Retorno ao Brasil: Emily Lima assume Corinthians e explica saída do Levante por questões burocráticas
A chegada da técnica Emily Lima ao Corinthians, oficializada em 26 de outubro no CT Joaquim Grava, marca o início de um novo e ambicioso capítulo em sua carreira, que a própria treinadora já considera o maior desafio de sua trajetória. Em sua primeira coletiva no clube paulista, Emily fez um balanço de sua experiência mais recente no futebol europeu, à frente do Levante UD Femenino, na Liga F espanhola. Ela aproveitou para contextualizar as dificuldades encontradas e os motivos que a levaram a optar por uma saída voluntária da equipe.
No comando do time espanhol, Emily participou de 11 partidas, registrando um empate e dez derrotas, um desempenho que, segundo ela, foi influenciado por um cenário já complexo e preexistente. A treinadora ressaltou que a situação do clube era delicada antes mesmo de sua chegada, com diversos problemas estruturais e de gestão que impactaram diretamente o desenvolvimento do trabalho. Além disso, entraves burocráticos significativos se somaram aos obstáculos técnicos, dificultando ainda mais sua adaptação e atuação plena.
A complexidade de validar licenças na UEFA emergiu como um dos principais pontos de atrito. Emily detalhou que, apesar de possuir todas as certificações necessárias, tanto ela quanto sua assistente enfrentaram um processo árduo para obter a equivalência de seus documentos. “Eu tenho todas as minhas licenças, minha assistente também. Mas não podia atuar até fazer a equivalência. Foi desgastante. A gente chegou achando que seria simples”, revelou a técnica. Este procedimento inesperadamente complexo e moroso atrasou sua capacidade de comandar a equipe à beira do campo conforme planejado, gerando uma frustração inicial na chegada ao clube.
Superando obstáculos na adaptação europeia
A jornada de Emily Lima no futebol europeu não foi isenta de contratempos, especialmente no que tange aos aspectos administrativos e regulatórios. A exigência de equivalência das licenças da UEFA, fundamental para o exercício pleno de sua função na Liga F, revelou-se um desafio maior do que o esperado. Esse processo burocrático, além de consumir tempo e energia, atrasou a implementação completa de sua metodologia e filosofia de jogo, impactando diretamente os resultados iniciais da equipe.
Mesmo diante de um ambiente adverso e da série de resultados negativos, Emily fez questão de salientar que sua saída do Levante não configurou uma demissão. A decisão de deixar o clube partiu da própria treinadora, que realizou uma avaliação criteriosa do momento institucional e esportivo da equipe. Esta escolha, feita de forma consciente, visava o que ela considerava ser o melhor para o futuro do time espanhol, demonstrando um alto grau de profissionalismo e comprometimento com a instituição, mesmo em circunstâncias desafiadoras.
A difícil decisão e a relação duradoura
A treinadora explicou sua decisão de forma direta e transparente, priorizando o bem-estar do clube. “Eu cheguei para o presidente e falei: o melhor para o Levante hoje é que eu não esteja aqui. Prefiro ir embora”, afirmou, destacando uma postura de integridade e desprendimento. Essa conversa franca e a posterior saída amigável sublinham a manutenção de uma relação positiva com a diretoria do Levante, com quem Emily ainda mantém contato frequente.
Para a técnica, esse vínculo persistente é um testemunho de seus princípios e valores inegociáveis, que pautam sua conduta profissional. A priorização do diálogo e do respeito mútuo, mesmo em momentos de ruptura, solidificou uma imagem de liderança ética e focada no desenvolvimento do futebol feminino. Essa atitude reforça a percepção de que, apesar dos resultados em campo, o legado deixado por Emily no Levante transcende as estatísticas, focando na construção de relações sólidas e duradouras, baseadas na confiança e na honestidade entre as partes envolvidas.
Missão de desenvolvimento em seleções
Antes de seu retorno ao cenário nacional, Emily Lima dedicou-se a projetos de desenvolvimento em seleções femininas da América do Sul, acumulando experiências valiosas com a Seleção Equatoriana Feminina e a Seleção Peruana Feminina. Nestes trabalhos, a treinadora enfatizou que o objetivo primordial não era a conquista imediata de resultados expressivos, como a classificação para uma Copa do Mundo. Em vez disso, o foco estava em estabelecer as bases para um crescimento sustentável do futebol feminino nesses países.
Essa abordagem estratégica visava construir estruturas sólidas e aprimorar a capacidade competitiva a médio e longo prazo. Os frutos desse trabalho começaram a aparecer gradualmente: o Peru, por exemplo, voltou a disputar hexagonais de base após um longo período de ausência, um indicativo claro do avanço nas categorias inferiores. O Equador, por sua vez, demonstrou uma evolução notável, passando a competir em um nível mais equilibrado dentro do continente, o que reflete a eficácia da metodologia de desenvolvimento implementada pela técnica.
Emily Lima, ao refletir sobre sua jornada, amplia a visão para além dos meros resultados em campo, abraçando uma perspectiva mais holística sobre seu papel no esporte. “Às vezes eu vim para esse mundo para desenvolver pessoas. Não é só desenvolver atletas”, declarou, sublinhando sua crença na formação humana integral. A treinadora considera a criação de vínculos duradouros com suas jogadoras um dos maiores orgulhos de sua carreira, e o reconhecimento de ex-atletas em competições recentes, que a procuram para cumprimentá-la, confirma o profundo impacto humano de seu trabalho.
Essa filosofia transcende o treinamento tático e físico, focando na mentoria e no apoio ao crescimento pessoal das atletas. Ao priorizar a construção de relacionamentos e a formação de indivíduos, Emily Lima estabelece um legado que vai muito além das vitórias e derrotas. O respeito e a admiração demonstrados por suas antigas comandadas são prova de que seu trabalho é, em sua essência, um catalisador para o desenvolvimento de mulheres fortes e conscientes, tanto dentro quanto fora dos gramados.
Corinthians: O auge do desafio na carreira
A chegada ao comando do Corinthians marca, para Emily Lima, o maior desafio de sua carreira, superando até mesmo a experiência de ter dirigido a Seleção Brasileira Feminina. A treinadora não hesitou em expressar a magnitude de sua nova empreitada, equiparando o clube a um selecionado nacional, mas com uma intensidade ainda maior. “Isso aqui, para mim, é uma seleção. É mais do que uma seleção”, declarou, enfatizando o peso e a responsabilidade de liderar uma equipe com o histórico e a ambição do Timão.
Ela ressaltou que o contexto atual no Corinthians é drasticamente diferente de suas experiências anteriores, tanto em seleções quanto no futebol europeu. O clube, conhecido por sua vitoriosa trajetória no futebol feminino, tem expectativas elevadas e uma cultura de conquistas que se alinha com a mentalidade da nova técnica. “Aqui a gente vem para conquistar títulos”, completou Emily, deixando clara a sua missão e o nível de compromisso que espera de si e de sua equipe. A pressão por resultados e a busca incessante por troféus no cenário nacional e internacional serão os balizadores de seu trabalho à frente do Alvinegro, em uma fase que promete redefinir os parâmetros de sua exitosa jornada no esporte.
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