A Ford Motor Company anunciou, em 15 de dezembro de 2025, o fim da produção da F-150 Lightning totalmente elétrica, modelo que marcou a entrada da montadora no segmento de picapes elétricas de grande porte. A decisão ocorre após a empresa registrar prejuízos consistentes com o veículo, apesar de prêmios recebidos e liderança em vendas de picapes elétricas nos Estados Unidos em períodos recentes. A produção do modelo 2025 foi concluída neste mês, e a companhia redireciona investimentos para veículos híbridos e uma nova geração de elétricos menores e mais acessíveis.
Executivos da Ford destacaram que a mudança segue a demanda dos consumidores por opções com torque instantâneo, mas a preços viáveis e com maior praticidade para uso intenso. A próxima versão da Lightning manterá o nome, mas adotará configuração de autonomia estendida, com motor a gasolina atuando como gerador para recarregar a bateria. Essa alteração permite alcance superior a 700 milhas, combinando tração elétrica com flexibilidade para longas distâncias ou reboques pesados.
A empresa enfrenta custos elevados com a transição, prevendo encargos de cerca de 19,5 bilhões de dólares, principalmente no quarto trimestre de 2025. Parte desses valores refere-se à readequação de fábricas e cancelamento de projetos de veículos elétricos maiores.
Trajetória da F-150 Lightning no mercado
A F-150 Lightning foi lançada em 2021 com preço inicial prometido de 40 mil dólares, gerando grande expectativa entre consumidores de picapes tradicionais. O modelo preservou o design robusto da F-150 convencional, adicionando tomadas elétricas para ferramentas e até capacidade de alimentar residências durante blecautes. Essas características renderam prêmios como Picape do Ano pela MotorTrend em 2023 e liderança em vendas de picapes elétricas no último trimestre reportado pela Ford.

No entanto, os preços reais de venda ficaram acima do anunciado, com o modelo 2025 partindo de cerca de 55 mil dólares. As vendas cresceram inicialmente, alcançando pico de mais de 33 mil unidades em 2024, mas caíram em 2025, com cerca de 25 mil veículos entregues até novembro.
Motivos para a descontinuação
A Ford identificou limitações na autonomia ao rebocar cargas pesadas como fator que desanimava compradores habituados a picapes convencionais. Além disso, os custos de produção não reduziram como previsto, resultando em perdas em todas as unidades vendidas. A categoria de picapes elétricas como um todo não atingiu as projeções de crescimento das montadoras.
Mudanças regulatórias nos Estados Unidos contribuíram para a decisão, com a flexibilização de padrões de emissões e eliminação de créditos fiscais de 7.500 dólares para veículos elétricos. Essas alterações reduziram incentivos para manutenção de modelos não lucrativos.
Nova estratégia com foco em híbridos
A Ford planeja expandir a linha de híbridos, incluindo uma versão plug-in da F-150 com gerador a combustão. Essa configuração mantém a tração elétrica pura no dia a dia, mas estende o alcance sem necessidade de recargas frequentes. A companhia também desenvolve uma picape elétrica média, com preço alvo de 30 mil dólares e lançamento previsto para cerca de um ano.
- Veículos híbridos representarão grande parte das vendas globais até 2030.
- Modelos elétricos puros concentram-se em tamanhos compactos e acessíveis.
- Fábricas de baterias excedentes serão adaptadas para outros usos.
Readequação de fábricas e baterias
Com o fim da produção da Lightning elétrica, a Ford possui capacidade ociosa em plantas de baterias originalmente destinadas ao modelo. Uma fábrica no Kentucky será reformulada para produzir baterias de armazenamento estacionário. Esses produtos atendem à estabilização de redes elétricas, carregando em períodos de abundância de energia renovável e descarregando em picos de demanda.
As baterias também serão comercializadas para centros de dados e clientes industriais. A medida cria nova linha de negócios, compensando parte dos investimentos iniciais em infraestrutura elétrica.
Realinhamento de mão de obra
Funcionários da linha de produção da Lightning no Rouge Electric Vehicle Center, em Dearborn, Michigan, estão sendo realocados para a fábrica de F-150 a gasolina e híbrida na mesma região. A Ford planeja adicionar turnos extras para aumentar a produção de modelos convencionais e híbridos, atendendo à recuperação de suprimentos afetados por incidentes anteriores.
Essa transferência mantém empregos na companhia, com milhares de trabalhadores envolvidos na expansão de linhas lucrativas.
Perspectivas para veículos elétricos
A Ford mantém compromisso com eletrificação, mas ajusta o ritmo à realidade do mercado atual. Veículos de autonomia estendida combinam benefícios elétricos com praticidade de combustão, atendendo a perfis variados de consumidores. A empresa projeta que híbridos, modelos de autonomia estendida e elétricos puros alcancem cerca de 50% das vendas globais até o fim da década.
Projetos cancelados incluem uma picape elétrica de nova geração codinome T3 e uma van comercial elétrica para mercados europeus. Em contrapartida, plantas em Ohio e Tennessee serão convertidas para produção de vans híbridas e picapes a gasolina.
Novo negócio de armazenamento de energia
A reformulação de fábricas de baterias abre oportunidades no setor de energia estacionária. Baterias de grande capacidade ajudam a equilibrar redes elétricas em estados como Califórnia e Texas, onde fontes renováveis variáveis geram excessos e escassez. A venda para indústrias e data centers diversifica receitas da Ford além da mobilidade.
Essa iniciativa utiliza tecnologia desenvolvida para veículos, aplicando-a em soluções para transição energética.