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Afastamento para pais pode chegar a 20 dias: saiba quem tem direito e como solicitar a licença-paternidade

Licença Paternidade
Licença Paternidade - Foto: Halfpoint/Shutterstock.com Licença Paternidade - Foto: Halfpoint/Shutterstock.com

A licença-paternidade é um direito fundamental para os trabalhadores brasileiros, mas sua duração e as regras para solicitação ainda geram muitas dúvidas. O benefício, essencial para fortalecer o vínculo familiar nos primeiros dias de vida de um filho, varia significativamente dependendo do regime de contratação e da política da empresa empregadora.

Atualmente, o cenário se divide em duas realidades principais. A primeira é a regra geral prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que concede um período de afastamento mais curto. A segunda, mais vantajosa, é a extensão do benefício oferecida por companhias que aderem a um programa de incentivo fiscal do governo, totalizando 20 dias de licença.

Compreender os prazos, quem tem direito e como proceder para solicitar o afastamento remunerado é crucial para garantir que esse momento seja vivenciado com tranquilidade. Embora existam discussões no Congresso Nacional para unificar e ampliar o período para todos os pais, as normas vigentes exigem atenção dos trabalhadores para não perderem os prazos estabelecidos.

Sancionada lei que amplia licença-paternidade para 20 dias

Quem tem direito ao benefício e como solicitar

O direito à licença-paternidade é garantido pela Constituição Federal e abrange uma ampla gama de trabalhadores. Têm direito ao benefício todos os empregados com carteira assinada, tanto em áreas urbanas quanto rurais, servidores públicos e também os pais que obtêm a guarda judicial para fins de adoção ou por nascimento de filho. O afastamento é remunerado, o que significa que o trabalhador continua recebendo seu salário integralmente durante o período, sem prejuízos financeiros. Para formalizar o pedido, o pai deve comunicar o empregador, geralmente através do departamento de Recursos Humanos, assim que o evento ocorrer. A solicitação deve ser acompanhada da apresentação de um documento comprobatório, como a certidão de nascimento da criança ou o termo de guarda ou adoção. É fundamental que essa comunicação seja feita rapidamente para assegurar o cumprimento dos prazos legais e o início do afastamento.

O prazo padrão de cinco dias corridos

A regra básica, válida para a maioria dos trabalhadores celetistas, estabelece um afastamento de cinco dias corridos. Esse período começa a ser contado a partir do primeiro dia útil seguinte ao nascimento da criança ou à data do documento de adoção. É importante destacar que, por serem dias “corridos”, a contagem inclui finais de semana e feriados que ocorram dentro do intervalo, o que na prática pode reduzir o tempo útil do pai em casa.

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Este prazo, estabelecido pela Constituição de 1988, é frequentemente alvo de críticas por parte de especialistas em desenvolvimento infantil e defensores da igualdade de gênero. A alegação é que cinco dias são insuficientes para que o pai estabeleça um vínculo sólido com o recém-nascido, participe ativamente dos cuidados iniciais e ofereça o suporte necessário à mãe no período pós-parto, que costuma ser física e emocionalmente desgastante.

A extensão para 20 dias no Programa Empresa Cidadã

Uma alternativa mais benéfica é a licença-paternidade de 20 dias, disponível para funcionários de empresas que participam do Programa Empresa Cidadã. Este programa, criado pelo governo federal, concede incentivos fiscais, como a dedução no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), para as companhias que prorrogam o benefício por mais 15 dias, somando-os aos 5 dias já previstos em lei.

A adesão ao programa é voluntária, o que significa que a decisão de oferecer a licença estendida cabe exclusivamente ao empregador. Por essa razão, o benefício ainda não é uma realidade para a totalidade dos trabalhadores brasileiros, sendo mais comum em empresas de grande porte.

Para ter direito à prorrogação, o trabalhador precisa fazer a solicitação formalmente ao seu empregador em até dois dias úteis após o nascimento ou a adoção da criança. Além disso, a legislação exige que, durante o período de afastamento estendido, o pai não exerça nenhuma outra atividade remunerada.

Outro requisito que pode ser exigido pela empresa é a comprovação de participação em cursos ou programas de orientação sobre paternidade responsável. A medida visa incentivar o envolvimento ativo do pai nos cuidados e na educação dos filhos desde os primeiros momentos de vida.

Regras para servidores públicos

No setor público, as regras apresentam particularidades. Para os servidores públicos federais, a licença-paternidade já é de 20 dias, um direito garantido por decreto desde 2016. Esse período é composto pelos 5 dias básicos acrescidos de uma prorrogação de 15 dias, concedida automaticamente mediante solicitação.

Já para os servidores estaduais e municipais, a duração do benefício pode variar consideravelmente. Cada estado e município possui autonomia para definir suas próprias regras em seus estatutos. Portanto, enquanto alguns entes federativos seguem o modelo federal de 20 dias, outros mantêm o prazo mínimo de apenas cinco dias, gerando uma disparidade no tratamento entre os funcionários públicos do país.

A importância da presença paterna

O período de licença-paternidade vai muito além de uma simples folga do trabalho. Estudos em pediatria e psicologia apontam que a presença ativa do pai nos primeiros dias e semanas de vida do bebê é fundamental para o desenvolvimento de um vínculo afetivo seguro, o que impacta positivamente a saúde emocional e cognitiva da criança a longo prazo. A participação paterna nos cuidados iniciais, como trocas de fraldas, banhos e alimentação, não apenas fortalece a relação pai-filho, mas também oferece um suporte crucial para a mãe, que se recupera das transformações físicas e hormonais do parto. Além disso, uma licença mais longa contribui diretamente para a promoção da igualdade de gênero, desafiando o estereótipo de que o cuidado com os filhos é uma responsabilidade exclusiva da mulher e incentivando uma divisão mais equitativa das tarefas domésticas e familiares desde o início.

Perspectivas de ampliação do direito

O debate sobre a ampliação da licença-paternidade para todos os trabalhadores ganhou força nos últimos anos, impulsionado por legislações como o Marco Legal da Primeira Infância e o Programa Emprega + Mulheres. Essas leis já preveem a possibilidade de estender o benefício, mas sua aplicação universal ainda depende de regulamentação específica, que não foi publicada até o momento.

Enquanto a mudança não se concretiza, a principal via para um afastamento maior continua sendo a adesão das empresas ao Programa Empresa Cidadã. Movimentos sociais e parlamentares seguem pressionando por uma reforma que torne os 20 dias um direito de todos os pais, alinhando o Brasil a práticas mais modernas de outros países e reconhecendo a importância da paternidade ativa.

Como garantir o acesso ao benefício

Para não ter problemas ao solicitar a licença-paternidade, o primeiro passo é se informar. O trabalhador deve verificar se a empresa onde atua faz parte do Programa Empresa Cidadã para saber se tem direito à prorrogação de 20 dias. Independentemente da duração, é essencial cumprir o prazo para comunicar o empregador e apresentar a certidão de nascimento ou documento de adoção, garantindo que o direito seja exercido plenamente.

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