A picape Ram Rampage, que estreou no mercado brasileiro em 2023, prepara-se para receber sua primeira grande atualização estética e funcional prevista para o ciclo de 2028. O projeto da Stellantis visa alinhar o modelo compacto às diretrizes visuais das picapes maiores da marca, especificamente a Ram 1500, consolidando sua identidade robusta. A renovação estratégica ocorre quatro anos após o lançamento original e busca manter a competitividade do veículo em um segmento cada vez mais disputado por montadoras rivais que também atualizam seus portfólios.
As mudanças planejadas não se restringem apenas a retoques cosméticos, mas envolvem alterações estruturais significativas na carroceria para acomodar novos recursos de utilidade. A engenharia da marca trabalha para integrar soluções que diferenciem o modelo de sua prima de plataforma, a Fiat Toro, elevando o patamar de sofisticação e funcionalidade. O objetivo é oferecer aos consumidores um produto que combine a versatilidade urbana com a capacidade de carga e o estilo agressivo característico da fabricante norte-americana.

Inovação funcional com o sistema RamBox
O principal destaque técnico previsto para a linha 2028 é a introdução do sistema RamBox, uma funcionalidade já consagrada nas picapes grandes da montadora. O recurso consiste em compartimentos de armazenamento integrados às laterais da caçamba, aproveitando o espaço sobre as caixas de roda que geralmente é inutilizado. Esses compartimentos são projetados para serem à prova de intempéries, iluminados e traváveis, oferecendo segurança para o transporte de objetos menores, ferramentas ou equipamentos esportivos.
A implementação do RamBox na Rampage exige ajustes complexos na estamparia das laterais traseiras, o que justifica o prazo estendido para a atualização. A funcionalidade adiciona versatilidade ao veículo, permitindo que o usuário armazene itens sem ocupar o volume principal da caçamba ou o interior da cabine. Além de servir como porta-objetos, o sistema possui drenos que permitem sua utilização como cooler para bebidas e alimentos, ampliando as possibilidades de uso em atividades de lazer e aventuras ao ar livre.

Essa adição reforça o caráter premium do modelo, distanciando-o das opções de entrada e justificando seu posicionamento de preço superior. A utilidade prática do RamBox é um argumento de vendas forte nos Estados Unidos e a marca aposta que a receptividade será igualmente positiva no mercado sul-americano. A modificação também altera visualmente a traseira do veículo, conferindo uma aparência mais larga e musculosa, condizente com a nova linguagem de design que será adotada.
Alinhamento visual e identidade robusta
O design frontal da nova Rampage passará por uma reformulação completa para espelhar as linhas da Ram 1500 atualizada. A grade dianteira ganhará dimensões mais generosas e um acabamento que enfatiza a robustez, enquanto o conjunto óptico será redesenhado para transmitir modernidade e sofisticação tecnológica. O para-choque dianteiro também receberá novas linhas, contribuindo para uma presença mais imponente nas ruas e estradas.
A intenção da equipe de design é criar uma percepção de maior porte para a picape intermediária, aproximando-a visualmente dos modelos full-size que são ícones da marca. As lanternas traseiras deverão seguir o mesmo caminho, com novos arranjos internos de LED e uma assinatura luminosa distinta. Essas alterações visuais são fundamentais para manter o apelo do produto diante de concorrentes que também investem pesado em design e tecnologia embarcada.
Estratégia de eletrificação e motorização
No campo da mecânica, a atualização de 2028 marcará a consolidação da estratégia de eletrificação da Stellantis para a região, com a introdução de sistemas híbridos. A plataforma Small Wide, que serve de base para a Rampage, está sendo adaptada para receber a tecnologia Bio-Hybrid, desenvolvida localmente para operar com etanol e eletricidade. O sistema visa melhorar a eficiência energética e reduzir as emissões de poluentes, sem comprometer a capacidade de carga ou o desempenho off-road.
A expectativa é que a picape utilize uma configuração que combine o motor a combustão com um pequeno motor elétrico, auxiliando no torque inicial e em situações de baixa velocidade. Essa tecnologia permitirá que a Rampage atenda às normas ambientais cada vez mais rigorosas, mantendo a tração 4×4 e a força necessária para o trabalho pesado. A hibridização é um passo crucial para a longevidade do modelo no mercado, garantindo sua relevância em um cenário de transição energética.
O desenvolvimento dessas tecnologias ocorre no polo automotivo de Goiana, em Pernambuco, onde a engenharia brasileira trabalha em conjunto com os centros globais da empresa. A aplicação do sistema Bio-Hybrid na Rampage servirá como vitrine para a capacidade tecnológica da marca na América do Sul. O modelo continuará a oferecer opções de motorização turbo, mas com ajustes para maior economia e desempenho refinado.
Competitividade e posicionamento de mercado
A Rampage ocupa uma posição estratégica no portfólio da Stellantis, atuando como uma ponte entre as picapes monobloco menores e as grandes caminhonetes com chassi de longarina. Sua atualização visa proteger esse território contra a investida de novos concorrentes e modelos tradicionais que buscam se reinventar. A marca monitora de perto os movimentos de rivais como Ford e Chevrolet, que também preparam novidades para o segmento de picapes médias e intermediárias nos próximos anos.
O sucesso comercial da Rampage desde o seu lançamento demonstra que há uma demanda reprimida por veículos que ofereçam o conforto de um SUV com a utilidade de uma caçamba. A atualização de meia-vida, com a inclusão do RamBox e da motorização híbrida, é a resposta da fabricante para manter os índices de vendas em alta. A estratégia de manter o modelo sempre atualizado com tecnologias de segmentos superiores é a chave para a fidelização dos clientes e a conquista de novos consumidores.