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Acordo comercial entre Canadá e Pequim reduz tarifas e abre mercado para veículos elétricos da BYD

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BYD - Foto: Alfribeiro/istock

Uma nova aliança comercial firmada entre os governos do Canadá e da China promete reconfigurar o mercado de veículos elétricos na América do Norte. Anunciado em 16 de janeiro de 2026, o pacto estabelece uma drástica redução nas tarifas de importação para carros elétricos de fabricação chinesa, abrindo caminho para a entrada massiva de montadoras como a BYD no país.

A medida substitui a alíquota anterior de 100%, que estava alinhada com as políticas protecionistas dos Estados Unidos, por uma taxa de apenas 6,1%. A mudança visa não apenas diversificar a oferta de veículos sustentáveis para os consumidores canadenses, mas também atrair investimentos diretos da China para o desenvolvimento de joint-ventures no setor automotivo local nos próximos anos.

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BYD – rafaelnlins/ Shutterstock.com

Com o acordo, os consumidores terão acesso a uma gama de veículos elétricos com preços mais competitivos, muitos dos quais posicionados abaixo da marca de 35 mil dólares americanos. A iniciativa é vista como um passo fundamental para acelerar a transição energética da frota canadense, tornando a mobilidade elétrica mais acessível para uma parcela maior da população.

As especificações do pacto comercial

O tratado estabelece uma cota anual fixa para a importação de veículos elétricos chineses, limitada a 49 mil unidades. Este volume, segundo autoridades canadenses, representa menos de 3% do mercado total de veículos novos do país e é compatível com os níveis de importação registrados entre 2023 e 2024, antes da imposição de barreiras mais severas. O acordo prevê a possibilidade de uma ampliação gradual dessa cota, podendo alcançar até 70 mil unidades em fases posteriores, dependendo das condições de mercado e do avanço das negociações bilaterais.

Além da questão tarifária, o pacto inclui cláusulas importantes para a cooperação estratégica entre os dois países na cadeia de suprimentos. Há um compromisso mútuo para fortalecer a colaboração no fornecimento de baterias e componentes essenciais para a fabricação de veículos elétricos. Essa sinergia busca garantir a estabilidade do fornecimento e fomentar o desenvolvimento de tecnologias de ponta em solo canadense, posicionando o país como um polo relevante na produção de componentes para a mobilidade do futuro.

Benefícios diretos para o consumidor canadense

A principal consequência do acordo para a população será a ampliação significativa do leque de opções de veículos elétricos a preços mais baixos. Modelos da BYD, como o Seagull, Dolphin e Yuan Plus, que já conquistaram popularidade em mercados internacionais por sua eficiência e custo-benefício, passarão a ser comercializados em concessionárias locais. Esses veículos são conhecidos por oferecerem uma combinação de tecnologia avançada, como as baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), com custos operacionais reduzidos e autonomia elevada, frequentemente superando os 400 quilômetros em condições reais de uso. A chegada de modelos com valor abaixo de US$ 35 mil é um fator decisivo para acelerar a adoção em massa, especialmente quando combinada com os programas de incentivos federais e provinciais que permanecem em vigor para a compra de veículos qualificados. A expectativa é que a maior concorrência pressione todo o mercado, forçando outras montadoras a ajustarem seus preços e a melhorarem seus pacotes de equipamentos de série, incluindo tecnologias de carregamento rápido e sistemas avançados de segurança.

Planos de expansão da BYD no Canadá

A BYD se posiciona como a principal beneficiária imediata do novo tratado comercial.

A gigante chinesa, que lidera as vendas globais de veículos elétricos, enxerga o mercado canadense como uma porta de entrada estratégica para a América do Norte.

Executivos da montadora já confirmaram o interesse em estabelecer rapidamente uma robusta rede de distribuição e serviços no país, com anúncios de parcerias com grupos de concessionárias locais esperados para os próximos meses.

O plano de entrada da empresa inclui a adaptação de seus modelos para atender às rigorosas normas de segurança e emissões do Canadá, um processo de certificação que, segundo fontes, já está em estágio avançado.

Preocupações da indústria e dos sindicatos locais

Apesar dos benefícios para os consumidores, o acordo gerou apreensão entre os sindicatos do setor automotivo canadense.

Representantes da Unifor, uma das maiores entidades sindicais do país, manifestaram preocupação com a potencial perda de empregos na indústria nacional, argumentando que os subsídios concedidos pelo governo chinês às suas empresas criam um cenário de concorrência desleal.

A entidade alerta que a entrada de um grande volume de veículos elétricos de baixo custo pode exercer uma pressão insustentável sobre as montadoras tradicionais que possuem fábricas instaladas no Canadá, comprometendo a viabilidade de suas operações a longo prazo.

O novo posicionamento geopolítico do Canadá

A decisão de Ottawa de reduzir as barreiras comerciais para os veículos elétricos chineses marca um distanciamento significativo da política adotada pelos Estados Unidos, que mantém uma tarifa de 100% sobre os mesmos produtos. Essa escolha reflete uma estratégia canadense de diversificar seus parceiros comerciais e fornecedores de tecnologia, buscando um equilíbrio entre a proteção de sua indústria local e o acesso a inovações que possam acelerar suas metas ambientais.

As negociações com Pequim foram intensificadas nos últimos meses para resolver uma série de atritos comerciais acumulados. O acordo final é resultado de concessões mútuas, abrangendo também outros setores importantes para ambas as economias, como o agrícola e o de minerais críticos, essenciais para a transição energética global.

Repercussão internacional e a resposta dos EUA

A abertura do mercado canadense aos veículos chineses está sendo monitorada de perto por autoridades americanas, que expressaram preocupação com os possíveis efeitos indiretos no mercado integrado da América do Norte. Analistas apontam para o risco de um “transbordo”, onde veículos importados pelo Canadá poderiam, de alguma forma, encontrar caminho para o mercado dos EUA, contornando as tarifas americanas. Essa divergência de políticas comerciais entre os dois vizinhos serve como um teste para diferentes abordagens ocidentais em relação ao engajamento econômico com a China.

O futuro do mercado de veículos elétricos

O setor de veículos elétricos no Canadá já vinha registrando um crescimento anual superior a 30%, e a entrada de novos competidores de peso como a BYD deve intensificar ainda mais essa tendência. A maior concorrência forçará as montadoras já estabelecidas a acelerar o lançamento de seus próprios modelos acessíveis e a fortalecer parcerias com fornecedores asiáticos para reduzir custos de produção.

Para o governo federal, a diversificação das fontes de importação é uma ferramenta crucial para atingir as ambiciosas metas de eletrificação completa da frota de veículos novos até 2035. Com mais opções e preços mais competitivos, a transição para uma mobilidade mais sustentável ganha um impulso decisivo em todo o território canadense.

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