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Embaixador do Brasil alerta que prédios no Irã não têm proteção contra bombardeios

Irã
Irã - Pouria Parhizkar/ Shutterstock.com

O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, concedeu entrevista exclusiva ao Bastidores CNN nesta segunda-feira (2) e destacou a precariedade das estruturas de proteção em prédios residenciais e comerciais no país. Segundo o diplomata, a ausência de abrigos adequados expõe a população civil a riscos elevados durante os ataques aéreos coordenados por Estados Unidos e Israel, iniciados no último sábado (28). Ele descreveu o cenário em Teerã como de imprevisibilidade constante, com bombardeios diários que atingem alvos militares e estatais, mas geram impactos colaterais em áreas próximas.

Guimarães relatou que os edifícios comuns não contam com bunkers ou reforços contra explosões, o que transforma qualquer ataque em uma ameaça imprevisível para moradores. Mesmo estruturas distantes dos alvos principais sofrem com ondas de choque e fragmentos, como ocorreu em episódio recente na residência da embaixada, onde o prédio inteiro tremeu devido ao deslocamento de ar de uma explosão próxima.

Ausência de abrigos subterrâneos nas residências

A maioria das construções residenciais no Irã carece de espaços subterrâneos dedicados à proteção de famílias durante bombardeios. O embaixador explicou que algumas garagens servem como refúgios improvisados, mas isso não representa solução segura para a população em geral.

Ele enfatizou que a falta de sistemas de alerta precoce agrava a situação. Sem sirenes ou alarmes eficientes, as pessoas só tomam conhecimento dos ataques no momento em que ocorrem, o que impede ações rápidas de busca por abrigo.

Estações de metrô como opção limitada

As estações de metrô poderiam funcionar como abrigos coletivos em emergências, mas a ausência de notificações prévias reduz drasticamente sua utilidade. Guimarães apontou que a recomendação oficial para a população é permanecer em casa e manter atenção constante, embora não exista proteção efetiva contra os impactos dos bombardeios.

O diplomata mencionou que os ataques visam principalmente instalações do exército, da Guarda Revolucionária e estruturas estatais, mas a proximidade entre alvos militares e áreas civis aumenta os riscos para civis. Relatos indicam que explosões distantes já causaram tremores em edifícios residenciais na capital.

Mísseis Irã
Mísseis Irã – e-crow/ Shutterstock.com

Impactos colaterais em construções civis

Ondas de choque e estilhaços de explosões afetam prédios mesmo quando não são alvos diretos. Guimarães descreveu um caso específico em que um ataque noturno, embora distante, provocou vibrações intensas na residência diplomática, demonstrando a extensão dos efeitos.

A população enfrenta uma rotina de tensão permanente, com ruas esvaziadas por orientação governamental e movimento reduzido na capital. O embaixador observou que a imprevisibilidade dos alvos torna a situação comparável a uma loteria, onde ninguém sabe qual edifício será atingido em seguida.

Recomendações das autoridades locais

As orientações das autoridades iranianas concentram-se em evitar deslocamentos desnecessários e permanecer em locais residenciais. Guimarães reforçou que, na prática, não há medidas de proteção robustas disponíveis para a maioria dos cidadãos, o que mantém a vulnerabilidade elevada diante da continuidade dos bombardeios.

O diplomata destacou que estrangeiros e iranianos compartilham os mesmos riscos em meio à falta de infraestrutura defensiva. A comunidade brasileira no país, composta por cerca de 200 pessoas, majoritariamente residentes de longa data, segue monitorada pela embaixada, sem registros de pedidos de evacuação até o momento.

Cenário de tensão constante em Teerã

A capital iraniana registra ataques em diferentes horários do dia, com bombas de alta potência que geram danos extensos. Guimarães relatou que a comunicação enfrenta instabilidades, mas a embaixada mantém canais abertos para assistência a brasileiros que precisem de apoio.

O conflito, que entra no quinto dia, continua a expor limitações estruturais no Irã em relação à defesa civil. A ausência de sistemas de alerta e abrigos reforçados mantém a população em posição de risco elevado, conforme descrito pelo representante diplomático brasileiro.

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