O dólar comercial iniciou o dia em alta, mas perdeu força ao longo da sessão desta segunda-feira (9), influenciado por fatores como o fluxo comercial positivo do Brasil e o carry trade atraente do país. A moeda norte-americana registrou máxima intradiária de R$ 5,2864 (+0,81%) no mercado à vista, após a abertura dos negócios, porém desacelerou e tocou mínima de R$ 5,2454 (+0,03%). O movimento reflete um equilíbrio entre pressões globais de aversão ao risco e elementos favoráveis ao real.
O rali do petróleo eleva preocupações com inflação mundial, o que pressiona ativos de risco em geral. No entanto, o Brasil se beneficia como exportador relevante da commodity, o que ajuda a conter a desvalorização do real. A valorização de 2,28% do minério de ferro na China também contribui positivamente para o cenário cambial brasileiro.
Fluxo comercial sustenta o real
O fluxo comercial positivo continua a atuar como suporte ao real no mercado doméstico. Exportadores brasileiros direcionam recursos ao país, o que reduz a pressão compradora sobre o dólar. Esse movimento se combina com uma leve redução de posições cambiais no mercado futuro, onde participantes realizam lucros parciais.
Analistas observam que o carry trade permanece elevado no Brasil, atraindo capital estrangeiro em busca de rendimentos diferenciados. Esses elementos amenizam o impacto de fatores externos negativos sobre a cotação da moeda.
Curva de juros reage ao ambiente global
A curva de juros futuros abriu o dia com forte alta generalizada. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) avançaram até 26 pontos-base nos vencimentos médios e longos, e cerca de 20 pontos nos curtos. Esse ajuste acompanha a aversão ao risco internacional, agravada por tensões geopolíticas envolvendo o Irã.
Às primeiras horas da sessão, o DI para janeiro de 2027 subia para 13,825%, ante 13,652% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 avançava para 13,460%, de 13,265%, enquanto o DI para janeiro de 2031 marcava 13,825%, contra 13,648% previamente. O movimento reflete repasse de elevação nos rendimentos dos Treasuries americanos e o fortalecimento inicial do dólar.
Commodities favorecem exportadores brasileiros
A alta do petróleo no mercado internacional beneficia diretamente o Brasil, maior exportador líquido da commodity na América Latina. Esse cenário contrabalança parte da aversão global ao risco, que tende a fortalecer o dólar em momentos de incerteza. O minério de ferro, outro item chave da pauta exportadora, registrou ganho expressivo na bolsa chinesa, reforçando entradas de divisas.
Esses fluxos comerciais positivos ajudam a estabilizar o câmbio mesmo em dias de volatilidade externa. O Brasil mantém saldo favorável em transações correntes recentes, com dados do Banco Central indicando entradas líquidas consistentes nos últimos meses.
Cenário externo pressiona moedas emergentes
A escalada de tensões no Oriente Médio impulsiona o dólar globalmente, com investidores buscando ativos seguros. O real, apesar da resiliência relativa, acompanha pares emergentes em parte do movimento. No entanto, fundamentos locais como superávit comercial e juros atrativos limitam as perdas.
O dólar futuro para abril operava em leve queda de 0,08% em determinado momento da manhã, cotado a R$ 5,2840, sinalizando alguma correção após a abertura mais forte.
O dólar à vista chegou a subir 0,22% a R$ 5,2544 por volta das 9h45, mas o ritmo de alta se moderou com o avanço da sessão.
A combinação de fatores domésticos positivos e o benefício das commodities exportáveis permite que o real mostre desempenho melhor que outras moedas emergentes em meio ao ambiente adverso externo.