Xiaomi adota medidas para lidar com a elevação nos custos de componentes de memória, que afetam a produção de smartphones em todo o setor.
A empresa chinesa considera remover variantes com 1TB de armazenamento interno das linhas Redmi e POCO, focadas em intermediários.
Essa estratégia visa preservar a competitividade em custo-benefício, limitando o armazenamento máximo a 512GB em muitos modelos.
A crise, impulsionada pela demanda por chips em projetos de inteligência artificial, já provoca reajustes em tablets e pode se estender aos celulares em 2026.
Origens da crise nos componentes
A escassez de chips DRAM e NAND resulta da priorização de produção para servidores de IA por fornecedores como Samsung, SK Hynix e Micron.
Esses fabricantes registraram lucros recordes em 2025, mas reduziram a oferta para dispositivos móveis.
Consultorias como TrendForce preveem continuidade da alta de preços no primeiro trimestre de 2026.
- A demanda por memórias de alta largura de banda (HBM) desviou capacidade fabril.
- Contratos de fornecimento registraram aumentos de até 100% em alguns componentes no fim de 2025.
- Estoques globais caíram para níveis críticos, com apenas 2 a 4 semanas de reserva em outubro.

Ajustes no catálogo da Xiaomi
A Xiaomi concentra mudanças iniciais nas submarcas Redmi e POCO, conhecidas por opções generosas de armazenamento.
Modelos intermediários de 2026 devem perder variantes de 1TB, mantendo-as apenas em flagships premium.
Celulares de entrada podem retornar a configurações com 4GB de RAM para conter custos.
A empresa já aplicou aumentos de 100 a 300 yuans em tablets, equivalentes a ajustes moderados em moeda local.
Outras estratégias adotadas
Executivos da Xiaomi admitem a remoção de carregadores da caixa em linhas básicas e intermediárias.
Essa medida ajuda a compensar parte dos custos elevados sem repasses integrais ao consumidor.
A companhia busca otimizar software, como atualizações do HyperOS, para melhor gerenciamento de recursos limitados.
Reajustes escalonados nos preços de smartphones estão previstos ao longo de 2026.
Efeitos no mercado global
Outras marcas enfrentam pressões semelhantes, com relatos de reduções em especificações de RAM em dispositivos de entrada.
A TrendForce revisou para baixo projeções de produção de smartphones e notebooks para o próximo ano.
Fabricantes chineses, incluindo Realme e Oppo, sinalizam possíveis aumentos de 20% a 30% em alguns modelos.
Medidas adicionais em estudo
A Xiaomi avalia enxugar o portfólio geral para focar em configurações mais viáveis economicamente.
Opções de armazenamento expandido via cartões microSD podem retornar em certos aparelhos.
A empresa monitora a evolução dos preços de NAND, que acumularam altas superiores a 200% em alguns contratos.
A prioridade permanece em manter acessibilidade para consumidores em segmentos populares.
Projeções para o consumidor
Usuários de linhas Redmi e POCO devem encontrar menos opções de alta capacidade nos lançamentos futuros.
Modelos topo de gama, como variantes Ultra, provavelmente preservam 1TB como diferencial.
A crise deve durar até pelo menos meados de 2026, segundo analistas do setor.
Ajustes visam equilibrar especificações e preços em um cenário de suprimentos restritos.