Ciência

A NASA classifica missão tripulada da Boeing Starliner como acidente tipo A grave

Espaçonave Starliner da Boeing
Espaçonave Starliner da Boeing - Murilo Mazzo/ Shutterstock.com

A NASA divulgou relatório detalhado que classifica o voo de teste tripulado da espaçonave Starliner, desenvolvida pela Boeing, como um acidente tipo A, a categoria mais grave de incidente na agência. Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams, lançados em junho de 2024 para uma missão planejada de até 14 dias na Estação Espacial Internacional (ISS), acabaram permanecendo no local por nove meses devido a falhas no sistema de propulsão que impediram o retorno seguro na cápsula. A agência reconheceu que a decisão de lançar a espaçonave com tripulação expôs riscos significativos, e a investigação aponta deficiências técnicas combinadas com falhas de liderança e supervisão.

O incidente ocorreu durante a primeira missão tripulada de teste da Starliner, que decolou em 5 de junho de 2024 do Cabo Canaveral, na Flórida. Problemas com propulsores surgiram logo após o lançamento, incluindo perda temporária de controle e falhas em múltiplas unidades durante a aproximação à ISS. Apesar de a acoplagem ter sido concluída com sucesso após manobras manuais realizadas pelos astronautas, a análise posterior confirmou que a espaçonave não apresentava condições seguras para o retorno tripulado à Terra.

Classificação como acidente tipo A

A designação tipo A aplica-se a eventos com perda de veículo tripulado, danos superiores a US$ 2 milhões ou risco de lesão fatal ou incapacidade permanente à tripulação. No caso da Starliner, os custos associados às falhas e investigações excederam amplamente esse limite, e a investigação destacou que decisões diferentes poderiam ter levado a resultados catastróficos.

A NASA enfatizou que a classificação retroativa serve para capturar lições e implementar correções rigorosas antes de qualquer voo futuro. O programa já consumiu investimentos de US$ 4,2 bilhões até o momento, e a agência trabalha com a Boeing para resolver as deficiências identificadas.

Falhas técnicas no sistema de propulsão

Propulsores apresentaram anomalias durante o voo orbital, com disparos excessivos, consumo elevado de combustível e falha em dez unidades. Testes em solo no White Sands Test Facility, no Novo México, confirmaram vulnerabilidades no design e na qualificação do sistema.

A causa raiz técnica ainda está em análise final, mas resultados preliminares indicam que testes anteriores não representaram adequadamente as condições reais da missão. A Boeing e a NASA continuam os esforços para identificar e corrigir esses problemas de forma definitiva.

Nasa
Nasa – JHVEPhoto/ Shutterstock.com

Decisões de liderança e supervisão

Reuniões entre equipes da NASA e da Boeing registraram discordâncias intensas e condutas não profissionais, incluindo discussões acaloradas sobre opções de retorno da tripulação. A investigação apontou que pressões programáticas superaram limites razoáveis de segurança em alguns momentos.

A agência admitiu que a supervisão sobre o veículo aceito para lançamento não foi suficiente para mitigar riscos conhecidos de voos de teste anteriores não tripulados. Mudanças em liderança e processos internos estão sendo implementadas para evitar recorrências.

Retorno dos astronautas e sequência da missão

Wilmore e Williams permaneceram na ISS até março de 2025, quando retornaram à Terra a bordo da cápsula Crew Dragon da SpaceX, integrada à missão Crew-9. A Starliner regressou sem tripulação em setembro de 2024, pousando autonomamente no White Sands Space Harbor.

A experiência reforçou a importância de redundância em veículos tripulados. A NASA planeja lançar a Starliner em missão não tripulada de reabastecimento à ISS em abril de 2026, como passo para validar correções antes de novos voos com tripulação.

Investigações e correções em andamento

A equipe de investigação independente examinou fatores técnicos, organizacionais e culturais desde o início do programa. Relatório de cerca de 300 páginas detalha contribuições de hardware inadequado, lacunas de qualificação e erros de tomada de decisão.

A NASA afirmou que não voará novamente com tripulação na Starliner até que as causas técnicas sejam plenamente compreendidas e o sistema de propulsão esteja qualificado integralmente. Trabalhos conjuntos com a Boeing prosseguem para implementar ações corretivas.

Plano futuro para o programa Starliner

Próximos passos incluem voo não tripulado em 2026 para testar melhorias. A agência mantém compromisso com o veículo como parte do programa Commercial Crew, visando opções redundantes de transporte para a ISS.

A experiência da missão destacou necessidade de rigor técnico e cultural em voos espaciais tripulados. A NASA busca fortalecer processos para garantir segurança em missões futuras.

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