A Polícia Federal realizou nesta quarta-feira, 4 de março, a prisão de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A detenção ocorreu em São Paulo e marca uma nova etapa da Operação Compliance Zero, que investiga um complexo esquema de fraudes financeiras e outros crimes. Zettel, que já havia sido alvo de uma prisão anterior em janeiro, é apontado como figura central nas investigações.
A apuração mira uma organização criminosa de grande porte, suspeita de atuar em diversas frentes ilícitas com o objetivo de movimentar vultosas somas. A ação da PF busca desmantelar essa estrutura e coletar mais provas sobre as atividades fraudulentas.
Os crimes que fundamentam essa fase da operação incluem:
– Ameaça
– Corrupção
– Lavagem de dinheiro
– Invasão de dispositivos informáticos
As prisões e demais medidas cautelares foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso desde o mês anterior. A operação evidencia a continuidade do esforço das autoridades no combate à criminalidade financeira no país.
Desvendando a Operação Compliance Zero

O nome “Compliance Zero” atribuído à operação faz referência direta à alegada ausência de controles internos robustos nas instituições financeiras envolvidas, que seriam essenciais para prevenir a ocorrência de crimes como gestão fraudulenta e manipulação de mercado. Essa lacuna de fiscalização interna é um ponto crucial da investigação, indicando que a fraude pode ter prosperado pela falta de barreiras de segurança.
As investigações apontam para um esquema intrincado que envolveria a venda de títulos de crédito considerados falsos pelo Banco Master. Esses títulos teriam sido comercializados de forma irregular, gerando prejuízos e levantando questionamentos sobre a integridade das operações da instituição financeira.
A Polícia Federal contou com o apoio técnico e investigativo do Banco Central do Brasil para aprofundar a compreensão das operações financeiras suspeitas. A colaboração entre as instituições é fundamental para desvendar fraudes complexas que afetam o sistema bancário e a economia como um todo.
Detenções anteriores e tentativas de evasão
Fabiano Zettel já havia sido detido em janeiro deste mesmo ano. Na ocasião, o empresário foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, enquanto se preparava para embarcar em um voo comercial com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A prisão de Zettel seguiu-se à detenção de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que ocorreu em novembro do ano anterior. Vorcaro foi preso quando tentava embarcar para a Europa em um avião particular, também partindo de Guarulhos, com as autoridades indicando que havia claras evidências de uma tentativa de fuga do país.
As duas prisões anteriores reforçam a percepção das autoridades de que os investigados tentavam deixar o Brasil para evitar as consequências das apurações. A vigilância nos aeroportos tem sido uma ferramenta estratégica para coibir a evasão de indivíduos com mandados de prisão em aberto.
O perfil do cunhado de Daniel Vorcaro
Fabiano Campos Zettel, além de ser cunhado de Daniel Vorcaro por ser casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, atua como pastor evangélico e é uma figura conhecida no cenário empresarial. Sua trajetória profissional inclui o sucesso em diversas marcas no setor de rede de alimentos.
O empresário também se destaca por ser proprietário de uma academia de luxo, diversificando seus investimentos e sua presença no mercado. Seu envolvimento com diferentes setores do empreendedorismo demonstra uma capacidade de atuação em variadas áreas econômicas.
Zettel ganhou notabilidade pública devido a suas significativas doações em campanhas eleitorais. Ele foi um dos maiores doadores para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro, com uma contribuição de R$ 3 milhões, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com R$ 2 milhões. Essas doações de alto valor sublinham sua influência e conexões em esferas políticas.
Ações judiciais e o bilionário bloqueio de bens
A fase atual da Operação Compliance Zero não se limitou à prisão de Fabiano Zettel. As autoridades também expediram outros dois mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão. Estas ações foram realizadas simultaneamente em endereços localizados nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Além das prisões e buscas, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou uma série de medidas cautelares rigorosas. Entre elas, estão as ordens de afastamento de cargos públicos para os envolvidos que porventura os ocupem, visando evitar qualquer tipo de interferência nas investigações.
Uma das ações mais impactantes foi o sequestro e bloqueio de bens, cujo montante pode chegar a impressionantes R$ 22 bilhões. Essa medida visa interromper a movimentação de quaisquer ativos financeiros vinculados ao grupo investigado, impedindo que os recursos sejam dissipados ou utilizados em novas atividades ilícitas.
O bloqueio bilionário tem como objetivo primordial preservar os valores que, conforme as investigações, podem estar diretamente relacionados às práticas criminosas apuradas. A magnitude do valor reflete a dimensão do esquema fraudulento que a Polícia Federal e o Banco Central buscam desvendar e coibir em sua totalidade.
O impasse na CPI do crime organizado
Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, era aguardado para depor na CPI do Crime Organizado, em Brasília, precisamente nesta mesma quarta-feira. Contudo, antes mesmo da data, o banqueiro já havia sinalizado sua intenção de comparecer apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em um movimento que indicava uma estratégia de defesa.
A expectativa de seu depoimento na CPI gerou discussões sobre a extensão do poder das comissões parlamentares de inquérito e a obrigação de comparecimento de investigados. A decisão do ministro André Mendonça, emitida na terça-feira anterior, tornou a ida de Vorcaro à CPI facultativa, alterando o cenário previsto no legislativo.
A relevância da conformidade regulatória
A Operação Compliance Zero e as investigações sobre o Banco Master ressaltam a importância vital da conformidade regulatória e da governança corporativa no sistema financeiro. A ausência ou fragilidade dos mecanismos de controle interno pode abrir portas para esquemas de fraude complexos, que não apenas lesam investidores e o erário público, mas também abalam a confiança na estabilidade e integridade das instituições bancárias. A fiscalização constante e rigorosa por parte de órgãos como o Banco Central e a atuação da Polícia Federal são pilares essenciais para assegurar um ambiente financeiro transparente e seguro para todos os participantes do mercado, protegendo a economia de práticas ilícitas e mantendo a credibilidade do setor perante a sociedade e o cenário internacional.
Próximos passos na investigação
As autoridades indicam que a Operação Compliance Zero deve prosseguir com novas fases e desdobramentos, à medida que mais informações e provas são coletadas. A expectativa é que a investigação detalhe ainda mais os contornos do esquema criminoso e identifique todos os envolvidos, buscando a responsabilização completa pelos atos ilícitos apurados até o momento.