A prisão de Cristiano Rodrigues Kellermann, de 43 anos, ocorreu na noite de 16 de dezembro no condomínio onde mora a atriz Isis Valverde, no bairro do Joá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O homem foi detido em flagrante pela Delegacia Antissequestro (DAS) após nova tentativa de contato direto com a vítima. A Justiça converteu a prisão em preventiva na audiência de custódia realizada em 18 de dezembro. A atriz não estava no local no momento da abordagem, pois se encontrava em São Paulo. As investigações apontam que a perseguição durava mais de 20 anos e incluía o uso de detetive particular para obter dados pessoais da artista.
Imagens inéditas obtidas pela reportagem revelam que o suspeito acessou o condomínio em ocasiões anteriores, mesmo com o rígido esquema de segurança do local. Em uma das situações, ele se apresentou como primo da atriz e conseguiu chegar até a porta da residência. Funcionários do condomínio o receberam, mas a atriz e o marido, o empresário Marcus Buaiz, não estavam presentes. A polícia foi acionada e localizou o homem em um hotel na Barra da Tijuca. Em depoimento, ele admitiu ter conhecido Isis em Brasília e se declarado apaixonado por ela desde então.

Tentativas anteriores de aproximação
Registros de janeiro de 2025 mostram Cristiano chegando ao condomínio e obtendo acesso à área interna. Ele se aproximou da casa da atriz e foi recebido por funcionários. A polícia encontrou o suspeito em um hotel na Barra da Tijuca após o episódio.
Ele confessou aos agentes que perseguia a atriz há 20 anos e que contratou um detetive particular para descobrir o endereço. A declaração dele aos policiais incluiu a frase de que estava “correndo atrás dela” para localizar sua residência.
Nova tentativa em junho
Em junho de 2025, o homem retornou ao condomínio levando presentes para a atriz. Ele permaneceu em frente à residência, mas deixou o local antes da chegada da polícia. A ação ocorreu mesmo após a denúncia inicial ao Ministério Público.
As imagens exclusivas capturaram o momento em que Cristiano se aproximava do portão com os itens. A perseguição continuou apesar do acompanhamento policial iniciado após o episódio de janeiro.
Prisão em flagrante e medidas judiciais
Na terceira tentativa, em 15 de dezembro de 2025, Cristiano chegou ao Rio de Janeiro por volta das 23h30 e seguiu diretamente para o condomínio. Ele insistiu em falar com a atriz e apresentou comportamento agressivo. Os agentes montaram um cerco tático e efetuaram a prisão dentro do local.
A promotoria destacou que o suspeito afirmou não sairia sem contato com a vítima. A defesa solicitou avaliação psiquiátrica, alegando histórico de dependência química e internações compulsórias. A Justiça autorizou a perícia e manteve a prisão preventiva.
Manifestação da atriz e do marido
Isis Valverde divulgou nota agradecendo o trabalho das autoridades, com destaque para a Delegacia Antissequestro. Ela enfatizou que sua prioridade é a segurança da família e de todos ao redor. A atriz relatou à polícia sentimentos de medo e insegurança provocados pela perseguição reiterada.
Marcus Buaiz, marido da atriz, confirmou que todos estão bem e elogiou a agilidade da investigação. Ele reforçou a importância da intervenção rápida da polícia para garantir a tranquilidade da família.
Repercussão entre outros artistas
O ator Marcos Pitombo revelou sofrer perseguição há mais de um ano por um homem que o segue em rotina diária e locais de trabalho. Ele registrou boletim de ocorrência e obteve medidas protetivas do Ministério Público. O stalker continua constrangendo pessoas próximas e enviando ameaças.
Pitombo compartilhou prints de mensagens e um vídeo de confronto presencial. Ele destacou que a Justiça tem imposto limites a comportamentos que desrespeitam consentimento e bom senso.
Contexto de casos de stalking no país
O Brasil registrou mais de 95 mil casos de stalking em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Especialistas indicam que o total real pode ser maior devido à subnotificação.
A promotora Mariah Soares reforçou que o comportamento obsessivo é crime e que vítimas devem procurar polícia ou Ministério Público. O crime de perseguição está previsto na Lei 14.132/2021 e prevê penas mais graves em casos motivados por gênero.
A investigação continua para apurar detalhes adicionais sobre os deslocamentos do suspeito e possíveis outras vítimas. A prisão preventiva visa garantir a ordem pública e evitar novas aproximações.