O Google liberou uma atualização de software crucial para os proprietários da linha Pixel 10, que promete resolver uma das principais queixas desde o lançamento dos aparelhos. A nova versão Android 16 QPR3 Beta 1, agora em distribuição, traz um driver de GPU atualizado que eleva o desempenho gráfico em até 18% em jogos exigentes, conforme apontam os primeiros testes.
Essa melhoria é especialmente significativa para o modelo Pixel 10 Pro XL, equipado com o chip Tensor G5. Usuários vinham relatando quedas de quadros e instabilidade em títulos populares, uma questão que o Google busca corrigir com este pacote. A atualização está sendo liberada inicialmente para desenvolvedores e participantes do programa beta, com a versão estável prevista para chegar a todos os usuários nos próximos meses.

A atualização do driver da GPU Imagination PowerVR eleva a versão do software para 1.634.2906, substituindo a anterior que limitava o potencial do hardware. A mudança inclui suporte completo ao Vulkan 1.4, otimizações de eficiência energética e compatibilidade aprimorada com as novas APIs do Android 16, resultando em uma experiência de uso mais fluida e estável em tarefas graficamente intensivas.
Detalhes da nova atualização para o Tensor G5
A transição da tradicional GPU Mali para a PowerVR da Imagination Technologies no chip Tensor G5 gerou um debate sobre o desempenho do Pixel 10 desde seu lançamento. Benchmarks iniciais mostraram o aparelho atrás de seu antecessor, o Pixel 9 Pro XL, em cenários específicos de jogos e emulação que dependiam da API Vulkan. A promessa de correções feita pela empresa no final de 2025 começa a se materializar com a chegada do Android 16 QPR3 Beta 1.
O pacote de atualização, com aproximadamente 300MB, instala o driver v25.1, disponibilizado pela fabricante da GPU em agosto. Os primeiros relatos de usuários inscritos no programa beta indicam não apenas ganhos em jogos, mas também uma maior estabilidade em multitarefas que envolvem elementos gráficos, como a edição de vídeos e o uso de aplicativos de realidade aumentada. A instalação ocorre de forma automática para os dispositivos registrados no programa de testes do Android.
Aumento de performance em jogos nativos
Testes de desempenho realizados com a nova atualização demonstram ganhos práticos significativos. Em Genshin Impact, um dos jogos mais pesados para a plataforma, o Pixel 10 Pro XL rodando com configurações máximas atingiu uma média de quadros 17,9% superior à registrada com o driver antigo.
Outros títulos também apresentaram melhorias notáveis. Em Asphalt Legends, com gráficos configurados para 90fps, o ganho na taxa média de quadros foi de 8,6%, eliminando quedas bruscas que ocorriam em corridas com muitos elementos na tela.
Já no Call of Duty: Mobile, no modo Battle Royale, a elevação foi mais modesta, variando entre 2% e 3%. No entanto, os picos de desempenho se mostraram mais estáveis, mantendo-se próximos ao limite de 90fps com maior consistência.
Esses resultados foram obtidos em sessões de jogo de 10 minutos, utilizando ferramentas de medição de performance. Desenvolvedores de jogos que haviam criticado o suporte inicial ao hardware PowerVR agora têm um ambiente mais otimizado para trabalhar.
Resultados em emuladores com OpenGL
O cenário de emulação também se beneficiou diretamente da atualização, principalmente em aplicativos que utilizam a API gráfica OpenGL. No emulador Dolphin, o jogo Mario Kart Wii apresentou um aumento de 6,6% nos quadros médios, o que se traduz em corridas mais fluidas e sem interrupções.
No NetherSX2, que emula jogos de PlayStation 2, o título Need for Speed: Most Wanted obteve um ganho de 9,5% na média de quadros, com os piores momentos do teste registrando uma melhoria de 12%, reduzindo engasgos que comprometiam a jogabilidade.
O destaque ficou para F-Zero GX, que em condições ideais de teste alcançou uma melhoria de 27%, tornando a experiência de jogo viável pela primeira vez no chip Tensor G5 para muitos usuários.
Desafios da API Vulkan e eficiência energética
Apesar dos avanços significativos com a API OpenGL, o desempenho com Vulkan em emuladores continua a ser um ponto fraco para a GPU PowerVR do Pixel 10 Pro XL. Mesmo com o novo driver, os ganhos em jogos que utilizam essa API são mais contidos. Em F-Zero GX, por exemplo, o aumento foi de apenas 5,4%, enquanto Need for Speed: Most Wanted subiu 10,8%, mas ainda com uma taxa de quadros que torna a experiência irregular. Em comparação, o Pixel 9 Pro XL com sua GPU Mali permanece cerca de 30% à frente nesses cenários. No entanto, a atualização trouxe um benefício colateral importante: a eficiência. O chip Tensor G5, fabricado em 3nm, agora gerencia melhor o calor, evitando o superaquecimento e a consequente queda de desempenho em sessões longas. Testes indicam que o consumo de bateria durante 30 minutos de jogo em Genshin Impact foi reduzido entre 5% e 7%.
Como acessar o programa beta
Usuários interessados em testar as novidades podem inscrever seus dispositivos da linha Pixel 10 no Android Beta Program, através do site oficial do Google. Uma vez registrado, o aparelho receberá a atualização QPR3 Beta 1 via OTA (Over-the-Air) automaticamente.
É recomendado realizar um backup completo dos dados antes de instalar a versão de testes, pois, como toda versão beta, ela pode conter instabilidades e bugs que afetam o uso diário do dispositivo.
Especificações técnicas da GPU PowerVR
A GPU PowerVR DXT-48-1536, presente no Tensor G5, possui 1536 shaders e opera com clocks de até 1.2GHz, entregando uma performance teórica de 2.5 TFLOPS. O novo driver permite que a unidade gráfica sustente clocks mais elevados por mais tempo, elevando seu uso real para cerca de 85% sob cargas pesadas, o que explica os ganhos de performance observados.
Impacto em outros aplicativos gráficos
As melhorias não se limitam a jogos. Aplicativos de edição 3D e de realidade aumentada que dependem do Vulkan 1.4 também se beneficiam, com renderizações que podem ser até 15% mais rápidas. A nova funcionalidade Host Image Copy permite transferências de imagem mais eficientes entre a CPU e a GPU.
Adicionalmente, as otimizações nas extensões OpenCL ampliam o suporte para tarefas de machine learning executadas diretamente no dispositivo, acelerando funções de inteligência artificial em diversos aplicativos.