Um estudo liderado pela NASA, publicado na revista Nature em 3 de dezembro de 2025, revela que as mega-constelações de satélites em órbita baixa da Terra vão contaminar até 96% das imagens capturadas por telescópios espaciais futuros. A pesquisa, conduzida por astrônomos do Centro de Pesquisa Ames da agência, simula o impacto de 560 mil satélites propostos por operadoras como SpaceX, Amazon e China. Essa proliferação, impulsionada pela redução de custos de lançamento, afeta observatórios como Hubble e SPHEREx, além de missões planejadas como ARRAKIHS e Xuntian.
O número de satélites em órbita baixa saltou de 2 mil em 2019 para 15 mil em 2025, e as propostas atuais preveem um aumento exponencial até o fim da década de 2030.
Astrônomos alertam que as trilhas de luz refletida pelos satélites apagam sinais fracos de galáxias distantes e planetas, comprometendo descobertas científicas.
- Principais telescópios afetados: Hubble (40% de contaminação), SPHEREx (até 99%).
- Missões futuras: ARRAKIHS e Xuntian com 96% das exposições inválidas.
- Causa principal: Reflexos de luz solar durante amanheceres e entardeceres orbitais.
Simulações revelam o alcance do problema
Astrônomos da NASA usaram dados de operadoras de satélites para modelar órbitas entre 500 e 700 km de altitude.
Essas simulações consideraram trajetórias, campos de visão e tempos de exposição dos telescópios.
Os resultados indicam que, com 560 mil satélites, imagens do Hubble terão em média duas trilhas por exposição.
Telescópios atuais enfrentam trilhas crescentes
O Telescópio Espacial Hubble, em operação desde 1990, já registra 4% de imagens com trilhas de satélites desde 2018.
Com o crescimento projetado, essa taxa sobe para 40%, exigindo mais tempo em processamento de dados.
O SPHEREx, lançado em 2025, acumula múltiplas exposições para espectros em 102 cores, mas trilhas isoladas ainda demandam remoção manual.
Astrônomos notam que pausas em observações não resolvem o problema em órbita, diferentemente de telescópios terrestres.

Impacto em observatórios terrestres se agrava
O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, planeja coletar mais dados no primeiro ano do que todos os telescópios anteriores combinados.
Com menos de 50 mil satélites, até 80% de suas imagens podem ser contaminadas por trilhas.
Diferentemente de telescópios espaciais, o Rubin não pode ajustar órbita para evitar interferências.
Estudos prévios, como o do LSST, confirmam que trilhas podem ser confundidas com supernovas ou objetos variáveis.
Propostas para mitigar a contaminação
Operadoras de satélites discutem limites de altitude para constelações abaixo de 500 km.
Isso reduziria atrito atmosférico, mas encurtaria a vida útil dos aparelhos, algo resistido por empresas.
Pinturas absorventes de luz, como variantes do Vantablack, poderiam diminuir reflexos em até 50%.
A União Astronômica Internacional coordena esforços via Centro para Proteção do Céu Escuro e Silencioso.
Órbitas compartilhadas geram colisões potenciais
Telescópios em órbita baixa, como Xuntian a 450 km, compartilham espaço com constelações como Starlink a 550 km.
A densidade projetada eleva riscos de colisões, além de interferências ópticas.
A American Astronomical Society alerta para impactos em colisões com telescópios e criação de detritos orbitais.
Reguladores como a FCC dos EUA analisam propostas para camadas orbitais seguras até 2030.
Missões futuras demandam ações urgentes
A missão ARRAKIHS, da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para início dos anos 2030, usará exposições longas para mapear matéria escura.
Suas imagens poderiam registrar até 165 trilhas por exposição com um milhão de satélites.
O Xuntian, chinês, com campo de visão amplo, enfrentaria dezenas de interferências simultâneas.
Astrônomos enfatizam coordenação global entre agências espaciais e indústria para equilibrar telecomunicações e pesquisa.
Soluções técnicas em debate global
Reduzir altitudes máximas de satélites permitiria posicionar telescópios acima das constelações.
Empresas como SpaceX testam escudos anti-reflexo, mas implementações completas pendem de aprovações regulatórias.
O estudo da NASA reforça a necessidade de dados compartilhados entre operadoras e observatórios para previsões precisas.
Iniciativas como o CPS da IAU unem cientistas de múltiplos países para monitorar lançamentos em tempo real.
Crescimento histórico das constelações
De 1957 a 2020, menos de 10 mil satélites foram lançados globalmente.
Entre 2021 e 2025, o número de lançamentos superou sete décadas anteriores combinadas.
Projetos como Guowang (China, 14 mil satélites) e Kuiper (Amazon, 3.200) competem com Starlink (SpaceX, mais de 9 mil ativos).
Essa expansão democratiza internet em áreas remotas, mas sobrecarrega o ambiente orbital.
O Telescópio Espacial James Webb, posicionado a 1,5 milhão de km da Terra, permanece imune a essas interferências, capturando imagens claras de regiões distantes sem trilhas de satélites em órbita baixa. No entanto, sua distância limita estudos de objetos solares e requer investimentos bilionários para missões semelhantes no futuro; telescópios como o Roman, em montagem final em dezembro de 2025, ainda orbitarão em altitudes vulneráveis, demandando inovações urgentes em design orbital para preservar a continuidade das observações infravermelhas e de campo amplo, enquanto agências espaciais pressionam por tratados internacionais que regulem densidades satelitais e promovam zonas livres de contaminação para avanços em cosmologia e detecção de exoplanetas.
Colaborações internacionais avançam
A NASA participa de workshops como SATCON2 para alinhar políticas com a indústria.
A ESA e a CNSA chinesa integram simulações em planejamento de missões.
Relatórios da ONU sobre uso sustentável do espaço orbital incluem recomendações astronômicas.