Andrea Kimi Antonelli surpreendeu o paddock da Fórmula 1 nesta sexta-feira (13) ao registrar a volta mais rápida do terceiro e último dia de testes de pré-temporada no circuito de Sakhir, no Bahrein. O jovem piloto italiano, que assumiu o comando do W17 da Mercedes no período da tarde, superou o companheiro de equipe George Russell com uma marca de 1min33s669, estabelecendo o melhor tempo de toda a semana de atividades no deserto. A performance reafirma o potencial do substituto de Lewis Hamilton, que viu sua última sessão de testes antes da estreia oficial pela Ferrari ser interrompida por problemas mecânicos nos minutos finais.
A sessão derradeira foi marcada por um domínio técnico da Mercedes, que conseguiu colocar seus dois pilotos nas primeiras posições da tabela de tempos. Russell, que havia liderado parte da manhã, terminou na segunda colocação com 1min33s918, ficando a apenas 0s249 do tempo estabelecido por Antonelli. O desempenho da equipe alemã sugere um salto de competitividade em relação ao ano anterior, embora o foco das equipes durante a pré-temporada varie entre simulações de classificação e ritmos de corrida com tanques cheios.
- Antonelli liderou a tabela com 1min33s669 em 56 voltas completadas.
- Russell garantiu a dobradinha da Mercedes com o segundo melhor tempo do dia.
- Hamilton enfrentou problemas mecânicos e causou a única bandeira vermelha da tarde.
- Oscar Piastri foi o piloto mais produtivo ao completar 164 voltas com a McLaren.
- Gabriel Bortoleto encerrou sua participação na 15ª posição com o carro da Audi.
O dia também foi importante para o brasileiro Gabriel Bortoleto, que realizou sua bateria de testes na primeira metade do dia a bordo do monoposto da Audi. O jovem talento nacional focou em coletar dados de telemetria e adaptação aos sistemas da nova equipe, fechando sua melhor passagem em 1min37s536 após 60 voltas percorridas. No período da tarde, ele cedeu o cockpit para o experiente Nico Hulkenberg, que conseguiu baixar o tempo da equipe alemã para 1min36s271, terminando a sexta-feira na décima posição geral.
Desempenho da Mercedes e os desafios de Hamilton
A Mercedes demonstrou uma consistência que chamou a atenção dos rivais durante todo o cronograma de atividades em Sakhir. Antonelli utilizou compostos mais macios em sua volta rápida, mas o equilíbrio do carro em trechos sinuosos indicou que a equipe encontrou soluções para os problemas de instabilidade traseira que afetaram o projeto anterior. O engenheiro de pista da equipe ressaltou que o foco estava na validação aerodinâmica, mas a velocidade pura do italiano trouxe um otimismo renovado para a garagem de Brackley.
Lewis Hamilton, agora vestindo as cores da Ferrari, teve um encerramento de testes agridoce no Bahrein. Apesar de ter registrado o terceiro melhor tempo do dia com 1min34s209, o heptacampeão mundial precisou encostar seu carro na área de escape nos instantes finais da sessão devido a uma falha eletrônica. O incidente provocou a única bandeira vermelha do período vespertino, impedindo que outros pilotos realizassem suas tentativas finais de simulação de classificação sob as luzes artificiais do circuito.
A Ferrari, no entanto, não pareceu alarmada com a interrupção sofrida por Hamilton, uma vez que o piloto inglês acumulou 148 voltas ao longo do dia. Esse volume de quilometragem é fundamental para que o veterano se sinta confortável com a ergonomia e os sistemas de entrega de potência da unidade de força italiana. A equipe de Maranello priorizou stints longos, avaliando a degradação dos pneus Pirelli em condições de pista que simulam o horário oficial do Grande Prêmio de abertura da temporada.
Maratona de Oscar Piastri e estabilidade da McLaren
Oscar Piastri foi o grande destaque no quesito durabilidade e resistência física durante o encerramento dos trabalhos no deserto. O piloto australiano da McLaren percorreu o equivalente a quase três Grandes Prêmios em um único dia, totalizando 164 voltas sem apresentar qualquer falha técnica relevante no carro. Sua melhor marca de 1min34s549 o colocou na quarta posição, evidenciando que a McLaren possui um conjunto confiável e pronto para brigar pelas primeiras filas no grid de largada.
A estratégia da equipe de Woking foi distinta da Mercedes, evitando buscar tempos de volta extremos nos momentos de temperatura mais baixa da pista. Piastri concentrou-se em testar diferentes configurações de suspensão e mapeamentos de motor para entender o comportamento do carro em diversas janelas de funcionamento. Os dados coletados pela McLaren são considerados os mais robustos do paddock, dada a consistência dos tempos de volta registrados pelo australiano durante suas sequências de 15 a 20 voltas seguidas.
Red Bull mantém discrição com Verstappen e Hadjar
A Red Bull Racing optou por um perfil mais conservador no último dia de testes, terminando com Max Verstappen na quinta colocação. O atual campeão mundial marcou 1min35s341, focando quase inteiramente em simulações de corrida com pneus de composto duro. A equipe austríaca parece esconder o jogo, já que Verstappen não buscou baixar seus tempos mesmo quando a pista oferecia melhores condições de aderência no final da tarde, preferindo monitorar o resfriamento dos freios e a eficiência do DRS.
