Os preços da prata e do ouro registraram quedas significativas nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, em um movimento de vendas generalizado nos mercados de metais preciosos. A prata à vista perdeu 15%, fechando próxima de US$ 98,66 por onça, retornando abaixo da marca psicológica de US$ 100. Já o ouro à vista recuou 7%, sendo negociado em torno de US$ 5.009,46 por onça.
Essa desvalorização ocorreu em meio a uma reavaliação de riscos por investidores, influenciada pela expectativa em torno da indicação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve. O movimento afetou não apenas os metais à vista, mas também contratos futuros e ações de empresas do setor. Outros metais como platina e paládio também sofreram perdas expressivas, superiores a 12%.
A correção acontece após um período de altas recordes ao longo de 2025 e início de 2026, impulsionadas por fatores como tensões geopolíticas e compras de bancos centrais. Investidores agora ajustam posições concentradas, o que amplifica as oscilações. O dólar mais estável contribui para reduzir o apelo dos metais como proteção.
Movimentação nos mercados futuros e à vista
Os contratos futuros de prata para entrega em fevereiro caíram 11% na bolsa de Nova York. Essa redução reflete uma realização de lucros após ganhos acumulados intensos nos últimos meses. Os futuros de ouro para o mês seguinte perderam 5,5%, acompanhando o tom negativo geral.
A platina à vista registrou queda superior a 14%, enquanto o paládio recuou cerca de 12%. Esses metais, usados em indústrias como automotiva e catalisadores, seguem a tendência dos preciosos mais negociados. A volatilidade atinge o mercado global de commodities.
Impacto nas bolsas europeias e americanas
Na Europa, o índice Stoxx 600 Basic Resources, que reúne grandes mineradoras, caiu 3,2% nas negociações matinais. A Fresnillo, maior produtora mundial de prata e listada em Londres, viu suas ações desvalorizarem 7%. Esse recuo demonstra a sensibilidade do setor a variações nos preços dos metais.
No pré-mercado de Wall Street, mineradoras de prata enfrentaram perdas acentuadas. A Endeavour Silver recuou 14,7%, e a First Majestic Silver perdeu 14,4%. ETFs ligados à prata também sofreram, com o ProShares Ultra Silver caindo até 25% e o iShares Silver Trust registrando baixa de 12,7%.

Contexto de altas recentes nos metais
Os metais preciosos acumularam valorizações expressivas nos últimos 12 meses, impulsionadas por volatilidade nos mercados financeiros. A prata subiu 150% em 2025 e mais 37% no acumulado de 2026 até o momento. O ouro avançou 65% no ano anterior e 15,4% em 2026.
Esses ganhos ocorreram em meio a quedas do dólar, tensões geopolíticas e preocupações com políticas monetárias. Bancos centrais aumentaram reservas em ouro, diversificando afastando-se de ativos em dólar. Eventos como operações na Venezuela e ameaças em regiões como Groenlândia e Irã sustentaram a demanda por refúgio.
Opiniões de especialistas sobre a correção
Gestores de investimentos apontam para uma reavaliação generalizada de riscos de concentração. Posições intensas em metais preciosos, semelhantes ao observado em ações de tecnologia, levam a desmontes rápidos quando o cenário muda. Mesmo ativos sólidos enfrentam vendas em momentos de ajuste.
A alta do ouro para além de US$ 5.000 ocorreu de forma rápida, sustentada por desvalorização anterior do dólar. Agora, com a moeda americana mais estável, o ritmo de compras por bancos centrais diminuiu nos últimos meses. Países emergentes ainda buscam diversificação, mas o movimento perde força.
Influência da política monetária americana
A especulação sobre o sucessor de Jerome Powell no Federal Reserve ganhou força com a proximidade da indicação de Kevin Warsh. O ex-governador, conhecido por atuação durante a crise de 2008, é visto como opção mais hawkish. O mercado precificava um perfil mais dovish, o que sustentava preços elevados.
Nas últimas horas, fluxos de notícias alteraram expectativas, contribuindo para a onda de vendas. Uma “tempestade perfeita” de fatores geopolíticos havia impulsionado os metais anteriormente. Agora, a perspectiva de política monetária menos acomodatícia pressiona os preços para baixo.
Efeitos em outros metais e setores relacionados
- Platina: queda de mais de 14%, afetando aplicações industriais;
- Paládio: recuo de cerca de 12%, ligado à demanda automotiva;
- Índices setoriais: perdas em recursos básicos na Europa e pré-mercado americano;
- ETFs alavancados: amplificação das perdas em fundos como ProShares Ultra Silver.
Esses movimentos destacam a interconexão entre metais preciosos e industriais. A correção atinge cadeias de suprimento globais. Investidores monitoram desenvolvimentos no Fed para próximos ajustes.
Perspectivas para o setor minerador
Empresas como Fresnillo enfrentam pressão imediata nas cotações de ações. A dependência de preços elevados da prata expõe vulnerabilidades em períodos de correção. Mineradoras menores, como Endeavour e First Majestic, registram variações mais intensas devido à menor capitalização.
O setor acumulou ganhos significativos com a bull run dos metais. Agora, ajustes de portfólio globais impactam diretamente a valuation dessas companhias. Analistas observam que fundamentos de oferta e demanda permanecem apertados a longo prazo.
O mercado de metais preciosos passa por um momento de consolidação após recordes consecutivos. A indicação formal de Warsh pode trazer mais clareza nas próximas horas. Investidores globais acompanham indicadores econômicos americanos e desenvolvimentos geopolíticos para reposicionamento.