Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa, criticou duramente o formato da Copa do Mundo de 2026. Ele apontou a distribuição desigual de partidas entre os três países-sede — Estados Unidos, Canadá e México — como injusta. Em entrevista recente à Radio Canada, o dirigente de 89 anos afirmou que os Estados Unidos sediarão a maioria dos jogos, enquanto Canadá e México recebem poucos, o que contraria o espírito de desenvolvimento do futebol global.
Blatter destacou que o torneio terá 104 partidas no total, com os Estados Unidos organizando 78 delas, incluindo todas a partir das oitavas de final. Ele considerou essa divisão desequilibrada e prejudicial aos co-anfitriões menores. Além disso, o ex-dirigente questionou a expansão do número de seleções para 48, classificando-a como inadequada para o evento.

Críticas à divisão de jogos entre os países-sede
Blatter enfatizou que a escolha de três nações para sediar o torneio complicou ainda mais a repartição. Ele observou que o México abrirá a competição em 11 de junho contra a África do Sul, na Cidade do México, mas o país receberá apenas uma fração pequena das partidas. Canadá e México, juntos, ficarão com cerca de 13 jogos cada, segundo relatos recentes.
O ex-presidente da Fifa argumentou que essa configuração favorece excessivamente os Estados Unidos. Ele descreveu a situação como os dois co-anfitriões recebendo apenas “migalhas” em comparação ao volume de partidas e benefícios econômicos para os EUA.
Expansão do torneio e impactos no desenvolvimento do futebol
A ampliação para 48 seleções, implementada pela atual gestão da Fifa, recebeu reprovação direta de Blatter. Ele afirmou que a mudança não contribui para o crescimento equilibrado do esporte em nível mundial. O dirigente defendeu que o formato tradicional preservava melhor a essência competitiva.
Blatter lembrou que o aumento de equipes visa maior inclusão, mas na prática gera desequilíbrios logísticos. Ele considerou que o excesso de jogos dilui a qualidade e sobrecarrega a estrutura do torneio.
Relação entre Trump e Infantino no centro das polêmicas
O ex-presidente da Fifa criticou abertamente a proximidade entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o atual mandatário da entidade, Gianni Infantino. Blatter acusou essa ligação de inserir elementos políticos no futebol.
Ele mencionou a entrega do Prêmio FIFA de Paz a Trump como algo incompreensível. Blatter reforçou que o futebol deve permanecer um evento social, cultural e de base, sem transformações em instrumento político.
Preocupações com políticas de visto e acesso ao torneio
Blatter expressou reservas sobre a realização da Copa em um país que impõe restrições de visto. Ele citou que nações qualificadas, como Senegal, Costa do Marfim, Irã e Haiti, enfrentam barreiras de entrada devido a políticas recentes adotadas nos Estados Unidos.
O dirigente argumentou que um país-sede precisa garantir acesso irrestrito a todos os torcedores e delegações. Ele afirmou que tais limitações vão contra os princípios de universalidade do esporte.
Contexto histórico de Blatter na Fifa e sua visão atual
Blatter presidiu a Fifa entre 1998 e 2015, período marcado por expansões e polêmicas. Ele foi suspenso por oito anos em investigação ética relacionada a pagamentos questionáveis, mas foi absolvido de irregularidades financeiras por tribunal suíço em 2025.
Atualmente, o dirigente mantém críticas à gestão atual da entidade. Ele acompanha os preparativos para 2026 e defende que o torneio preserve valores fundamentais do futebol.
A Copa do Mundo de 2026 ocorrerá entre junho e julho, com jogos distribuídos em diversas cidades dos três países. A final está prevista para um estádio nos Estados Unidos.