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EUA reforçam bloqueio e impedem Cuba de receber petróleo russo de dois navios-tanque

Plataforma de petróleo
Plataforma de petróleo - James Jones Jr/shutterstock.com

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ampliou as restrições para proibir qualquer transação envolvendo petróleo bruto ou derivados russos com destino a Cuba. A decisão foi formalizada na quinta-feira por meio de uma licença geral emitida pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), que incluiu explicitamente a ilha na lista de países excluídos. Dois navios-tanque carregados com combustível russo seguem em direção a Cuba, em meio à pior crise energética enfrentada pelo país nas últimas décadas.

A medida mantém a pressão econômica sobre Havana, mesmo após uma autorização temporária concedida pelos EUA para a compra de petróleo russo retido em alto-mar. Essa exceção, válida por curto período, visou estabilizar os mercados globais de energia durante conflitos no Oriente Médio. No entanto, a inclusão de Cuba na proibição reforça o embargo de longa data e impede o alívio imediato da escassez de combustível que provoca apagões prolongados na ilha.

Dois petroleiros russos em rota para Cuba

O navio Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, carrega cerca de 190 mil a 200 mil barris de gasóleo russo. Relatórios de rastreamento marítimo indicam que a embarcação pode descarregar a carga nos portos cubanos nos próximos dias. A tripulação adotou práticas de evasão, incluindo o desligamento intermitente do sistema de identificação automática (AIS), técnica frequente em operações que buscam evitar monitoramento internacional.

O segundo navio, Anatoly Kolodkin, de bandeira russa e já sancionado pelos Estados Unidos, transporta aproximadamente 730 mil barris de petróleo bruto. A embarcação partiu do porto de Primorsk e atravessa o Atlântico com destino previsto para o final de março ou início de abril. Pertencente à estatal russa Sovcomflot, o petroleiro integra frota que frequentemente opera sob restrições ocidentais.

Apagões e colapso da rede elétrica

Cuba registra interrupções generalizadas no fornecimento de energia há meses. A rede elétrica sofreu colapsos completos em várias províncias, afetando milhões de moradores. O governo conseguiu restabelecer parcialmente o serviço em algumas regiões, mas a instabilidade continua devido à falta de combustível para as termelétricas que sustentam grande parte da geração.

Bandeira dos EUA
Bandeira dos EUA – stock Images 489/ Shutterstock.com

A interrupção do petróleo venezuelano, principal fornecedor anterior, agravou a situação. Desde janeiro, o fluxo proveniente da Venezuela foi praticamente zerado após operações americanas contra o governo de Nicolás Maduro. Setores como agricultura, indústria e transporte enfrentam paralisação parcial ou total por causa da escassez.

Posicionamento de Cuba e apoio russo

Autoridades cubanas reiteram que o sistema político da ilha permanece inegociável com os Estados Unidos. O vice-ministro das Relações Exteriores declarou que nenhuma autoridade ou cargo presidencial está aberto a diálogo com Washington. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou as ameaças americanas como quase diárias e prometeu resistência contínua ao bloqueio.

A Rússia mantém Cuba como parceira estratégica e critica abertamente as medidas restritivas impostas por Washington. O Kremlin promete fornecer o apoio necessário, incluindo suprimentos energéticos. Envios como os atuais reforçam a aliança histórica entre os dois países em contexto de tensões geopolíticas globais.

Contexto das sanções americanas

O Tesouro americano atualizou as regras para esclarecer que Cuba não pode participar de qualquer operação envolvendo petróleo russo. A inclusão na lista de exclusão ocorreu após o monitoramento de navios em trânsito. Os Estados Unidos mantêm embargo econômico amplo contra a ilha desde a década de 1960, com endurecimento progressivo nos últimos anos.

Presença de navios da Guarda Costeira americana na região aumenta a possibilidade de interceptação ou impedimento das entregas. Washington ameaça sanções adicionais a qualquer país que viole as restrições. O governo russo minimiza o impacto comercial das ameaças, destacando que o comércio bilateral com os Estados Unidos é reduzido.

Cuba busca alternativas para garantir combustível a serviços essenciais. As cargas russas representam alívio pontual, mas não solucionam os problemas crônicos da infraestrutura energética. A população continua lidando com racionamento e interrupções frequentes de energia em todo o território.

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