A jogadora Marta Vieira da Silva completa 40 anos nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, celebrando uma trajetória que transformou o futebol feminino no mundo. A atleta iniciou sua jornada profissional aos 14 anos no Vasco da Gama e hoje lidera o Orlando Pride nos Estados Unidos. Ao longo de mais de duas décadas, a camisa 10 acumulou recordes individuais e títulos coletivos por clubes e pela Seleção Brasileira.
Nascida em Dois Riachos, Alagoas, a esportista superou barreiras sociais e geográficas para se tornar a maior artilheira da história da seleção, superando marcas masculinas. Atualmente, ela soma 132 gols com a camisa amarelinha, marca alcançada após ultrapassar o recorde de Pelé durante os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Sua longevidade no esporte é evidenciada pela preparação para sua 26ª temporada profissional, com foco na National Women’s Soccer League (NWSL).
Trajetória de conquistas na Europa e nos Estados Unidos
A carreira internacional de Marta começou de forma impactante na Suécia, onde defendeu o Umea IK em 2004 e conquistou a Liga dos Campeões da Uefa. Naquele período, a atacante demonstrou um nível técnico superior, o que resultou em quatro títulos do Campeonato Sueco e uma Copa da Suécia. O sucesso em solo europeu abriu portas para o mercado norte-americano, onde ela se tornou uma figura central para o desenvolvimento da modalidade.
Nos Estados Unidos, a jogadora venceu competições importantes por diferentes equipes, como o FC Gold Pride e o Western New York Flash. Em 2024, defendendo o Orlando Pride, ela ergueu o troféu da NWSL, mantendo a tradição de ser campeã em todos os clubes que passou desde 2004. Sua influência nos gramados americanos é acompanhada por uma vida pessoal estável, tendo se casado recentemente com a ex-atleta Carrie Lawrence na Flórida.
Reconhecimento global e prêmios da Fifa
A rainha do futebol detém seis prêmios de melhor jogadora do mundo pela Fifa, conquistados em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018. Esse domínio absoluto por cinco anos consecutivos estabeleceu um novo padrão de excelência para o esporte feminino internacional. Além das conquistas individuais, Marta é embaixadora da ONU para o desenvolvimento e para a igualdade de gênero no esporte.
Em 2024, a entidade máxima do futebol prestou uma homenagem inédita ao criar o prêmio Marta para o gol mais bonito do ano na categoria feminina. Ironicamente, a própria brasileira venceu a primeira edição do troféu com um gol marcado em amistoso contra a Jamaica. Essa honraria se soma ao fato de ela ser a maior artilheira da história das Copas do Mundo, com 17 gols marcados.
- Primeira eleição como melhor do mundo ocorreu em 2006, aos 20 anos de idade.
- A atleta possui 132 gols oficiais registrados pela Seleção Brasileira principal.
- Participou de seis edições de Jogos Olímpicos e seis edições da Copa do Mundo.
Atuação decisiva em competições continentais
O desempenho da camisa 10 em competições sul-americanas sempre foi pautado pela liderança e pela capacidade de decidir partidas em momentos críticos. Na Copa América de 2025, mesmo não sendo titular em todos os jogos, Marta foi fundamental na final contra a Colômbia ao marcar dois gols. A vitória veio após uma disputa de pênaltis dramática, garantindo mais um título continental para a galeria da jogadora.
No Brasil, sua passagem pelo Santos em 2009 também é lembrada pela conquista da primeira edição da Copa Libertadores Feminina e da Copa do Brasil. Ela atraiu milhares de torcedores aos estádios, provando que o futebol feminino possui viabilidade comercial e apelo popular. Sua presença no Maracanã, onde deixou os pés na Calçada da Fama em 2007, simboliza a ocupação de espaços historicamente masculinos.
Legado social e embaixada nas Nações Unidas
A influência de Marta extrapola as linhas do campo, atingindo esferas de políticas públicas e representatividade social para mulheres em todo o planeta. Em 2010, ela foi nomeada embaixadora da ONU para combater a pobreza, utilizando sua imagem para promover causas humanitárias globais. Anos depois, em 2018, assumiu o posto de Embaixadora da ONU Mulheres, focando especificamente no empoderamento feminino através do esporte.
Durante sua carreira, a jogadora também se posicionou firmemente contra as desigualdades de investimento entre as categorias masculina e feminina de futebol. Em 2014, liderou um movimento com dezenas de atletas contra o uso de gramados sintéticos na Copa do Mundo, alegando discriminação. Suas entrevistas, como a de 2019 após a eliminação no Mundial, tornaram-se manifestos de incentivo para as novas gerações de jogadoras brasileiras.
Momentos históricos em estádios brasileiros
O Maracanã foi palco de um dos recordes mais impressionantes da carreira de Marta, quando ela marcou cinco gols em um único jogo contra o Canadá. Esse feito ocorreu durante os Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007, competição que terminou com a medalha de ouro para o Brasil diante de 67 mil pessoas. Naquela mesma temporada, ela se tornou a pessoa mais jovem a integrar a Calçada da Fama do estádio carioca.
No Estádio Nilton Santos, em 2016, a atacante consolidou sua posição como a maior goleadora nacional ao ultrapassar a contagem de gols do Rei Pelé. O reconhecimento no Brasil é refletido em homenagens diversas, incluindo a presença de sua história em livros infantis e documentários internacionais. Mesmo morando fora do país há décadas, ela mantém o vínculo com o futebol local e inspira clubes a manterem departamentos femininos ativos.
Desempenho olímpico e resiliência em campo
A história de Marta em Olimpíadas é marcada pela conquista de três medalhas de prata, obtidas nos Jogos de Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. A conquista mais recente, aos 38 anos, demonstrou sua resiliência após sofrer uma expulsão na fase de grupos e retornar para a grande final. Mesmo sem o ouro inédito, sua presença no pódio reforçou sua importância como pilar técnico e emocional do elenco nacional.
A consistência física da jogadora permite que ela continue atuando em alto nível no Orlando Pride, onde é a principal referência técnica da equipe. O clube da Flórida renovou o contrato com a brasileira visando a disputa de novos títulos na liga norte-americana de 2026. A longevidade da atleta é um caso raro no futebol mundial, especialmente em uma posição que exige alta explosão física e mobilidade constante.