A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) registrou uma falha no lançamento do foguete H3, que decolou do Centro Espacial de Tanegashima às 10h51 no horário local japonês de 22 de dezembro de 2025. O veículo transportava o satélite Michibiki 5, parte do sistema de navegação Quasi-Zenith Satellite System (QZSS). O primeiro estágio funcionou normalmente, mas o motor do segundo estágio não iniciou a ignição corretamente e desligou prematuramente.
Essa anomalia impediu que o satélite fosse inserido na órbita de transferência geossíncrona prevista. A JAXA perdeu comunicação com o foguete e confirmou que a missão não alcançou o objetivo. Essa foi a segunda falha do H3 em oito voos, após o problema inicial em 2023.
O lançamento ocorreu após adiamentos anteriores, incluindo uma tentativa cancelada em 16 de dezembro devido a problemas no countdown e outra em 17 de dezembro por irregularidade no equipamento de resfriamento. A missão visava expandir o QZSS, que melhora a precisão do GPS na região Ásia-Pacífico.
- O QZSS opera com satélites em órbitas quasi-zenitais para cobertura constante sobre o Japão.
- Atualmente, o sistema conta com cinco satélites ativos após lançamentos anteriores bem-sucedidos.
- O Michibiki 5 seria o sexto, fortalecendo serviços para smartphones, veículos autônomos e navegação marítima.
Detalhes da missão
O foguete H3, em sua configuração H3-22S para a oitava missão, decolou com sucesso inicial do complexo de lançamento em Tanegashima. Equipes da JAXA monitoraram o voo em tempo real, mas detectaram a falha no segundo estágio logo após a separação do primeiro. O motor LE-9, responsável pela fase superior, apresentou ignição anormal.
A JAXA formou uma força-tarefa liderada pelo presidente Hiroshi Yamakawa para investigar as causas. Especialistas analisam dados telemétricos para identificar o problema exato no sistema de propulsão. Essa falha representa um revés para o programa espacial japonês, que busca competitividade global com custos reduzidos.
O satélite Michibiki 5, fabricado pela Mitsubishi Electric, incorporava tecnologias avançadas para precisão centimétrica em posicionamento. Sua perda afeta planos de expansão do QZSS para sete satélites até 2026.
Histórico do foguete H3
O H3 sucedeu o veterano H-2A, aposentado após décadas de serviço confiável. O veículo novo registrou falha em sua estreia em março de 2023, quando o segundo estágio não acendeu, resultando na destruição da carga útil. Em seguida, obteve cinco sucessos consecutivos, incluindo o lançamento do Michibiki 6 em fevereiro de 2025.
Esses voos bem-sucedidos restauraram confiança no projeto, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries em parceria com a JAXA. O H3 utiliza motores criogênicos avançados e boosters sólidos para maior eficiência. A configuração varia conforme a carga, com opções de dois ou zero boosters laterais.

Funcionamento do sistema QZSS
O Quasi-Zenith Satellite System complementa o GPS americano, oferecendo sinais mais fortes em áreas urbanas densas e montanhosas do Japão. Satélites permanecem visíveis por longos períodos no zenite, garantindo cobertura quase 100% do território. O sistema iniciou operações em 2018 com quatro satélites iniciais.
Aplicações incluem navegação precisa para drones, agricultura de precisão e resposta a desastres naturais. A expansão para mais satélites visa autonomia maior em posicionamento, reduzindo dependência de sistemas estrangeiros. Países vizinhos na Ásia-Oceania também beneficiam-se dos sinais.
Características técnicas do satélite
O Michibiki 5 pesava cerca de 4.800 quilogramas e incorporava antenas para medição de distâncias entre satélites. Essa tecnologia melhora a determinação orbital em tempo real, elevando a precisão geral do constellation. O satélite operaria em órbita inclinada, traçando figura em forma de 8 sobre a região.
Fabricantes testaram o equipamento extensivamente antes da integração ao foguete. A perda representa não apenas custo financeiro, mas atraso em capacidades operacionais planejadas.
Tentativas anteriores de lançamento
A missão enfrentou múltiplos adiamentos em dezembro de 2025. Uma tentativa inicial foi interrompida minutos antes da decolagem por anomalia no sistema de contagem regressiva. Outra, marcada para 17 de dezembro, cancelou-se devido a problema no equipamento de injeção de água de resfriamento.
Uma reprogramação ocorreu para 22 de dezembro, com janela de lançamento ajustada. Apesar das correções implementadas, a falha no voo persistiu no segundo estágio.
Procedimentos de investigação
A JAXA coletou dados de sensores e telemetria durante o voo para análise detalhada. Especialistas examinam componentes do motor LE-9, incluindo sistemas de ignição e abastecimento. Testes em solo replicarão condições para identificar falhas potenciais.
Resultados da investigação determinarão medidas corretivas antes de próximos voos. O programa H3 tem missões agendadas, incluindo outro satélite QZSS.
Expansão planejada do constellation
O Japão planeja alcançar sete satélites no QZSS até o final da década, com visão para 11 no futuro. Essa configuração proporcionará serviços independentes de posicionamento com alta precisão. Lançamentos subsequentes usarão o H3 ou veículos alternativos, dependendo das investigações.
O sistema já demonstrou utilidade em aplicações civis e governamentais, com compatibilidade em dispositivos modernos.