Isack Hadjar, que também testou pela equipe principal da Red Bull, seguiu um programa similar ao de Verstappen e ficou logo atrás, na sexta posição. A equipe técnica liderada por Adrian Newey expressou satisfação com a correlação de dados entre o túnel de vento e a pista, indicando que as atualizações levadas para o Bahrein funcionaram como o esperado. A confiabilidade do motor Honda-RBPT também foi um ponto positivo, permitindo que a dupla completasse 120 voltas combinadas sem sustos mecânicos.
Estreia de Gabriel Bortoleto pela Audi no Bahrein
O brasileiro Gabriel Bortoleto concluiu sua primeira pré-temporada completa como piloto titular da Audi com um saldo considerado positivo pelos diretores da equipe. Embora tenha terminado o dia na 15ª posição, o foco do piloto foi a adaptação aos procedimentos de largada e o gerenciamento de energia do sistema híbrido. Bortoleto destacou que o entrosamento com os engenheiros avançou rapidamente, o que é crucial para uma equipe que ainda está ajustando seus processos internos na categoria máxima.
Nico Hulkenberg, companheiro de Bortoleto, trouxe uma perspectiva diferente ao assumir o carro na parte da tarde e testar componentes voltados para a eficiência aerodinâmica em alta velocidade. O veterano alemão conseguiu extrair um pouco mais de performance do chassi, mas reconheceu que a Audi ainda tem trabalho a fazer para alcançar o pelotão intermediário consolidado. A diferença de pouco mais de um segundo entre Hulkenberg e os líderes mostra que a disputa no meio do grid será extremamente acirrada desde a primeira corrida.
Evolução das equipes intermediárias e surpresas do dia
A Haas apresentou um desempenho sólido com Esteban Ocon, que garantiu o sétimo tempo do dia ao registrar 1min35s753. A equipe americana parece ter superado os problemas crônicos de superaquecimento de pneus que prejudicaram suas campanhas anteriores, mostrando um ritmo de corrida mais estável durante os testes. Oliver Bearman, o outro piloto da escuderia, também teve um dia produtivo e terminou em nono, reforçando que o carro da Haas possui uma base competitiva para buscar pontos regularmente.
Franco Colapinto, correndo pela Alpine, surpreendeu ao cravar o oitavo melhor tempo, superando carros teoricamente mais rápidos. O piloto argentino completou 146 voltas, demonstrando uma excelente forma física e ajudando a equipe francesa a entender melhor os problemas de peso que afetaram o carro no início dos testes. A Alpine busca recuperação após um ano de transição e os dados coletados por Colapinto sugerem que o novo conceito aerodinâmico está gerando a carga necessária para estabilizar o carro em curvas de alta velocidade.
Williams e Racing Bulls focam em confiabilidade
A Williams dividiu o dia entre Alexander Albon e Carlos Sainz, que terminaram em 11º e 13º, respectivamente. A equipe britânica priorizou testes de sistemas de refrigeração e novos componentes da caixa de câmbio, evitando voltas lançadas com pouco combustível. Albon completou 76 voltas e Sainz outras 68, garantindo que a equipe tenha informações suficientes para finalizar o acerto do carro para o fim de semana oficial de competição que se aproxima no mesmo circuito.
Liam Lawson, representando a Racing Bulls, foi o 12º mais rápido e focou em testes de durabilidade, alcançando a marca de 126 voltas percorridas. A equipe satélite da Red Bull mostrou um carro muito equilibrado mecanicamente, embora ainda falte um pouco de velocidade final em comparação com a McLaren e a Ferrari. Lawson trabalhou intensamente em simulações de pit stop e procedimentos de rádio, elementos fundamentais para minimizar erros operacionais durante as corridas reais da temporada.
Situação da Cadillac e dificuldades no fundo do grid
A Cadillac, estreante no grid, enfrentou um dia desafiador com Sergio Pérez e Valtteri Bottas ocupando as últimas posições de tempo relevante. Pérez ficou em 14º lugar, enfrentando dificuldades com o balanço de frenagem do carro, enquanto Bottas terminou em 17º após um vazamento hidráulico limitar seu tempo de pista para apenas 37 voltas. A equipe americana reconhece que a curva de aprendizado é íngreme, mas ressalta que o objetivo inicial é terminar as corridas e coletar o máximo de experiência possível.
Lance Stroll, com a Aston Martin, também teve uma sexta-feira discreta, terminando na 16ª colocação após 74 voltas de trabalho técnico focado em sensores aerodinâmicos. A equipe de Silverstone parece ter adotado uma abordagem de desenvolvimento gradual, sem pressa para exibir tempos competitivos na tabela de liderança. O encerramento dos testes no Bahrein deixa um cenário aberto para a abertura do campeonato, com a Mercedes mostrando força, a Ferrari rápida mas com alertas de confiabilidade e a Red Bull mantendo o mistério sobre seu verdadeiro potencial.

