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Fraude no INSS: PF amplia operação sem desconto e mira senador Weverton Rocha em buscas

Senador Weverton
Senador Weverton - Agencia Senado

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 18 de dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigando um complexo esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As ações policiais incluíram o cumprimento de 52 mandados de busca e apreensão, além de 16 mandados de prisão preventiva, em diversos estados do país.

Entre os alvos de destaque está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, cuja residência em Brasília foi objeto de busca e apreensão. A operação mobilizou agentes em diferentes regiões, incluindo o Distrito Federal, Maranhão e São Paulo, com o objetivo de coletar provas substanciais.

Polícia Federal
Polícia Federal – Foto: Thales Antonio/ Istockphoto.com

As investigações concentram-se em crimes graves, como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, formação de organização criminosa e estelionato previdenciário. O esquema, que teria operado por anos, envolveu descontos associativos sem a devida autorização dos beneficiários, gerando prejuízos bilionários aos cofres públicos e aos segurados.

Desdobramentos da operação policial

A mobilização de agentes federais em sete unidades da federação visa aprofundar as provas sobre a dilapidação patrimonial e a ocultação de bens relacionados ao esquema. As ordens judiciais, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), buscam desmantelar a rede criminosa.

Entre os indivíduos visados, encontram-se figuras com ligações à administração previdenciária e empresários que já haviam sido investigados em fases anteriores. A presente etapa da operação busca consolidar as evidências de fraudes que impactaram milhões de aposentados e pensionistas em todo o Brasil.

Alvos e prisões efetuadas

Autoridades prenderam Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido como “Careca do INSS” e que já se encontra detido desde setembro de 2025. Romeu é apontado como sócio em empresas suspeitas de participação ativa no esquema.

Outro indivíduo detido foi o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, reforçando a atuação da PF em núcleos familiares de investigados prévios. As prisões preventivas foram executadas em diferentes estados, evidenciando a capilaridade da rede.

O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, foi submetido a prisão domiciliar e afastamento imediato de suas funções. Portal possui um histórico de atuação em gabinetes parlamentares com vínculos ao PDT, partido do senador Weverton Rocha.

As prisões preventivas foram decretadas com o intuito de evitar a continuidade de atos de ocultação patrimonial e a destruição de provas. Investigadores identificaram uma série de movimentações financeiras consideradas suspeitas em contas bancárias associadas aos alvos da operação.

Estrutura do esquema de descontos indevidos

O modus operandi do esquema consistia na filiação fraudulenta de beneficiários a associações de fachada, o que permitia a realização de descontos mensais diretos nos benefícios do INSS sem qualquer consentimento dos segurados. As entidades de classe recebiam esses valores e os repassavam a intermediários.

Estimativas atualizadas apontam que aproximadamente quatro milhões de pessoas foram lesadas, com desvios que podem ter superado os R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. O governo, por meio do INSS, já implementou mecanismos para a devolução de parte dos valores contestados por segurados.

As principais características do esquema incluem:

  • Inserção falsa de dados em sistemas informatizados do INSS.
  • Criação de associações fictícias para legitimar cobranças.
  • Lavagem de dinheiro por intermédio de empresas intermediárias.
  • Envolvimento de servidores públicos e lobistas para facilitar as operações fraudulentas.
  • Conexões com investigações anteriores

    As investigações anteriores já haviam revelado encontros entre o senador Weverton Rocha e Antônio Carlos Camilo Antunes em eventos sociais e nas dependências do Senado Federal. Os contatos, segundo apurações, abordavam pautas legislativas relacionadas à importação de produtos medicinais.

    Antônio Carlos Camilo Antunes permanece preso, sendo considerado uma figura central no esquema inicial desvendado pela Operação Sem Desconto. A detenção de seu filho nesta nova fase indica a continuidade da investigação sobre as ramificações familiares e empresariais.

    Adroaldo Portal, um dos alvos da operação, havia atuado anteriormente no gabinete do senador Weverton Rocha, o que motivou a inclusão de novos nomes na lista de mandados de busca e apreensão. Essas conexões são peças-chave para o entendimento da extensão da organização criminosa.

    Medidas judiciais e alcance nacional

    O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou todas as medidas, incluindo as buscas realizadas na residência do senador, sem a necessidade de mandados específicos no Congresso Nacional. A Polícia Federal apreendeu diversos bens de luxo, como veículos de alto padrão e relógios caros, nos endereços vistoriados.

    Ainda que o pedido de prisão preventiva contra o senador tenha sido negado, optou-se pela busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos. As ações incluem o sequestro de bens e valores para garantir um eventual ressarcimento às vítimas do esquema fraudulento.

    A Operação Sem Desconto foi iniciada em abril de 2025, expondo a prática de descontos associativos irregulares em uma escala sem precedentes. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram que a vasta maioria dos beneficiários não havia autorizado as cobranças que incidiam sobre seus proventos.

    Esta fase atual representa a quinta etapa da Operação Sem Desconto, concentrando-se nas ramificações políticas e empresariais do esquema. Os investigadores continuam a rastrear os fluxos financeiros que sustentaram a organização criminosa ao longo de vários anos. Mandados foram cumpridos em estados como Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Minas Gerais, além do Distrito Federal, Maranhão e São Paulo, refletindo a abrangência nacional da fraude.

    Posicionamento do parlamentar e continuidade

    Weverton Rocha, por meio de nota oficial, manifestou surpresa com a ação policial, mas assegurou que recebeu a busca com serenidade. Ele reiterou sua total disponibilidade para colaborar com as investigações, aguardando acesso completo à decisão judicial para prestar os esclarecimentos necessários.

    O parlamentar, que ocupa a importante posição de vice-líder do governo no Senado, possui atividades legislativas que incluem a relatoria de indicações estratégicas ao STF. O avanço das investigações busca esclarecer a estrutura hierárquica da organização criminosa, com a análise de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos.

    A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União mantêm o trabalho conjunto para identificar todos os envolvidos no esquema. O foco primordial das autoridades permanece na recuperação dos ativos desviados e na responsabilização penal de todos os agentes.

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