Jorginho Mello veta projeto que proibia festas de halloween em escolas de Santa Catarina
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, exerceu seu direito de veto sobre o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) que visava proibir a realização de festas e quaisquer atividades relacionadas ao Halloween no ambiente escolar público e privado do estado. A decisão, comunicada em 2025, mantém a autonomia das instituições de ensino para decidir sobre a inclusão de celebrações e eventos culturais em seu calendário pedagógico. O projeto havia gerado intenso debate entre educadores, pais e parlamentares desde sua aprovação em dezembro anterior, levantando questões sobre liberdade de expressão cultural, laicidade do ensino e o papel do Estado na definição de currículos escolares. O veto governamental representa um posicionamento claro em defesa da diversidade de práticas culturais e do planejamento pedagógico das escolas.

A proibição proposta pela Alesc, que agora não avança, era justificada por alguns de seus defensores como uma forma de proteger a cultura local e evitar a influência de costumes estrangeiros, além de abordar preocupações de cunho religioso. Argumentava-se que o Halloween, por suas origens e símbolos, não se alinhava aos valores tradicionais catarinenses, e que as escolas deveriam focar em datas e celebrações que reforçassem a identidade regional. O texto do projeto não previa sanções específicas, mas estabelecia a vedação expressa da comemoração da data.
A proposição gerou discussões significativas.
* Educadores e gestores escolares expressaram preocupação com a interferência na autonomia pedagógica e na liberdade de expressão cultural.
* Houve manifestações de pais a favor e contra, com alguns defendendo a proibição por motivos religiosos e outros valorizando a celebração como uma oportunidade de aprendizado sobre culturas diversas.
* Associações de professores destacaram a importância de um ambiente escolar que promova a inclusão e o respeito a diferentes manifestações culturais.
Argumentos da proposta vetada
O projeto de lei que buscava o fim das comemorações de Halloween nas escolas catarinenses foi apresentado com a premissa de que a data não se harmonizava com a cultura predominante no estado. Os proponentes defendiam a valorização de tradições regionais e nacionais em detrimento de manifestações culturais consideradas alheias ao contexto local. A proposta gerou uma ampla mobilização, com defensores enfatizando a necessidade de preservar a identidade cultural de Santa Catarina.
A principal justificativa para a proibição era que a festa de origem celta teria conotações que destoam dos princípios educacionais e dos valores familiares. Debates na Assembleia Legislativa abordaram aspectos religiosos e morais, ressaltando que a celebração poderia ser interpretada de diferentes maneiras pela comunidade escolar. O projeto de lei, ao buscar a vedação, visava garantir um ambiente educacional mais alinhado com as raízes culturais e éticas da população catarinense, segundo seus idealizadores.
Repercussão entre educadores e pais
A notícia do veto do governador foi recebida com alívio por grande parte da comunidade educacional de Santa Catarina, especialmente por diretores e professores. Muitos viram na decisão a preservação da autonomia pedagógica, permitindo que as escolas continuem a planejar atividades que considerem relevantes para o desenvolvimento cultural e social dos estudantes. Professores argumentam que a liberdade de abordar diferentes culturas enriquece o currículo e prepara os alunos para um mundo globalizado.
Entre os pais, as reações foram divididas. Enquanto uma parcela apoiava o veto, considerando que a proibição seria uma restrição desnecessária à criatividade e à experiência dos filhos, outros expressaram desapontamento. Estes últimos acreditavam que a Alesc estava agindo para proteger as crianças de influências culturais que consideravam inadequadas ou contrárias às suas crenças. O debate realçou a complexidade de harmonizar diferentes visões de mundo dentro do sistema educacional.
O veto também reforçou a discussão sobre o limite da intervenção legislativa em questões pedagógicas e curriculares. Educadores e especialistas em direito educacional sublinham que decisões sobre o conteúdo e as atividades escolares devem ser tomadas com base em critérios pedagógicos e em diálogo com a comunidade escolar, e não por imposição externa. A manutenção do Halloween nas escolas é vista, por muitos, como um exemplo da valorização da diversidade no ensino.
