O novo título de aventura e sobrevivência, Cairn, desenvolvido pelo estúdio The Game Bakers, foi lançado para o PlayStation 5 e já conquista a crítica especializada. O jogo se destaca por uma abordagem inovadora que combina uma simulação de escalada com elementos de gerenciamento de recursos, oferecendo uma experiência imersiva e desafiadora.
A trama centraliza-se na jornada da alpinista Aava, que se propõe a ser a primeira pessoa a conquistar o cume do Monte Kami. A montanha fictícia é conhecida por sua periculosidade e por ter sido o local onde centenas de outros escaladores desapareceram ao longo dos anos, criando uma atmosfera de tensão e respeito pela natureza.
Diferente de outros jogos do gênero, Cairn exige que o jogador controle manualmente cada movimento dos membros da protagonista. Essa mecânica, baseada em física procedural, elimina animações pré-definidas e proporciona um controle direto e tátil sobre cada agarre, tornando cada avanço uma conquista calculada.
Uma mecânica de escalada inovadora e física procedural
O sistema de jogabilidade de Cairn é o seu principal diferencial, abandonando convenções para entregar um realismo sem precedentes. O jogador utiliza os controles para direcionar individualmente os braços e pernas de Aava, buscando fendas e saliências na rocha para progredir. Não há um caminho pré-definido ou pontos de agarre iluminados; a montanha inteira é uma superfície potencialmente escalável, e a viabilidade de cada rota depende da análise do jogador. A física procedural significa que cada movimento é calculado em tempo real, resultando em uma interação orgânica com o ambiente. Um fator crucial é a fadiga: quando um membro fica sob tensão por muito tempo, ele começa a tremer, um indicativo visual e tátil de que Aava está perdendo a força. Essa mecânica força o jogador a planejar seus movimentos com antecedência, buscando pontos de descanso e reposicionamento constante para evitar uma queda que pode ser fatal, criando um ciclo de tensão e alívio que define a experiência.
Sobrevivência e gerenciamento de recursos
Além do desafio físico da escalada, Aava precisa gerenciar constantemente seus sinais vitais para sobreviver às condições extremas do Monte Kami. Indicadores de fome, sede, temperatura corporal e saúde geral exigem atenção contínua, adicionando uma camada estratégica à jornada.
A coleta de suprimentos durante a exploração é fundamental. Água de fontes naturais, plantas comestíveis e materiais deixados por outros alpinistas devem ser encontrados em rotas alternativas, incentivando o jogador a se desviar do caminho mais óbvio para garantir sua subsistência.
Nos acampamentos, esses recursos podem ser transformados em itens mais eficazes. Cozinhar refeições nutritivas oferece benefícios mais duradouros do que consumir ingredientes crus, e reparar equipamentos, como os pitons, é vital para a segurança em trechos mais longos e perigosos da montanha.
A liberdade de exploração no Monte Kami
Um dos pilares do design de Cairn é a liberdade total de progressão. O Monte Kami é apresentado como um ambiente aberto, sem rotas pré-estabelecidas ou marcadores de objetivo, permitindo que cada jogador trace seu próprio caminho até o cume.
Essa liberdade é acompanhada de ferramentas estratégicas, como os pitons. Esses pinos de segurança podem ser cravados na rocha para criar pontos de salvamento temporários, evitando a perda total de progresso em caso de queda. Como são recursos limitados, sua utilização exige planejamento cuidadoso.
A exploração de áreas laterais e caminhos menos evidentes é frequentemente recompensada. O jogador pode descobrir cavernas escondidas que abrigam equipamentos melhores, itens raros que facilitam a jornada ou anotações que aprofundam a história misteriosa da montanha.
O ambiente é dinâmico, com um sistema de clima que influencia diretamente a jogabilidade. Uma chuva repentina pode tornar as rochas escorregadias e perigosas, enquanto uma nevasca pode reduzir a visibilidade, forçando o jogador a buscar abrigo ou adaptar sua estratégia de escalada.
Narrativa minimalista e a sensação de isolamento
A história de Cairn é contada de forma sutil e discreta, reforçando o tema central de solidão e superação pessoal. Em vez de longas cenas de diálogo, a narrativa se desenvolve principalmente através de mensagens de texto e comunicações de rádio que Aava recebe de personagens distantes, que oferecem apoio e contexto sobre os perigos da montanha. A protagonista, por sua vez, é reservada, e suas motivações são reveladas aos poucos, permitindo que o jogador projete suas próprias emoções na jornada. Essa abordagem mantém o foco na experiência da escalada, fazendo com que a história complemente a jogabilidade em vez de interrompê-la.
A imersão é amplificada pelo design de som e pela interface minimalista. O jogo evita uma trilha sonora constante, priorizando os sons ambientes da natureza: o uivo do vento, o som de pedras soltas caindo e a respiração ofegante de Aava. A ausência de muitos elementos visuais na tela, como mapas ou indicadores excessivos, concentra a atenção do jogador no ambiente e nos movimentos da personagem, intensificando a sensação de isolamento e a conexão direta entre o jogador e o desafio apresentado pela montanha.
O papel estratégico dos acampamentos
Os acampamentos, conhecidos como bivouacs, funcionam como refúgios seguros e centros estratégicos ao longo da escalada. Nesses locais, os jogadores podem realizar uma série de ações essenciais para a sobrevivência e para o planejamento da próxima etapa da subida.
É possível dormir para recuperar completamente a saúde e a energia, cozinhar alimentos para maximizar seu valor nutritivo e aguardar a passagem do tempo para que condições climáticas adversas, como tempestades, melhorem. Essas funções são cruciais para o gerenciamento de longo prazo da expedição.
Desempenho técnico no PlayStation 5
No PlayStation 5, Cairn apresenta um desempenho técnico sólido, embora com algumas variações. O jogo possui uma taxa de quadros desbloqueada, que se mantém elevada em áreas mais contidas, mas pode oscilar próximo dos 30 quadros por segundo em ambientes externos mais amplos e complexos.
Contudo, o ritmo deliberadamente lento e metódico da jogabilidade faz com que essas flutuações de desempenho tenham um impacto mínimo na experiência geral. A precisão dos movimentos não é comprometida, e o foco na estratégia e observação prevalece sobre reflexos rápidos.
Recepção da crítica especializada
A recepção crítica de Cairn tem sido extremamente positiva, com o jogo acumulando notas elevadas em diversos agregadores de análises. Os especialistas elogiam a originalidade de sua mecânica de escalada, a forma como a sobrevivência se integra naturalmente à jogabilidade e a atmosfera imersiva que captura a grandiosidade e o perigo do alpinismo.

