As eleições gerais no Nepal, realizadas em 5 de março de 2026, apontam para uma mudança histórica no cenário político do país. O Partido Rastriya Swatantra (RSP), liderado pelo ex-prefeito de Catmandu Balendra Shah (Balen Shah), lidera em aproximadamente 110 das 165 cadeiras disputadas diretamente, com várias vitórias já confirmadas. Balen Shah ampliou sua vantagem na circunscrição Jhapa-5 contra o ex-primeiro-ministro KP Sharma Oli, superando-o por mais de 10 mil votos em contagens parciais avançadas. A Comissão Eleitoral informou que a apuração completa deve ser finalizada até 9 de março, mas os números parciais já indicam domínio claro do RSP.
A participação eleitoral ficou em torno de 58% a 60%, a menor registrada desde a restauração da democracia em 1990. Distritos como Bhaktapur apresentaram os maiores índices, alcançando 71,46%, enquanto Achham registrou apenas 39,18%. O pleito ocorreu em clima de tranquilidade, após os protestos intensos da geração Z em setembro de 2025 que derrubaram o governo anterior e abriram caminho para essa eleição antecipada.
Domínio do RSP no Vale de Catmandu e em áreas urbanas
O Partido Rastriya Swatantra consolidou liderança expressiva no Vale de Catmandu, onde aparece à frente em 14 das 15 cadeiras disponíveis. Candidatos do RSP venceram ou lideram com folga em todas as 10 circunscrições de Catmandu, com nomes como Ranju Darshana Neupane em Kathmandu-1 e outros candidatos independentes que migraram para o partido.
Esse desempenho reflete insatisfação com os partidos tradicionais. O RSP, criado em 2022, atraiu eleitores jovens e urbanos que buscam renovação política. Vitórias isoladas do Congresso Nepalês, como em Mustang, não alteraram o quadro geral de domínio do novo partido.
Balen Shah mantém vantagem ampla contra Oli em Jhapa-5
Na circunscrição Jhapa-5, Balendra Shah ampliou progressivamente sua liderança desde o início da contagem. Dados parciais mostram Shah com mais de 13 mil votos contra cerca de 3 mil de KP Sharma Oli, resultando em diferença superior a 10 mil votos. Oli, que venceu nessa mesma área nas eleições de 2017 e 2022, enfrenta derrota significativa em seu reduto histórico.
Outros candidatos na disputa obtiveram números muito inferiores. A declaração do RSP de que Shah é o candidato a primeiro-ministro reforçou sua projeção durante toda a campanha. A vantagem se manteve consistente em todas as atualizações da Comissão Eleitoral.
Principais destaques da apuração até o momento
- RSP lidera em cerca de 110 cadeiras diretas, com pelo menos 4 vitórias confirmadas
- Congresso Nepalês conquista poucas cadeiras isoladas e lidera em aproximadamente 11
- CPN-UML de KP Oli aparece à frente em poucas circunscrições, com desempenho fraco
- Partido Comunista Nepalês de Pushpa Kamal Dahal (Prachanda) também registra lideranças limitadas
- Outros partidos menores dividem o restante das posições de destaque
Esses números parciais indicam que o RSP pode se aproximar da maioria absoluta nas 165 cadeiras diretas. A distribuição proporcional das 110 cadeiras restantes ainda depende dos votos nacionais totais.
Trajetória política de Balen Shah e ascensão do RSP
Balendra Shah começou carreira como rapper underground, com letras que denunciavam corrupção, pobreza e desigualdade social. Sua popularidade entre jovens o levou a vencer a prefeitura de Catmandu como independente em 2022, tornando-se o primeiro prefeito sem filiação partidária na capital. Em 2023, foi incluído em listas internacionais de personalidades influentes.
Sua filiação ao RSP no final de 2025 impulsionou o partido, que passou a atrair multidões em comícios. Shah renunciou à prefeitura para disputar o parlamento, centrando campanha em emprego juvenil, combate à corrupção e reforma administrativa.
Sistema eleitoral explica força do RSP nas cadeiras diretas
O Nepal utiliza sistema misto para eleger os 275 deputados da Câmara dos Representantes. As 165 cadeiras diretas seguem voto majoritário simples em circunscrições uninominais, onde vence o candidato mais votado. As 110 restantes são distribuídas proporcionalmente conforme a votação nacional por partido.
Esse modelo permite que partidos menores ganhem espaço. A liderança do RSP nas cadeiras diretas posiciona o partido para formar governo com menor dependência de coalizões, diferente do padrão das últimas eleições.
Migração juvenil como tema central da campanha
A saída em massa de jovens para trabalho no exterior dominou debates eleitorais. Milhares migram anualmente para países do Golfo e Malásia devido à falta de oportunidades locais. Partidos prometeram medidas para gerar empregos internos e combater fraudes em agências de recrutamento.
Propostas incluíram apoio psicológico a migrantes e maior transparência nos processos de envio de trabalhadores. O descontentamento com esse cenário favoreceu o RSP, especialmente entre eleitores mais jovens.
Interesse de potências regionais no resultado
Estados Unidos, China e Índia acompanharam o pleito de perto pela posição estratégica do Nepal. Washington declarou disposição para cooperar com qualquer governo democrático eleito. A Índia destacou a necessidade de estabilidade e forneceu assistência ao processo eleitoral.
A China adotou postura cautelosa, mantendo contatos e oferecendo ajuda financeira com condições. O resultado pode alterar dinâmicas de influência no Sul da Ásia.
Apuração avança e definição de governo se aproxima
A Comissão Eleitoral trabalha para concluir a contagem nos próximos dias. Resultados parciais mantêm tendência favorável ao RSP. Líderes de partidos tradicionais já reconhecem o desempenho inferior.
A formação do novo governo dependerá da finalização das cadeiras diretas e da proporcionalidade. O RSP se aproxima de cenário inédito de maioria própria.