Preços do tungstênio, metal essencial para munições e indústria de defesa, dispararam 557% nos últimos 12 meses. O benchmark europeu de paratungstato de amônio (APT) atingiu US$ 2.250 por unidade de tonelada métrica, refletindo uma combinação de fatores que apertaram a oferta global. Restrições impostas pela China a certos produtos de tungstênio desde fevereiro de 2025 reduziram significativamente as exportações. A demanda militar intensificada por conflitos no Oriente Médio acelerou a alta nos últimos meses.
O tungstênio, conhecido também como wolfram, destaca-se por sua alta densidade e resistência, o que o torna indispensável em projéteis perfurantes de blindagem, componentes de mísseis, helicópteros e aviões de caça. A China domina a produção mundial do metal, respondendo por mais da metade da oferta global. Com as medidas de controle de exportação implementadas em meio a disputas comerciais com os Estados Unidos, o fluxo para mercados internacionais diminuiu de forma expressiva.
Estoque acumulados por compradores foram se esgotando rapidamente nos últimos meses. Fabricantes de equipamentos de defesa e indústrias relacionadas recorreram a reservas existentes para atender contratos em andamento. A situação levou a uma aceleração nos ganhos de preço, com o metal superando o desempenho de commodities como ouro e cobre no período.
Restrições chinesas impactam oferta global
A decisão chinesa de incluir produtos de tungstênio em listas de controle de exportação ocorreu em fevereiro de 2025. Essa medida restringiu envios para diversos destinos, priorizando usos internos e aliados estratégicos. O resultado foi uma contração imediata na disponibilidade no mercado livre.
Produtores fora da China enfrentam dificuldades para compensar o volume perdido. Países como Portugal, Áustria e outros com mineração limitada não conseguem escalar produção rapidamente devido a questões ambientais e de investimento. A dependência histórica da oferta chinesa agravou o desequilíbrio.
Demanda militar impulsiona consumo
Conflitos no Oriente Médio elevaram o uso de munições e equipamentos que contêm tungstênio. Projéteis perfurantes, partes de drones e blindagens demandam o metal em quantidades significativas. Estimativas indicam crescimento de 12% no consumo ligado à defesa neste ano.
A intensificação de operações militares aumentou pedidos de fornecedores globais. Fabricantes de armamentos priorizaram estoques para cumprir entregas contratuais. Esse fator contribuiu para o esgotamento rápido de reservas comerciais.
Preços dobram em 2026
O benchmark APT europeu mais que dobrou apenas neste ano. O valor atual de US$ 2.250 por unidade de tonelada métrica representa recorde histórico. A alta acumulada desde as restrições chinesas alcançou 557%, destacando a volatilidade do mercado de metais críticos.
Compradores industriais ajustaram estratégias de aquisição para mitigar riscos. Alguns recorreram a substitutos ou reciclagem de sucata, embora opções limitadas mantenham pressão sobre os preços. O setor de semicondutores e ferramentas de perfuração também sente impactos indiretos.
Aplicações industriais diversificadas
Além do uso militar, o tungstênio entra na composição de ligas para ferramentas de corte e brocas de perfuração em mineração e óleo e gás. Sua dureza extrema garante durabilidade em condições severas. A indústria de manufatura avançada depende do metal para componentes de alta precisão.
O setor de aviação civil utiliza contrapesos de tungstênio em aeronaves. A combinação de aplicações civis e militares amplia a base de demanda, tornando o suprimento mais sensível a interrupções. Diversificação de fontes permanece desafio para o médio prazo.
Perspectiva de mercado apertado
O desequilíbrio entre oferta e demanda persiste no curto prazo. Restrições chinesas continuam em vigor, sem sinais de flexibilização imediata. Conflitos geopolíticos mantêm elevada a necessidade de materiais estratégicos.
Mercado acompanha possíveis respostas de outros produtores. Investimentos em novas minas demandam anos para entrada em operação. Reciclagem ganha relevância, mas volumes ainda insuficientes para equilibrar o cenário.