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Auditor da CGU David Cosac Júnior tem histórico de agressões e ameaça em supermercado no DF

Auditor da CGU, David Cosac Júnior
Auditor da CGU, David Cosac Júnior - Reprodução

O auditor federal da Controladoria-Geral da União (CGU) David Cosac Júnior, de 50 anos, foi flagrado em vídeo agredindo uma mulher de 40 anos e o filho dela, de 4 anos, no estacionamento de um prédio residencial em Águas Claras, no Distrito Federal. O episódio ocorreu na noite de 7 de dezembro, por volta das 19h40, horário local. As imagens registradas por câmeras de segurança mostram a mulher segurando a criança no colo quando o homem avança e desfecha tapas no menino. As vítimas caem no chão, mas as agressões prosseguem, com o auditor puxando a criança pelo braço e desferindo mais um tapa violento na cabeça do garoto. A mulher tenta proteger o filho deitando-se sobre ele.

Moradores do condomínio presenciaram a cena e acionaram a Polícia Civil do Distrito Federal. Uma denúncia anônima acompanhada do vídeo levou os agentes ao local, onde o suspeito recebeu a equipe na presença do subsíndico do prédio. O servidor alegou que havia terminado o relacionamento com a mulher e que o episódio resultou de um desentendimento. A vítima informou que não desejava registrar ocorrência contra o ex-namorado, mas a corporação orientou a apresentação da criança na 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para exame no Instituto Médico-Legal. A investigação prossegue na Seção de Atendimento à Mulher da unidade policial.

Antecedentes do servidor

David Cosac Júnior possui histórico de comportamento agressivo registrado na Justiça. Em 2017, no mesmo bairro de Águas Claras, ele envolveu-se em confusão em um supermercado devido a divergência no preço de produtos no caixa. A demora na correção do valor irritou o cliente, que chutou o carrinho de compras várias vezes. Quando o gerente interveio e pediu que ele se dirigisse a outro caixa para agilizar o atendimento, o auditor passou a proferir ofensas verbais graves.

O gerente relatou que o homem gritou que ele “não era homem”, chamou-o de “zé ruela” e “vagabundo” na frente de clientes e funcionários. O servidor ainda perguntou o horário de saída do funcionário e sugeriu que se encontrassem fora do estabelecimento para resolver a questão, o que foi interpretado como ameaça de agressão física. Durante o episódio, ele destacou repetidamente sua condição de funcionário público da CGU.

CGU
CGU – Foto: rafastockbr / Shutterstock.com

Condenação judicial anterior

O caso de 2017 foi registrado na 21ª Delegacia de Polícia e resultou em ação por danos morais. Em 2019, a Justiça do Distrito Federal condenou o servidor, que firmou acordo judicial e pagou indenização de R$ 800 à vítima. O processo destacou a conduta como demonstração de despreparo e soberba.

Medidas protetivas concedidas

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios concedeu, em 24 de dezembro, medidas protetivas de urgência contra o auditor, em favor da criança de 4 anos. O Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Águas Claras determinou que David Cosac Júnior mantenha distância mínima de 300 metros da vítima. Ele também está proibido de manter qualquer contato com o menor por telefone, mensagens, e-mail ou redes sociais.

O agressor não pode frequentar o endereço residencial da criança no condomínio em Águas Claras. Essas restrições visam preservar a integridade física e psicológica do ofendido.

A mulher dispensou medidas protetivas em seu favor. Ela explicou que ambos trabalham no mesmo órgão federal, moram em locais próximos e que o servidor garantiu não procurá-la.

Resposta da Controladoria-Geral da União

A CGU anunciou providências administrativas imediatas após a divulgação do vídeo. O ministro Vinícius Marques de Carvalho classificou os fatos como gravíssimos e inaceitáveis, enfatizando que violência contra mulher e criança constitui crime, e não mero desentendimento ou questão privada.

Uma portaria dispensou o servidor de função de chefia na Divisão de Engenharia de Dados. O órgão acompanha o caso com rigor, respeitado o devido processo legal.

Manifestação do presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se em 25 de dezembro sobre o episódio. Ele classificou a agressão como covarde e inadmissível, especialmente por envolver servidor federal. O chefe do Executivo determinou ao ministro da CGU a abertura imediata de processo interno para responsabilização e expulsão do agressor do serviço público.

O servidor ocupa cargo de auditor federal de Finanças e Controle desde 2016, após nomeação em 2007 como analista. Seu salário bruto mensal supera R$ 25 mil, conforme dados públicos.

O caso reforça a necessidade de apuração rigorosa de condutas incompatíveis com o exercício da função pública. A Polícia Civil indiciou o auditor por lesão corporal contra a mulher e maus-tratos contra a criança.

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