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Departamento de Justiça dos EUA reteve arquivos Epstein com menções a Trump, aponta NPR

Donald Trump and Epstein
Donald Trump and Epstein - Foto: Reprodução/Netflix

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos reteve dezenas de páginas de arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein que mencionam o presidente Donald Trump e alegações de abuso sexual contra uma menor. A constatação veio de uma investigação detalhada realizada pela National Public Radio (NPR), que identificou lacunas em documentos liberados recentemente ao público. Esses materiais fazem parte de um conjunto de mais de 3,5 milhões de páginas divulgadas em etapas desde o final de janeiro de 2026, em atendimento à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

A ausência de conteúdo específico gerou questionamentos sobre o processo de redação e divulgação. A NPR cruzou números de série e metadados para confirmar que pelo menos 53 páginas, incluindo anotações de entrevistas do FBI, não estão acessíveis na base pública. O órgão federal justificou as remoções como medidas para proteger identidades de vítimas e corrigir divulgações inadvertidas de dados sensíveis.

Principais lacunas identificadas nos arquivos públicos

  • Mais de 50 páginas ausentes em um único arquivo catalogado, contendo entrevistas e anotações sobre uma acusadora que alegou abuso por Trump em 1983, quando tinha 13 anos.
  • Dos 15 documentos ligados a essa testemunha, apenas sete permanecem disponíveis; faltam notas de três entrevistas posteriores ao depoimento inicial de julho de 2019.
  • Detalhes biográficos da acusadora coincidem com processo civil de 2019 contra o espólio de Epstein, arquivado em 2021 sem referência direta a Trump.
  • Indícios de edição ou retirada baseados em carimbos de série repetidos em diferentes conjuntos de arquivos liberados.

Remoções temporárias e justificativas oficiais

Vários arquivos sofreram retirada temporária logo após publicação inicial. Um relatório de entrevista com outra mulher, que mencionou encontro com Trump em Mar-a-Lago durante abusos por Epstein, foi removido em 30 de janeiro e republicado em 19 de fevereiro após revisão. O Departamento de Justiça explicou que tais ações ocorrem quando vítimas ou advogados sinalizam necessidade de redações adicionais para anonimato.

Documentos relacionados à mãe dessa segunda vítima também permanecem fora do ar. Ela relatou ter questionado as acusações contra Epstein ao saber de visitas de figuras como Trump à residência do financista. O órgão afirmou que continua trabalhando para republicar materiais com proteções necessárias.

Trump
Trump – UkrPictures/ Shutterstock.com

Respostas da Casa Branca e do Departamento de Justiça

A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, declarou que Trump foi completamente exonerado de qualquer ligação com Epstein. O comunicado destacou ações do presidente, como assinatura da lei de transparência e solicitações de investigações sobre conexões democratas com o caso. Pam Bondi e Todd Blanche enviaram carta ao Congresso negando retenção ou edição de registros por motivos políticos.

Advogados de vítimas criticaram a gestão dos arquivos. Robert Glassman, representante de testemunha no julgamento de Ghislaine Maxwell, classificou o processo como inadequado, apontando falhas na proteção de identidades e na entrega completa de informações.

Contexto das alegações internas do FBI

Listas compiladas pelo FBI em 2025 classificaram a maioria das menções a Trump como sensacionalistas ou não verificáveis. Uma apresentação interna em PowerPoint incluiu nomes relevantes nas investigações entre setembro e dezembro daquele ano. A acusação mais detalhada aparece apenas em compilações internas, sem evidências principais tornadas públicas.

O Departamento de Justiça alertou para a inclusão de alegações falsas nos arquivos divulgados. Pressão de parlamentares de ambos os partidos marcou o período, com críticas à desorganização na liberação e à exposição indevida de vítimas.

Críticas à condução do processo de transparência

A NPR ampliou o debate ao expor omissões seletivas em meio a correções em massa. O porta-voz do Departamento de Justiça reconheceu desafios devido ao volume de documentos e reiterou esforços diários para revisar conteúdos sensíveis, incluindo material de natureza sexual.

Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos por tráfico sexual, compareceu por videoconferência a comissão congressional em fevereiro. Seus advogados indicaram disposição para fornecer detalhes sobre conexões políticas e empresariais de Epstein, condicionado a possível indulto.

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