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Prata cai 15% e Ouro recua 7%, abalando mineradoras e ETFs

Prata e Ouro
Prata e Ouro - Nattapon Saisaard/ shutterstock.com

Os mercados globais reagiram com apreensão na última sexta-feira a uma acentuada queda nos preços do ouro e da prata, desencadeando uma onda de vendas que afetou diretamente ações e fundos de investimento ligados a esses metais valiosos. A desvalorização surpreendente marcou um momento de volatilidade significativa, desafiando a recente trajetória de alta que caracterizava o setor.

Investidores observaram os metais preciosos, tradicionalmente considerados refúgios seguros, sofrem uma forte correção, levantando questionamentos sobre a estabilidade futura desses ativos. A repercussão foi imediata, com empresas de mineração e fundos negociados em bolsa sentindo o impacto em suas cotações, em um cenário de incertezas econômicas e políticas.

Desvalorização atinge patamares críticos

ouro

A cotação da prata à vista registrou um declínio impressionante, despencando 15% para fechar em torno de US$ 98,66 por onça, um retorno abaixo da simbólica marca de US$ 100. Essa queda, observada por volta das 5h04 da manhã (horário do leste dos EUA), representou uma correção substancial após períodos de valorização intensa.

Simultaneamente, o ouro à vista também experimentou uma retração notável, com suas ações caindo 7% e sendo negociadas a US$ 5.009,46 a onça. A movimentação nos mercados à vista foi amplamente replicada nas bolsas de futuros, onde os contratos de ouro para o mês seguinte em Nova York perderam 5,5%, enquanto os futuros de prata para entrega em fevereiro caíram 11%.

Repercussão global em setores estratégicos

A onda de vendas não se limitou ao ouro e à prata, estendendo-se por todo o mercado de metais preciosos. A platina à vista também sofreu, recuando mais de 14%, e o paládio despencou cerca de 12%, evidenciando uma pressão generalizada sobre a categoria.

O impacto da desvalorização foi imediatamente visível nas bolsas de valores internacionais. Na Europa, o índice regional Stoxx 600 Basic Resources, que engloba as maiores e mais valiosas empresas de mineração do continente, registrou uma queda de 3,2% nas negociações matinais.

Empresas gigantes do setor foram atingidas em cheio. A Fresnillo, produtora líder mundial de prata com listagem na bolsa de Londres, viu suas ações caírem 7%. No pré-mercado de Wall Street, a mineradora de prata Endeavour Silver despencou 14,7%, enquanto a First Majestic Silver amargou uma perda de 14,4%, indicando um ajuste drástico nas expectativas dos investidores.

Fundos de investimento sofrem com a volatilidade

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de prata foram particularmente afetados por essa correção brusca. O fundo ProShares Ultra Silver, por exemplo, chegou a registrar uma queda de 25% antes mesmo da abertura do mercado, enquanto o ETF iShares Silver Trust perdeu 12,7% de seu valor. Essa performance sublinha a vulnerabilidade desses instrumentos financeiros a movimentos súbitos nos preços das commodities subjacentes.

Metais preciosos como ouro e prata tiveram uma valorização sem precedentes nos últimos doze meses, impulsionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos. A volatilidade generalizada do mercado, a desvalorização do dólar americano e o aumento das tensões geopolíticas globalmente contribuíram para que esses ativos alcançassem patamares recordes. A preocupação com a independência do Federal Reserve também figurava entre as razões para a busca por segurança nesses metais.

Análise de especialistas sobre o movimento de mercado

Katy Stoves, gestora de investimentos da renomada empresa britânica de gestão de patrimônio Mattioli Woods, ofereceu uma perspectiva sobre os acontecimentos. Em entrevista na manhã da sexta-feira, Stoves afirmou que as recentes movimentações provavelmente representam uma “reavaliação generalizada do risco de concentração no mercado”. Ela traçou um paralelo com as ações de tecnologia, especialmente as relacionadas à inteligência artificial, que dominaram a atenção e os fluxos de capital do mercado. Segundo a especialista, o ouro também experimentou um posicionamento intenso e uma grande concentração de posições. A gestora ressaltou que, quando a maioria dos investidores se inclina para o mesmo lado, até mesmo ativos considerados sólidos podem sofrer quedas à medida que as posições são desfeitas, um “acerto de contas” para o capital que inunda áreas com narrativas poderosas.

Fatores externos e estratégias de investimento

Toni Meadows, chefe de investimentos da BRI Wealth Management, argumentou que a ascensão do ouro à marca de US$ 5.000 ocorreu “com muita facilidade”, indicando uma possível fragilidade subjacente. Ele apontou que a desvalorização do dólar havia sido um pilar de sustentação para os preços do ouro, mas a moeda americana agora mostra sinais de estabilização, removendo parte desse suporte.

Meadows destacou que as aquisições por parte dos bancos centrais foram um motor essencial para a alta de longo prazo dos metais, embora esse ritmo tenha diminuído nos últimos meses. Ele adicionou que, ainda assim, há justificativas para uma maior diversificação das reservas, especialmente considerando que políticas comerciais e intervenções externas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, podem gerar receio em muitos países, particularmente em mercados emergentes ou alinhados a nações como China e Rússia, sobre a manutenção de ativos americanos.

Claudio Wewel, estrategista de câmbio da J. Safra Sarasin Sustainable Asset Management, em entrevista ao programa “Squawk Box Europe” da CNBC, descreveu uma “tempestade perfeita” de tensões geopolíticas que impulsionou os metais preciosos este ano. Ele citou eventos como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA e as ameaças de Washington de usar força militar na Groenlândia e no Irã, criando um cenário de incerteza global que favoreceu os ativos de refúgio.

Mais recentemente, Wewel observou que as especulações sobre a indicação do próximo presidente do Federal Reserve têm exercido uma influência considerável nos mercados de metais. A incerteza em torno da liderança da maior autoridade monetária do mundo adiciona uma camada de complexidade às decisões de investimento e à percepção de risco dos mercados.

Especulações sobre o comando do Fed intensificam-se

Investidores globais acompanham com grande expectativa a indicação do próximo presidente do Federal Reserve, após o anúncio do sucessor de Jerome Powell. O ex-governador do Fed, Kevin Warsh, que atuou durante a crise financeira de 2008, é apontado como o favorito, e a percepção de que um concorrente mais moderado poderia ser indicado tem sido precificada pelo mercado, influenciando os preços de diversos metais preciosos.

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