A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, no final da noite deste domingo, os detalhes técnicos e os áudios da análise realizada pela equipe de arbitragem de vídeo no confronto entre Flamengo e Corinthians pela Supercopa Rei. O foco da divulgação foi o lance envolvendo o colombiano Jorge Carrascal, que desferiu um soco contra o jogador Breno Bidon no final da primeira etapa da partida. Embora o incidente tenha ocorrido antes do encerramento dos primeiros 45 minutos, o cartão vermelho foi aplicado somente no retorno das equipes para o gramado.
O árbitro Rafael Klein seguiu as orientações do protocolo internacional da FIFA ao explicar a decisão aos capitães Arrascaeta e Gustavo Henrique antes do reinício do jogo. A entidade máxima do futebol brasileiro informou que novas imagens foram obtidas durante o período de intervalo, permitindo uma visualização mais clara da agressão cometida pelo camisa 15 rubro-negro. Como o lance envolvia conduta violenta, as regras de arbitragem permitem que a revisão ocorra mesmo após a paralisação ou encerramento parcial de um período, garantindo a aplicação da sanção disciplinar adequada.
- Agressão de Carrascal ocorreu nos acréscimos do primeiro tempo.
- VAR identificou o soco em Breno Bidon após checagem de novas câmeras.
- Expulsão foi comunicada formalmente no início da etapa complementar.
- Queda de energia no estádio afetou o funcionamento do sistema de vídeo posteriormente.
CBF divulga áudio do VAR da expulsão de Carrascal.
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) February 2, 2026
Em conversa com Arrascaeta e Gustavo Henrique, o árbitro Rafael Klein explicou o motivo da expulsão do jogador do Flamengo.
"Durante o intervalo, a equipe VAR encontrou evidências de uma conduta violenta nesse último lance. Eu… pic.twitter.com/XKicG44CGA
Procedimento adotado pela arbitragem na Supercopa
O processo de revisão do lance gerou questionamentos iniciais por parte dos jogadores e das comissões técnicas presentes no estádio. Rafael Klein aguardou a manifestação da cabine do VAR ainda no primeiro tempo, mas os operadores sinalizaram que não possuíam evidências conclusivas para recomendar a ida ao monitor naquele instante. Durante o repouso dos atletas, a equipe técnica revisou os ângulos disponíveis e isolou o momento em que Carrascal atinge o rosto de Bidon em um lance fora da disputa de bola.
A decisão de chamar o árbitro para o monitor apenas no retorno do vestiário está fundamentada nas normas vigentes para a temporada 2025/26. Ao ser informado pela equipe de vídeo, Klein reuniu as lideranças das duas equipes para detalhar o ocorrido e evitar confusões sobre a cronologia da marcação. O juiz enfatizou que a natureza da infração, classificada como conduta violenta, permite a intervenção excepcional prevista no protocolo da FIFA para garantir a integridade da competição.
Fundamentação técnica para o uso do var após o intervalo
A nota oficial emitida pela CBF destaca que a expulsão de Carrascal foi tecnicamente amparada pelo Livro de Regras e pelo protocolo internacional de vídeo. De acordo com as diretrizes da FIFA, infrações que envolvem cuspir, morder ou agir de forma violenta são passíveis de revisão a qualquer momento da partida, inclusive após o reinício do jogo, caso a tecnologia tenha falhado ou novas imagens surjam. Este mecanismo visa evitar que atos de indisciplina graves passem impunes devido a dificuldades técnicas momentâneas durante o tempo real.
O documento técnico reforça que o primeiro tempo foi encerrado normalmente justamente porque as imagens iniciais não apresentavam a clareza necessária para uma expulsão imediata. Apenas com o processamento de ângulos adicionais foi possível identificar o soco de forma inequívoca. A transparência na divulgação dessas informações busca dissipar dúvidas sobre a legalidade do procedimento e reforçar a autoridade da arbitragem em eventos de grande magnitude nacional.
Impacto da queda de energia no sistema de monitoramento
Além da polêmica sobre a expulsão, a CBF revelou que o estádio sofreu uma queda de energia elétrica que atingiu diversos setores, incluindo a sala de operação do VAR (VOR). O sistema de contingência, conhecido como no-break, garantiu a operação por aproximadamente 15 minutos adicionais após o incidente elétrico. No entanto, devido à demora no restabelecimento da rede externa, a tecnologia ficou indisponível entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo.
A equipe de arbitragem seguiu o protocolo de contingência e comunicou imediatamente os treinadores Tite e Ramón Díaz sobre a ausência temporária do recurso de vídeo. Durante esse intervalo sem o VAR, a partida transcorreu sob a responsabilidade exclusiva da equipe de campo, conforme preveem as normas para casos de falha tecnológica. A Comissão de Arbitragem assegurou que todas as comunicações foram feitas de forma transparente e que não houve prejuízo esportivo direto às agremiações envolvidas.
- Operação do VAR foi mantida por baterias durante o início da crise elétrica.
- Treinadores foram informados sobre a indisponibilidade do sistema no segundo tempo.
- Partida seguiu as regras de campo durante o período de 19 minutos sem vídeo.
Análise da conduta violenta e sanções disciplinares
O lance de Jorge Carrascal foi classificado como agressão física direta, o que aciona automaticamente o protocolo de conduta violenta. O jogador acertou o rosto de Breno Bidon em um momento em que a bola não estava em disputa direta entre ambos, agravando a interpretação da arbitragem. Com o cartão vermelho direto, o atleta deverá enfrentar um julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), podendo receber uma suspensão estendida conforme o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
A postura de Rafael Klein em explicar a situação aos capitães antes de sinalizar a expulsão foi elogiada internamente pela comissão de arbitragem como uma medida de gestão de conflitos. Ao utilizar o diálogo antes da sinalização visual, o árbitro buscou reduzir a tensão em um clássico de alta voltagem. A análise final concluiu que a infração foi grave o suficiente para justificar a medida extrema, independentemente do tempo decorrido entre o fato e a aplicação da punição.