O histórico do halloween nas escolas catarinenses
O Halloween é uma data celebrada há décadas em muitas escolas de Santa Catarina, especialmente naquelas que buscam oferecer aos alunos uma experiência cultural diversificada. As comemorações geralmente incluem atividades lúdicas, como concursos de fantasias, decorações temáticas e apresentações sobre a origem da festa e suas tradições em outros países. O objetivo principal é proporcionar um momento de descontração e aprendizado sobre outras culturas.
As escolas frequentemente utilizam a data como uma oportunidade para desenvolver habilidades linguísticas, especialmente em aulas de inglês, e para estimular a criatividade dos alunos por meio da criação de adereços e fantasias. Gincanas e brincadeiras temáticas são comuns, promovendo a interação social e o trabalho em equipe. Tais atividades são integradas ao plano de ensino, visando complementar o aprendizado formal com experiências práticas e divertidas.
A popularidade da festa entre os estudantes é um fator que contribui para sua manutenção nas escolas. O engajamento dos alunos nas preparações e nas celebrações é geralmente alto, o que demonstra o interesse pela temática. Para muitos, o Halloween é mais do que uma festa, sendo um evento que aguardam ansiosamente e que marca o calendário escolar com momentos de alegria e socialização entre colegas.
Historicamente, a celebração do Halloween nas escolas catarinenses não tem sido associada a conflitos ou problemas significativos que justificassem uma proibição em nível estadual. As instituições têm gerido as comemorações de forma autônoma, adaptando as atividades ao perfil de seus alunos e à cultura local, sempre com o cuidado de respeitar a diversidade de opiniões e crenças presentes na comunidade.
A decisão governamental e os próximos passos
O veto do governador Jorginho Mello segue o rito legislativo, retornando o projeto de lei à Assembleia Legislativa para nova análise. O chefe do executivo estadual fundamentou sua decisão na inconstitucionalidade e na inconveniência da medida, argumentando que ela invadiria a autonomia das escolas e restringiria a liberdade pedagógica. A prerrogativa do veto permite ao governador questionar a legalidade ou a pertinência de leis aprovadas pelo parlamento.
Caberá agora aos deputados estaduais analisar o veto, podendo mantê-lo ou derrubá-lo. A derrubada do veto exige maioria absoluta dos votos dos parlamentares. Caso o veto seja derrubado, o projeto de lei será promulgado e a proibição do Halloween nas escolas entraria em vigor. A decisão da Alesc definirá o futuro das celebrações da data nas instituições de ensino de Santa Catarina, marcando um capítulo importante no debate sobre a autonomia escolar e a intervenção legislativa.
Legislação e autonomia escolar
A discussão em torno do veto ao projeto que proibia o Halloween nas escolas levanta um ponto crucial sobre a legislação educacional e a autonomia que as instituições de ensino possuem. A legislação brasileira, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), preconiza a autonomia pedagógica das escolas, permitindo que elas construam seus projetos pedagógicos de acordo com suas realidades e as necessidades de suas comunidades. A intervenção direta do legislativo em questões tão específicas do dia a dia escolar é frequentemente vista como um desrespeito a essa autonomia, gerando debates sobre o limite da atuação de cada poder. Escolas e entidades representativas da educação defendem que a definição de atividades extracurriculares e culturais deve ser fruto de um diálogo interno, envolvendo professores, pais e alunos, garantindo que o currículo não seja engessado por determinações externas que desconsiderem a diversidade de abordagens pedagógicas e culturais.
Celebrações culturais no ambiente educacional
A inclusão de celebrações como o Halloween no calendário escolar demonstra a capacidade das escolas de promoverem a compreensão e o respeito por diferentes manifestações culturais. Essas atividades podem servir como ferramentas pedagógicas valiosas.
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