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Windows 11 ganha versões dedicadas para processadores ARM e x86 visando maior performance

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windows 11 - sdx15/Shutterstock.com

A Microsoft iniciou uma reestruturação estratégica no desenvolvimento do Windows 11, passando a oferecer compilações do sistema operacional separadas para as arquiteturas de processadores x86 e ARM. A medida visa otimizar o desempenho, a eficiência energética e a estabilidade em cada plataforma, removendo códigos desnecessários e focando em otimizações específicas para cada tipo de hardware. Essa abordagem representa um passo fundamental para consolidar a presença do Windows em dispositivos baseados em ARM, como os novos Copilot+ PCs.

A iniciativa reflete uma mudança significativa na forma como a empresa gerencia as atualizações e o desenvolvimento do seu principal sistema operacional. Ao criar duas linhas de compilação distintas, a Microsoft consegue acelerar a implementação de novos recursos e correções de segurança, direcionando-os de maneira mais eficaz. Para os usuários, a principal vantagem será uma experiência mais fluida e responsiva, com atualizações menores e um sistema mais enxuto, adaptado às capacidades de seu processador.

Essa separação é o culminar de anos de desenvolvimento e investimentos no ecossistema ARM. A empresa busca não apenas melhorar a compatibilidade de aplicativos legados por meio de emulação, mas também incentivar a criação de software nativo para a arquitetura, que promete maior autonomia de bateria e desempenho competitivo em um mercado cada vez mais focado em mobilidade e eficiência.

O que muda com a separação das compilações

A principal alteração técnica com a divisão das builds do Windows 11 está na base de código de cada versão. A compilação para a arquitetura x86, que abrange processadores da Intel e AMD, continuará focada na máxima compatibilidade com o vasto ecossistema de hardware e software existente. Por outro lado, a versão para ARM será despojada de componentes e drivers legados que não são aplicáveis a essa plataforma, resultando em uma instalação mais leve e um consumo de recursos reduzido. Essa limpeza de código não apenas diminui o tamanho das atualizações, mas também minimiza potenciais conflitos de software e vulnerabilidades de segurança. A otimização permite que dispositivos ARM, como laptops equipados com chips Snapdragon, aproveitem melhor suas capacidades de hardware, especialmente em relação à gestão de energia, resultando em uma maior duração da bateria sem sacrificar a performance em tarefas cotidianas e profissionais. A estratégia também facilita o trabalho dos desenvolvedores, que agora podem compilar e testar seus aplicativos em um ambiente mais controlado e previsível para cada arquitetura.

A evolução do emulador Prism

Um dos pilares que sustentam a viabilidade do Windows em dispositivos ARM é o emulador Prism. Essa tecnologia é responsável por traduzir em tempo real as instruções de aplicativos desenvolvidos para a arquitetura x86 e x64, permitindo que eles funcionem em processadores Arm64. Recentemente, o Prism recebeu atualizações cruciais que expandiram significativamente sua capacidade, adicionando suporte para conjuntos de instruções avançadas como AVX e AVX2. Essa melhoria é fundamental, pois permite a execução de softwares mais exigentes, incluindo aplicativos de edição de vídeo, modelagem 3D e até mesmo uma gama maior de jogos que antes eram incompatíveis com a plataforma.

O aprimoramento do emulador reduz o chamado “overhead”, ou seja, a perda de desempenho inerente ao processo de tradução de código, tornando a experiência de uso de aplicativos emulados muito mais próxima da de um software nativo. Embora a Microsoft continue a incentivar os desenvolvedores a criarem versões nativas de seus programas para Arm64, que oferecem a melhor performance possível, os avanços no Prism garantem que os usuários não fiquem limitados pela disponibilidade de software, garantindo uma transição suave e um ecossistema de aplicativos robusto desde o primeiro dia de uso de um dispositivo ARM.

Benefícios diretos para dispositivos ARM

Os maiores beneficiados com a separação das builds são, sem dúvida, os dispositivos equipados com processadores ARM, como a nova linha de Copilot+ PCs que utilizam os chips Qualcomm Snapdragon X Elite e X Plus. Com um sistema operacional otimizado, esses equipamentos entregam um desempenho mais consistente e uma inicialização mais rápida.

A remoção de código legado da versão ARM do Windows 11 libera recursos do sistema, permitindo que os aplicativos rodem de forma mais eficiente. Isso se traduz em uma experiência multitarefa mais fluida, mesmo com vários programas abertos simultaneamente.

A autonomia da bateria, um dos principais atrativos da arquitetura ARM, é amplificada. O sistema operacional consome menos energia, permitindo que os usuários trabalhem ou se divirtam por mais tempo longe da tomada, um diferencial competitivo importante para o mercado de notebooks.

Fabricantes como Lenovo, Dell, HP e Samsung, que já lançaram produtos com essa tecnologia, podem agora garantir uma maior estabilidade e compatibilidade de hardware, uma vez que as atualizações de drivers e do sistema são desenvolvidas especificamente para essa arquitetura, acelerando a adoção da plataforma no mercado consumidor e corporativo.

Um histórico da jornada do Windows na arquitetura ARM

A aposta da Microsoft na arquitetura ARM não é recente, mas a abordagem atual é resultado de um longo processo de aprendizado. A primeira grande tentativa foi com o Windows RT, lançado em 2012 junto com o tablet Surface RT. No entanto, o sistema enfrentou forte resistência por sua incapacidade de rodar aplicativos x86 tradicionais, limitando os usuários apenas aos apps disponíveis na Windows Store da época.

Anos depois, com o Windows 10, a empresa reintroduziu o suporte a ARM, desta vez com uma camada de emulação para programas x86 de 32 bits. Dispositivos como o Surface Pro X foram pioneiros nessa fase, mas ainda sofriam com limitações de desempenho e compatibilidade com certos softwares, especialmente os de 64 bits.

A chegada do Windows 11 marcou um ponto de virada, trazendo emulação para aplicativos x64 e melhorias significativas de performance. A introdução do emulador Prism e a forte parceria com a Qualcomm para o desenvolvimento de chips como a série Snapdragon X consolidaram a plataforma, tornando-a uma alternativa finalmente viável e competitiva aos processadores x86 tradicionais no mercado de PCs.

Como obter as novas versões

A Microsoft simplificou o acesso às compilações específicas para cada arquitetura. Para usuários que desejam realizar uma instalação limpa do sistema, a empresa disponibiliza imagens de disco (arquivos ISO) separadas para Arm64 e x86 em seu site oficial. Isso garante que o hardware receba desde o início a versão mais otimizada do Windows 11.

Para quem já possui um dispositivo com o sistema operacional instalado, o processo de atualização ocorre de forma transparente. O serviço Windows Update identifica automaticamente a arquitetura do processador e entrega os pacotes de atualização corretos. Essa segmentação garante que um PC com processador Intel não receba arquivos desnecessários destinados a um laptop com Snapdragon, e vice-versa, tornando as atualizações mais rápidas e seguras.

Foco no futuro do ecossistema

A decisão de separar as builds do Windows 11 é uma declaração clara sobre o futuro do sistema operacional: um ecossistema mais diversificado e flexível. Ao tratar ARM como uma plataforma de primeira classe, a Microsoft não apenas fortalece sua parceria com a Qualcomm, mas também abre portas para outros fabricantes de chips. Essa estratégia fomenta a competição e a inovação, resultando em dispositivos mais eficientes, potentes e com maior autonomia para os consumidores. A longo prazo, a medida visa consolidar o Windows como uma plataforma universal, capaz de rodar com excelência em qualquer tipo de processador.

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