A Terrestar Solutions anunciou oficialmente o lançamento de um serviço pioneiro de Internet das Coisas (IoT) híbrido, projetado para revolucionar a infraestrutura de telecomunicações no norte do Canadá. A iniciativa visa preencher lacunas críticas de cobertura em regiões vastas, oferecendo conectividade contínua para operações industriais essenciais, como mineração e silvicultura, que historicamente enfrentam desafios de comunicação devido ao isolamento geográfico e à falta de infraestrutura terrestre convencional.
Avanço tecnológico com padrões abertos e satélites
A implementação utiliza a tecnologia de Redes Não Terrestres (NTN) baseada nos padrões abertos do 3GPP, permitindo uma integração fluida entre sistemas terrestres e espaciais. Essa abordagem inovadora garante que dispositivos móveis e sensores industriais possam transitar automaticamente entre torres de celular e sinais de satélite sem interrupções perceptíveis para o usuário ou para os sistemas de monitoramento de dados em tempo real.

A colaboração estratégica com a Mavenir foi fundamental para o desenvolvimento desta arquitetura, que combina redes de acesso via rádio (RAN) com núcleos de nuvem nativa. O sistema suporta não apenas a troca de mensagens e dados críticos, mas também serviços de voz, criando um ecossistema robusto que independe da instalação de novas e custosas antenas físicas em terrenos de difícil acesso ou ambientalmente sensíveis.
Testes de campo comprovam eficiência operacional
Para validar a eficácia e a resiliência da solução, foram realizados testes extensivos em parceria com a empresa LUBEX na região de Abitibi-Témiscamingue. Durante um período de trinta e duas semanas, o sistema monitorou equipamentos industriais ininterruptamente, demonstrando capacidade de manter a transmissão de dados mesmo nas áreas mais remotas e desafiadoras da geografia canadense, onde o sinal convencional inexiste.
Os resultados obtidos nos testes apontam benefícios diretos e transformadores para diversos setores da economia. A tecnologia permite o rastreamento preciso de frotas e maquinário pesado em zonas de sombra, além de possibilitar a detecção precoce de incêndios florestais através de sensores conectados. Outra vantagem observada foi a segurança aprimorada para trabalhadores isolados, que passam a contar com linhas de comunicação estáveis para situações de emergência.
Expansão da infraestrutura e soberania digital
A infraestrutura baseia-se no satélite Echostar T1 e opera na banda S de 40 MHz, estabelecendo as bases técnicas para o futuro da conectividade direta para dispositivos (D2D). Segundo a liderança da empresa, este é um passo decisivo para garantir a soberania das telecomunicações no país, reduzindo a dependência de tecnologias proprietárias fechadas e democratizando o acesso a serviços digitais avançados em todo o território nacional.
Com a validação bem-sucedida, a expectativa é que a tecnologia seja escalada para cobrir outras regiões do país que sofrem com o déficit de conectividade. A solução não apenas atende às demandas comerciais imediatas das indústrias extrativistas, mas também promete integrar comunidades rurais e indígenas à rede global, promovendo inclusão digital e novas oportunidades de desenvolvimento econômico local.