O telescópio espacial SPHEREx, operado pela Nasa, registrou imagens detalhadas em infravermelho do objeto interestelar 3I/ATLAS, revelando uma atividade química surpreendente meses após sua aproximação máxima com a estrela central. Os dados coletados em dezembro de 2025 mostram uma intensa liberação de poeira e gases, fenômeno que permitiu aos astrônomos identificar compostos essenciais para a formação de sistemas planetários. A análise confirmou a presença de uma coma brilhante e uma cauda distinta, formadas mesmo quando o corpo celeste já se afastava em direção ao espaço profundo.
A descoberta marca um avanço significativo no estudo de objetos que se originam fora do Sistema Solar, oferecendo uma oportunidade rara de analisar materiais preservados em ambientes galácticos distantes. As observações indicam que a radiação cósmica pode ter alterado a superfície do cometa ao longo de eras, resultando em um comportamento atípico de ativação tardia.
🚨 NASA has found ingredients for life on an interstellar comet.☄️🛸
⚠️SPHEREx observations reveal that interstellar comet 3I/ATLAS is releasing methanol, methane, cyanide & CO₂ — organic molecules essential to life as we know it.😳
🔭 Detected after the comet’s close solar… pic.twitter.com/mMLiTKwQkp
— 3I/ATLAS updates (@Defence12543) February 7, 2026
Composição química e estrutura
As análises espectrais realizadas pelos instrumentos do SPHEREx identificaram uma rica variedade de elementos na nuvem que envolve o núcleo do 3I/ATLAS. O mapeamento infravermelho destacou a presença de vapor d’água e dióxido de carbono, além de moléculas orgânicas complexas que raramente são observadas com tanta clareza em visitantes interestelares. A detecção inclui metano, metanol e cianeto, substâncias que os cientistas consideram ingredientes fundamentais na química pré-biótica.
A estrutura física do cometa sofreu alterações visíveis durante o período de observação, desenvolvendo uma cauda de poeira com formato peculiar, semelhante a uma pera. Esse rastro foi alimentado pela sublimação de gelos antigos que, ao serem expostos ao calor, ejetaram partículas rochosas para o espaço. A erupção de material volátil ocorreu a uma distância considerável do Sol, sugerindo que o objeto possui reservas internas robustas de gelo protegidas sob a crosta.
- O brilho do objeto intensificou-se drasticamente dois meses após o periélio.
- A coma gasosa estendeu-se por centenas de milhares de quilômetros no espaço.
- Cadeias de carbono foram detectadas nas emissões de infravermelho.
- A atividade tardia difere do padrão observado em cometas locais.
Trajetória e monitoramento espacial
O sistema ATLAS identificou o corpo celeste inicialmente em julho de 2025, e sua órbita hiperbólica confirmou rapidamente sua origem interestelar, tornando-o o terceiro visitante desse tipo catalogado pela ciência. O objeto atingiu seu periélio, o ponto mais próximo do Sol, em outubro de 2025, passando a 1,4 unidade astronômica da estrela. Diferente de outros corpos que se desintegram ou perdem atividade ao se afastarem, o 3I/ATLAS manteve uma dinâmica intensa durante sua rota de saída.
Diversos equipamentos de ponta, incluindo os telescópios Hubble e James Webb, auxiliaram no rastreamento da trajetória, que não apresentou riscos de colisão com a Terra ou outros planetas. A passagem mais próxima do nosso planeta ocorreu em dezembro de 2025, a uma distância segura de aproximadamente 170 milhões de quilômetros, momento em que as observações em infravermelho foram cruciais para o detalhamento químico.
Comparativo com visitantes anteriores
As características do 3I/ATLAS o distinguem significativamente de seus predecessores interestelares, como o 1I/’Oumuamua e o 2I/Borisov. Enquanto o ‘Oumuamua, detectado em 2017, apresentou um comportamento rochoso e inerte sem liberação visível de gases, o novo visitante exibe uma atividade volátil complexa. O 2I/Borisov, observado em 2019, mostrou características cometárias, mas com uma composição química menos diversificada do que a registrada agora.
Essa diversidade de comportamentos entre os três objetos fornece aos pesquisadores dados valiosos sobre a formação de corpos celestes em diferentes regiões da Via Láctea. A abundância de compostos orgânicos no 3I/ATLAS sugere que os blocos de construção planetária podem ser comuns em outros sistemas estelares, validando modelos teóricos sobre a distribuição de matéria no universo.
Tecnologia e perspectivas futuras
A capacidade do telescópio SPHEREx de operar em 102 faixas de infravermelho foi determinante para separar as emissões de poeira das assinaturas moleculares de gases. Essa precisão permitiu aos cientistas mapear a distribuição espacial de cada componente químico dentro da coma, algo impossível com instrumentos ópticos convencionais. O cometa deve permanecer visível para telescópios de médio porte até a primavera de 2026, permitindo estudos contínuos enquanto ele retorna ao meio interestelar.