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Protocolo do VAR permite expulsão de Carrascal no intervalo e CBF divulga áudios do lance na Supercopa

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Flamengo - X.com/ Flamengo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) trouxe a público os áudios e a análise técnica que fundamentaram a expulsão do jogador Jorge Carrascal, do Flamengo, durante a final da Supercopa Rei contra o Corinthians. O lance decisivo, um soco desferido contra Breno Bidon, ocorreu nos momentos finais do primeiro tempo, mas a sanção com o cartão vermelho só foi efetivada no retorno das equipes para a segunda etapa, gerando questionamentos imediatos.

A decisão da arbitragem, comandada por Rafael Klein, seguiu estritamente o protocolo internacional da FIFA para situações de conduta violenta. A entidade esclareceu que novas imagens, obtidas e analisadas durante o intervalo da partida, foram cruciais para a identificação inequívoca da agressão. Este procedimento, embora incomum, é previsto nas regras para garantir que atos graves não passem impunes por limitações técnicas momentâneas.

Antes do reinício do jogo, o árbitro reuniu os capitães Arrascaeta, do Flamengo, e Gustavo Henrique, do Corinthians, para comunicar a decisão e explicar o processo de revisão. A medida visou manter a transparência e o controle da partida, evitando que a aplicação tardia do cartão vermelho gerasse um conflito generalizado entre os atletas em campo.

O procedimento da arbitragem e a revisão no intervalo

Durante os acréscimos do primeiro tempo, a equipe do VAR realizou uma checagem inicial da confusão envolvendo Carrascal e Bidon, mas as câmeras disponíveis naquele instante não forneceram um ângulo conclusivo da agressão. Por essa razão, o árbitro Rafael Klein foi orientado a encerrar a primeira etapa normalmente, sem uma revisão imediata no monitor, pois não havia evidências suficientes para justificar a paralisação e a análise em campo.

No entanto, o trabalho da equipe de vídeo continuou durante o período de descanso dos jogadores. Com acesso a novos ângulos e processamento de imagens adicionais, os operadores conseguiram isolar o momento exato em que Carrascal atinge o rosto do adversário com um soco, em um lance sem disputa de bola. A clareza da nova imagem transformou a suspeita em uma infração clara de conduta violenta, tornando a expulsão uma medida obrigatória segundo as diretrizes da arbitragem.

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Legalidade da decisão e o protocolo da FIFA

A nota oficial divulgada pela CBF enfatizou que a expulsão de Carrascal encontra amparo total no Livro de Regras do futebol para a temporada vigente. O protocolo do VAR permite, em caráter excepcional, a revisão de lances de agressão física, como socos, cusparadas ou mordidas, mesmo após o reinício do jogo.

Essa exceção à regra geral, que impede a revisão de lances após a bola voltar a rolar, foi criada para coibir atos de violência extrema que possam escapar da percepção da equipe de campo em tempo real. A CBF reforçou que a prioridade é a justiça desportiva e a integridade física dos atletas.

Portanto, a ação de chamar o árbitro ao monitor no túnel, antes do início do segundo tempo, foi a aplicação correta do procedimento. A medida garantiu que uma infração grave não ficasse sem a devida punição, reforçando a autoridade da arbitragem e a seriedade da competição.

Incidente elétrico afetou operação do VAR no segundo tempo

Além da polêmica envolvendo a expulsão, a partida foi marcada por um problema de infraestrutura que impactou diretamente a tecnologia de arbitragem. Uma queda de energia elétrica atingiu parte do estádio, incluindo a sala de operação de vídeo (VOR), trazendo um novo desafio para a equipe de Rafael Klein. Imediatamente após o corte de energia, o sistema de no-break foi acionado, garantindo o funcionamento do VAR por aproximadamente 15 minutos. Contudo, como o restabelecimento da rede elétrica demorou mais que o previsto, a tecnologia ficou completamente indisponível por um período de 19 minutos, entre os 15 e os 34 minutos da etapa complementar. Seguindo as diretrizes para falhas técnicas, a equipe de arbitragem informou prontamente os treinadores Tite e Ramón Díaz sobre a ausência temporária do recurso, assegurando que a partida prosseguiria sob a responsabilidade exclusiva dos árbitros em campo. A CBF informou que um relatório sobre a falha elétrica será encaminhado à administração do estádio para apurar as causas e exigir melhorias na infraestrutura de suporte a eventos de grande porte.

Agressão, punição e o diálogo em campo

O ato de Jorge Carrascal foi classificado pela arbitragem como conduta violenta por ter ocorrido de forma deliberada e fora da disputa pela bola. A agressão física direta contra Breno Bidon é uma das infrações mais graves previstas nas regras do futebol.

Com o cartão vermelho direto, o jogador do Flamengo se torna réu em um processo que será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A expectativa é que ele enfrente uma suspensão severa, conforme estipulado pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva para casos de agressão.

A condução do árbitro Rafael Klein ao explicar a situação aos capitães antes de oficializar a expulsão foi vista como um ponto positivo. Essa abordagem didática e transparente foi fundamental para gerenciar a tensão e garantir que a partida fosse reiniciada sem maiores tumultos.

No momento do anúncio, Carrascal já estava em campo para o início do segundo tempo e precisou ser retirado, o que gerou reações da torcida. A comunicação prévia do árbitro, no entanto, evitou um confronto direto entre os jogadores das duas equipes.

Reações dos clubes e a transparência da CBF

Após a partida, a diretoria do Flamengo expressou descontentamento com o tempo que a arbitragem levou para tomar a decisão, mas, após a análise das imagens divulgadas, reconheceu a correção da aplicação do protocolo. O clube questionou a cronologia, mas não a validade da expulsão em si.

O Corinthians, por sua vez, se manifestou afirmando que a justiça foi feita, independentemente dos problemas técnicos ou do momento em que a punição foi aplicada. Para o clube paulista, a agressão era clara e a expulsão era a única medida cabível para o lance.

Precedente para futuras arbitragens

O episódio ocorrido na Supercopa Rei servirá como material de estudo e treinamento para árbitros de vídeo em todo o Brasil. A CBF utilizará o caso para debater e aprimorar os protocolos de checagem, buscando otimizar o tempo de resposta em lances capitais para que as decisões sejam tomadas de forma mais ágil, preferencialmente ainda dentro do tempo regulamentar.

Detalhes do áudio divulgado pela confederação

Os áudios liberados pela CBF revelam a comunicação intensa entre a cabine do VAR e o árbitro de campo. Nas gravações, é possível ouvir a equipe de vídeo confirmando a descoberta da agressão durante o intervalo, descrevendo o soco como um lance “claro e inequívoco” que exigia a revisão do árbitro principal para a aplicação do cartão vermelho.

A conversa demonstra a convicção da equipe técnica após a análise dos novos ângulos, orientando Rafael Klein sobre como proceder na comunicação com os capitães. A divulgação desse material reforça a transparência do processo e valida a decisão tomada, que, embora tardia, foi tecnicamente correta e necessária para a manutenção da disciplina no jogo.

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