Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, enviou resposta oficial à proposta da SAFiel para aporte antecipado destinado a quitar pendências financeiras do clube. O dirigente identificou contradições e indefinições no documento, impedindo qualquer deliberação imediata pelos órgãos estatutários. A manifestação ocorre em meio ao debate sobre a possível transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A proposta da SAFiel, encaminhada em 6 de janeiro de 2026, previa recursos para resolver o transfer ban imposto pela Fifa, decorrente da dívida com o Santos Laguna pela contratação de Félix Torres, além do financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal. O valor seria convertido em ações caso a SAF avance ou devolvido pelo clube em cenário contrário. No entanto, o Conselho Deliberativo sinaliza necessidade de bases mais sólidas antes de avanços.
O Corinthians enfrentava restrições para registrar novos jogadores devido a essa punição, mas avançou em acordo separado com o clube mexicano para quitação em torno de R$ 33 milhões, possibilitando a liberação recente do ban.
Contradições no conceito de aporte imediato
Romeu Tuma Júnior destacou a principal inconsistência entre a promessa de aporte imediato e as condicionantes impostas pela própria SAFiel. O documento condiciona a liberação de recursos à conclusão de auditorias e à aprovação prévia da SAF pelos órgãos do clube, o que contradiz a ideia de imediatidade.
Essa vinculação esvazia a proposta de solução urgente para o funcionamento regular da instituição. Além disso, a exigência de aprovação prévia ocorre sem elementos essenciais definidos, como o valuation do clube, representando inversão lógica em processos deliberativos.

Ausência de base estatutária para SAF
O dirigente enfatizou que o estatuto do Corinthians não possui rito específico para aprovação de SAF, incluindo competências e quóruns necessários. Essa lacuna foi reconhecida publicamente em audiência de dezembro de 2025, quando a SAFiel apresentou proposta de reforma estatutária ainda em análise.
Sem essa estrutura, qualquer discussão sobre aprovação prévia torna-se prematura e sem segurança jurídica mínima. O Conselho Deliberativo prioriza a modernização estatutária antes de avançar em modelos societários complexos.
Indefinições jurídicas na proposta
- Tuma Júnior apontou que itens centrais da proposta remetem a documentos futuros inexistentes para definição de prazos, garantias e condições.
- Essa transferência do núcleo econômico para instrumentos posteriores compromete a segurança jurídica, especialmente em carta não vinculante com validade até 26 de janeiro de 2026.
O dirigente alertou para assimetria de riscos, com efeitos patrimoniais relevantes ao clube antes de obrigações firmes da proponente. Essa configuração exige cautela redobrada sob perspectiva fiduciária e institucional.
Possível criação de grupo para debater SAF
Apesar das críticas, Romeu Tuma Júnior afirmou que o tema SAF merece tratamento sério e aprofundado. Ele avalia a formação de grupo interno no Conselho Deliberativo, com participação de especialistas, para discutir modelos de SAF, consequências institucionais e impactos de alterações tributárias recentes.
Essa iniciativa visa promover debate técnico e transparente sobre reestruturação societária. O Corinthians lida com patrimônio histórico e financeiro relevante, demandando premissas objetivas e sustentáveis em negociações dessa magnitude.
Detalhes da resposta oficial
A resposta de Tuma Júnior acusa recebimento da correspondência de 6 de janeiro e registra inconsistências após análise técnica preliminar. O dirigente reforça a complexidade institucional, jurídica e financeira envolvida em eventual SAF.
Ele critica construções ambíguas ou condicionantes que desfazem soluções imediatas sob leitura sistemática. O clube permanece disposto a esclarecimentos em ambiente de debate compatível com a responsabilidade do tema.
O debate sobre SAF no Corinthians ganha intensidade com pressões financeiras, incluindo dívidas acumuladas e restrições recentes superadas. A posição do Conselho Deliberativo indica que avanços dependem de clareza conceitual e bases estatutárias consolidadas antes de deliberações.