6 de dezembro de 2025, em Washington, D.C., definindo o duelo entre as seleções do Grupo G sem saber previamente das celebrações temáticas planejadas pelos organizadores de Seattle.
Essa situação destaca tensões culturais, já que tanto o Irã quanto o Egito mantêm leis que criminalizam relações homossexuais, com penas que incluem prisão no Egito e até a pena de morte no Irã.
Os organizadores locais afirmam que as atividades ocorrerão fora do estádio e prosseguirão conforme o cronograma.
- A partida faz parte de seis jogos programados em Seattle durante o torneio, que ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho de 2026 em 16 cidades da América do Norte.
- O festival Pride de Seattle, estabelecido desde 2007, atrai centenas de milhares de participantes anualmente e não é controlado pela Fifa.
- A Fifa gerencia apenas zonas oficiais dentro do estádio, sem autoridade sobre eventos comunitários externos.
Antecedentes do planejamento em Seattle
Os organizadores de Seattle definiram o jogo de 26 de junho como “Pride Match” meses antes do sorteio da Fifa, visando alinhar o evento com os valores de inclusão e acessibilidade da cidade. Essa iniciativa busca atrair visitantes globais e destacar a comunidade LGBTQ+ local durante o torneio.
A decisão reflete o compromisso da SeattleFWC26, comitê local do Mundial, em promover programações temáticas para cada partida, incluindo celebrações de Juneteenth em outro jogo.
Reações oficiais do Egito
A Associação Egípcia de Futebol enviou uma carta à Fifa no dia 9 de dezembro de 2025, solicitando a remoção de todas as atividades relacionadas ao Pride ao redor da partida. O documento argumenta que as celebrações conflitam com valores culturais, religiosos e sociais predominantes em sociedades árabes e islâmicas.
Autoridades egípcias destacam que o evento pode provocar sensibilidades entre torcedores das duas nações, exigindo que o jogo seja tratado estritamente como uma competição esportiva.
O presidente da entidade, Ado Rida, enfatizou a necessidade de neutralidade para evitar controvérsias desnecessárias durante o torneio.
Essa posição surge em um contexto em que o Egito usa leis de moralidade para reprimir direitos LGBTQ+, resultando em prisões frequentes baseadas em acusações vagas.

Posição do Irã na controvérsia
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, criticou publicamente o agendamento em entrevista à televisão estatal no dia 8 de dezembro de 2025, chamando a designação de “irracional e ilógica”. Ele afirmou que o país enviaria uma queixa formal à Fifa para protestar contra o que considera um endosso a um grupo específico.
No Irã, relações homossexuais são punidas com severidade, incluindo a pena capital em casos graves, conforme o código penal islâmico. A federação iraniana insiste que o Mundial deve manter a tradição de neutralidade, focando apenas no aspecto atlético do evento.
Taj mencionou que a programação ignora as diferenças culturais entre os países participantes, potencializando tensões desnecessárias.
Resposta dos organizadores locais
A SeattleFWC26 confirmou, em nota divulgada no dia 10 de dezembro de 2025, que as programações comunitárias prosseguirão como planejado fora do estádio durante o fim de semana do Pride. A porta-voz Hana Tadesse destacou a diversidade da região do Pacífico Noroeste, lar de grandes comunidades iranianas e egípcias nos Estados Unidos.
O comitê enfatiza que as atividades visam criar um ambiente acolhedor para todos os visitantes, independentemente da origem.
Porta-vozes locais apontam que o evento anual do Pride já ocorre há anos sem interferência externa, e o Mundial oferece uma oportunidade única para visibilidade global.
Histórico de controvérsias semelhantes na Fifa
A Fifa enfrentou críticas parecidas na Copa do Mundo de 2022, no Catar, onde ameaçou punir jogadores com cartões amarelos por usarem braçadeiras OneLove em apoio aos direitos LGBTQ+. Equipes como Inglaterra e País de Gales optaram por não utilizá-las para evitar sanções.
Naquele torneio, o Catar, que criminaliza homossexualidade, foi palco de debates sobre direitos humanos durante o evento esportivo.
A entidade global tem histórico de priorizar a neutralidade, mas críticos argumentam que isso permite que anfitriões imponham restrições culturais. Em 2026, com múltiplos países-sedes, a Fifa busca equilibrar tradições locais sem alterar calendários de jogos.
Detalhes do calendário do Grupo G
O Grupo G do Mundial de 2026 inclui Irã, Egito, Bélgica e Nova Zelândia, com partidas distribuídas entre Seattle e Vancouver. O jogo entre Bélgica e Nova Zelândia ficou alocado para Vancouver no dia 26 de junho, deixando Seattle com o confronto entre Irã e Egito.
Essa alocação foi confirmada pela Fifa no dia seguinte ao sorteio, sem opções iniciais de troca conhecidas publicamente.
- Irã estreia contra a Nova Zelândia em data a ser definida em outra sede.
- Egito enfrenta a Bélgica em jogo paralelo ao de Seattle.
- Ambas as seleções avançam com base em desempenho geral no grupo.
Implicações para o torneio em Seattle
Seattle sediará seis partidas no Lumen Field, com capacidade para 68 mil espectadores, incluindo confrontos de outras seleções como Estados Unidos e Austrália em 19 de junho. Os organizadores esperam impacto econômico de bilhões de dólares na região.
A controvérsia pode atrair atenção extra para o jogo, mas o comitê local planeja medidas de segurança para todos os eventos periféricos.
Especialistas em direitos humanos monitoram o caso, vendo-o como teste para a inclusão em eventos globais. O Mundial de 2026 marca a primeira edição com 48 seleções, expandindo o torneio para mais de um mês de competições.
A situação reforça debates sobre como sedes locais integram temas sociais sem colidir com participantes internacionais.