Os preços do petróleo Brent ultrapassaram US$ 110 por barril nesta segunda-feira, alcançando o maior patamar desde a pandemia de covid-19. O movimento reflete a preocupação crescente dos mercados com os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o fornecimento global de energia. O barril oscilou entre US$ 115 e US$ 120 durante o dia antes de recuar para abaixo de US$ 110, após declarações de autoridades sobre esforços para reduzir os riscos de escassez.
O aumento acumulado chega a cerca de 50% desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro de 2026. O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado há mais de uma semana, interrompendo o fluxo de cerca de um quinto do petróleo mundial e quantidades expressivas de gás natural. A paralisação da rota marítima estratégica na costa sul do Irã ampliou a volatilidade nos mercados internacionais.
Bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas em resposta ao risco de interrupção prolongada no suprimento. As ações caíram 6% na Coreia do Sul e entre 4% e 5% no Japão, economias que dependem fortemente de importações de petróleo do Oriente Médio. O movimento pressionou também os custos industriais e de transporte nessas regiões.
Reações de autoridades americanas
O presidente Donald Trump classificou o aumento dos preços como temporário em postagem no Truth Social no domingo. Ele afirmou que o custo adicional representa um valor pequeno diante dos benefícios em segurança e paz para os Estados Unidos e o mundo. A declaração reforçou a posição de que a prioridade é limitar as capacidades militares do Irã.
O secretário de Energia, Chris Wright, declarou à CNN que não há falta imediata de petróleo ou gás natural no mercado global. Ele estimou que, no pior cenário, as interrupções no transporte marítimo durariam semanas, e não meses. Wright destacou que as forças americanas concentram esforços em neutralizar ameaças de mísseis e drones iranianos.
Principais impactos observados até o momento
- Gasolina comum nos EUA subiu cerca de 16% desde o início do conflito, alcançando média nacional de US$ 3,45 por galão (dados da AAA).
- Diesel registrou alta ainda maior, próxima de 22%, afetando diretamente o setor de transporte e logística.
- Gás natural encareceu de forma significativa na Europa e na Ásia, regiões dependentes de importações, enquanto os Estados Unidos mantêm relativa estabilidade graças à produção interna elevada.
- Expectativas de inflação nos próximos 12 meses subiram para cerca de 4,5%, ante previsão inicial de 2,3% no começo do ano.
Efeitos nos mercados financeiros e na inflação
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dois anos avançou aproximadamente 0,2 ponto percentual desde o início da guerra, atingindo 3,56%. Esse indicador, sensível às expectativas de taxas de juros, reflete o debate sobre o rumo da política monetária do Federal Reserve. Dados fracos do mercado de trabalho divulgados na sexta-feira anterior fortaleceram argumentos favoráveis a cortes de juros.
Investidores ajustaram projeções para a inflação diante do salto nos preços de energia. A alta nos custos de combustíveis pressiona diretamente os gastos das famílias e das empresas, especialmente em períodos de recuperação econômica. Autoridades monitoram a possibilidade de liberação de estoques estratégicos, embora nenhuma medida imediata tenha sido confirmada.
Situação atual do suprimento no Golfo Pérsico
Produtores da região adotaram ajustes preventivos na produção para preservar estoques diante do bloqueio. O tráfego marítimo segue restrito, com poucos sinais de normalização no curto prazo. Analistas acompanham negociações e movimentações militares que possam reabrir a passagem estratégica.
O conflito ampliou o receio de que interrupções duradouras gerem desequilíbrios em mercados dependentes do petróleo do Oriente Médio. Governos avaliam alternativas logísticas e reservas, mas a retomada plena do fluxo depende de avanços no cenário geopolítico.