Joan Lunden, ex-apresentadora do “Good Morning America” da ABC, relata em seu livro de memórias “Joan: Life Beyond the Script” um caso de assédio sexual praticado por um superior hierárquico durante os primeiros anos de carreira na WABC-TV, em Nova York. O episódio aconteceu por volta de 1975, quando a jornalista tinha 25 anos e atuava como repórter no telejornal Eyewitness News. Ela descreve como o editor de histórias, chamado no livro de “Ted”, a convidou para o que foi apresentado como um evento de integração com a equipe na Fire Island, mas que se transformou em uma situação pessoal indesejada.
Lunden aceitou o convite acreditando na promessa de socialização profissional com colegas. Ao chegar à ilha, acessível somente por balsa e sem permissão para carros, descobriu que o grupo era composto apenas por mais duas pessoas: um repórter da WCBS e sua namorada. Isso revelou que o convite configurava, na prática, um encontro duplo com pernoite.
Convite inicial e surpresa na chegada
A jornalista conta que o convite destacou a chance de conhecer melhor a equipe e evitar sensação de isolamento na redação. Ela decidiu participar mesmo sem ter laços próximos com os colegas.
Ao desembarcar na Fire Island, Lunden percebeu imediatamente a discrepância entre o prometido e a realidade. Sentiu-se enganada e pressionada em um ambiente isolado.
Recusa firme e desconforto imediato
Lunden deixou claro que não tinha interesse em avançar para um relacionamento pessoal. Ela enfatizou que comparecera apenas pela expectativa de um encontro de trabalho.
O editor tentou amenizar a situação e insistiu para que todos aproveitassem o fim de semana. A jornalista optou por dormir no sofá, evitando dividir o quarto.

Principais pontos do episódio relatados
- Convite foi apresentado como oportunidade de integração com a equipe na Fire Island
- Localização isolada da ilha-barreira dificultou saída imediata após descoberta da verdade
- Apenas quatro pessoas presentes: Lunden, o editor “Ted”, um repórter da WCBS e sua namorada
- Jornalista recusou avanços e passou a noite separada no sofá da casa alugada
- Após recusa, editor mudou de atitude e iniciou retaliação profissional nos meses seguintes
Retaliação profissional prolongada
Nos meses que se seguiram, o editor passou a barrar sistematicamente as reportagens preparadas por Lunden. Essa prática impediu que seu trabalho fosse exibido no telejornal e reduziu sua remuneração, já que parte do salário dependia de matérias veiculadas.
A jornalista sentiu-se vulnerável diante da hostilidade aberta. O boato sobre a viagem se espalhou pela redação, prejudicando ainda mais sua reputação profissional na emissora.
Impacto financeiro e emocional
A exclusão das reportagens gerou perda direta de renda adicional. Lunden destacou que o comportamento transmitia uma clara mensagem de desigualdade de gênero no ambiente de trabalho da época.
Ela descreveu sensação de impotência ao enfrentar retaliação por ter rejeitado investidas indesejadas. A situação durou vários meses e criou tensão constante na rotina diária.
Confrontação direta e mudança de comportamento
Lunden procurou orientação de agente e advogado, que indicaram a possibilidade de processo por assédio e discriminação sexual. Ela marcou reunião com o editor e informou sobre a intenção de acionar judicialmente ele e a emissora.
O aviso provocou reação imediata: o superior pediu desculpas e encerrou as práticas retaliatórias. A jornalista considerou o momento como uma demonstração de que posicionamento firme pode alterar dinâmicas abusivas.
Trajetória após o episódio
Após a resolução, Lunden retomou o fluxo normal de produção de reportagens na WABC-TV. O caso ocorreu antes de sua transferência para o “Good Morning America”, onde permaneceu como coapresentadora entre 1980 e 1997.
O livro traz o relato como parte das experiências que moldaram sua visão sobre o jornalismo televisivo. Ela trabalhou na emissora local de 1975 até o início no programa nacional da ABC.