Regras internacionais autorizam revisão tardia em agressões
As páginas 154 e 159 do Livro de Regras 2025/26 são explícitas quanto à autoridade do árbitro em casos de erros de identificação ou violência. Mesmo que o jogo tenha sido reiniciado, o árbitro mantém a prerrogativa de punir atos que firam a ética esportiva ou a integridade física dos participantes. Esta regra é uma das poucas exceções que permitem a alteração de decisões de campo após o reinício, protegendo o esporte contra atos de agressão deliberada.
A CBF reiterou que a prioridade é a aplicação correta das regras, mesmo que o processo leve mais tempo do que o habitual para ser concluído. A complexidade do lance e a necessidade de múltiplas câmeras justificaram o atraso na recomendação final do VAR. Com a divulgação dos áudios e das notas técnicas, a entidade espera encerrar o debate sobre a regularidade da expulsão e focar na qualidade técnica da arbitragem brasileira em torneios de elite.
Detalhes do diálogo entre o árbitro e os capitães de equipe
No áudio captado pelos microfones da transmissão e da arbitragem, é possível ouvir Rafael Klein sendo didático ao abordar Arrascaeta e Gustavo Henrique. Ele esclareceu que a equipe de vídeo encontrou evidências claras apenas durante o intervalo e que sua ida ao monitor era obrigatória diante da gravidade do que foi descoberto. O juiz fez questão de pontuar que o regulamento o obrigava a agir naquele momento para manter a justiça da partida.
Os capitães, embora surpresos com o anúncio antes do reinício do segundo tempo, acataram a explicação técnica do árbitro. Carrascal, que já estava posicionado para começar a etapa final, teve que deixar o gramado sob protestos da torcida rubro-negra. A transparência na comunicação de campo foi fundamental para que o jogo não descambasse para um cenário de hostilidade generalizada entre os jogadores.
Estabilidade do sistema de vídeo em grandes eventos esportivos
A falha de energia relatada pela CBF levanta discussões sobre a infraestrutura dos estádios que recebem decisões nacionais. Embora o sistema de no-break tenha funcionado inicialmente, a interrupção prolongada da luz em setores críticos mostra a vulnerabilidade da tecnologia em situações extremas. A entidade planeja revisar os protocolos de suporte elétrico para garantir que a cabine do VAR tenha autonomia total durante os 90 minutos de jogo.
Mesmo com a instabilidade técnica na metade do segundo tempo, a arbitragem de campo conseguiu conduzir o duelo sem novos incidentes graves. A experiência dos assistentes e do árbitro principal foi testada no período em que não podiam contar com as revisões de tela. A CBF informou que enviará um relatório detalhado à administração do estádio cobrando explicações sobre a queda de energia que afetou a transmissão e os sistemas de apoio.
Repercussão entre os clubes após a divulgação das imagens
O Flamengo, por meio de seus representantes, demonstrou preocupação com a demora na decisão, mas reconheceu a aplicação do protocolo após a visualização das imagens definitivas. Por outro lado, o Corinthians manteve a postura de que a agressão foi clara e que a justiça foi feita, independentemente da falha elétrica que ocorreu posteriormente. A divulgação oficial dos dados pela CBF serve para equalizar o conhecimento entre as partes e evitar teorias sobre favorecimentos.
A Supercopa Rei continua sendo um laboratório para a implementação de novas tecnologias e interpretações de arbitragem no Brasil. Este episódio de Carrascal e Breno Bidon será utilizado em treinamentos futuros para árbitros de vídeo em todo o país. O objetivo é reduzir o tempo de resposta entre a ocorrência do fato e a decisão final, evitando que situações similares precisem ser resolvidas apenas após o intervalo das partidas.
Interpretação da regra 5 sobre revisões após o reinício
A Regra 5 do futebol moderno é clara ao permitir revisões disciplinares em casos de morder, cuspir ou conduta violenta. Essa permissividade existe para desencorajar o comportamento antidesportivo que muitas vezes ocorre longe dos olhos do árbitro principal. No caso de Flamengo e Corinthians, a aplicação foi cirúrgica, seguindo a letra fria da lei para garantir que uma agressão física não passasse despercebida pela tecnologia de vídeo.
As autoridades do futebol brasileiro reforçam que a busca pela verdade no campo de jogo prevalece sobre a rapidez do processo. A utilização do VAR no retorno do intervalo, embora rara, é uma ferramenta legítima de correção. Com isso, a CBF sinaliza ao mercado esportivo que a integridade da competição está acima de questões puramente cronológicas ou de conveniência durante a realização do evento esportivo.
Análise final sobre o desempenho da arbitragem de vídeo
A equipe que operou o VAR na Supercopa Rei enfrentou um cenário de alta pressão com a falta de imagens conclusivas no primeiro momento e a subsequente pane elétrica. A recuperação da imagem do soco de Carrascal foi considerada um acerto técnico importante que evitou um erro grave de omissão. A coordenação entre a cabine e o campo demonstrou maturidade, especialmente na gestão da comunicação com os atletas envolvidos.
O encerramento do caso com a divulgação dos documentos normativos encerra o ciclo de dúvidas sobre o lance. A arbitragem brasileira segue as tendências internacionais de maximizar o uso da tecnologia para proteger os jogadores e punir a violência. O episódio serve de alerta para os clubes sobre o rigor na análise de lances fora da disputa de bola, onde as câmeras agora conseguem captar detalhes que antes escapavam da visão humana.