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Navio ativista colide com pesqueiro de krill na Antártida em operação de protesto

Oceano Antártico, Antártida
Oceano Antártico, Antártida - Mozgova / Shutterstock.com

Uma embarcação operada pela Fundação Capitão Paul Watson colidiu com um barco de pesca de krill norueguês no Oceano Antártico no dia 31 de março. O incidente ocorreu próximo à Península Antártica e envolveu o navio M/V Bandero e a embarcação Antarctic Sea, da empresa Aker QRILL Company. Os proprietários do pesqueiro classificaram o evento como um ataque deliberado que colocou em risco a tripulação e o ambiente sensível da região. A colisão aconteceu após um impasse de várias horas entre as duas embarcações.

  • O vídeo registrado mostra o Bandero se aproximando da popa do pesqueiro e tocando seu lado de bombordo em ângulo leve.
  • A tripulação do barco norueguês permaneceu ilesa, mas relatou abalo emocional após o ocorrido.
  • Autoridades navais da Argentina e do Chile foram notificadas sobre o fato.

Detalhes da colisão registrada em vídeo

O registro de dois minutos entregue à imprensa internacional captura o momento em que o M/V Bandero se move lentamente em direção à embarcação norueguesa. A aproximação resulta em contato na lateral do pesqueiro, causando danos menores na pintura e na estrutura externa. A empresa Aker QRILL informou que o navio ativista chegou a poucos centímetros de atingir o tanque de diesel, o que poderia ter gerado vazamento em área de grande importância ecológica.

A tripulação multinacional do pesqueiro ficou abalada com a situação. A companhia norueguesa planeja adotar todas as medidas legais disponíveis para responsabilizar os envolvidos. Navios de patrulha de um dos países notificados já se deslocaram para as águas próximas ao local do incidente.

Contexto ambiental do krill antártico

O krill antártico serve como base alimentar para baleias, focas e aves marinhas que habitam a região. Esse pequeno crustáceo também atua como importante elemento no equilíbrio do ecossistema marinho sensível ao aquecimento global. A pesca industrial desse recurso cresceu nos últimos anos e gera debates sobre sua sustentabilidade em águas antárticas.

A Aker QRILL Company é uma das principais operadoras de captura de krill na Antártida. Seus navios atuam na extração do crustáceo para produção de suplementos alimentares e farinha de peixe. O setor defende que a atividade segue normas internacionais de manejo da região.

Versões das partes envolvidas sobre o incidente

O CEO da Aker Biomarine, Matts Johansen, descreveu a colisão como um ato intencional baseado em visões ideológicas. Ele comparou o episódio a um ataque terrorista e destacou que se trata do primeiro incidente desse tipo no Oceano Antártico em mais de uma década. A empresa reforçou que o evento não condiz com a forma como a Antártida deve ser gerenciada.

Do lado ativista, o fundador Paul Watson minimizou o contato e o classificou como um empurrão deliberado, porém controlado. Ele afirmou que a ação seguiu princípios de não violência agressiva praticados por décadas em alto-mar. A tripulação do Bandero, liderada pela ativista francesa Lamiya Essemlali, garantiu que tomou cuidado para não ferir ninguém e que o dano se limitou a lascas de tinta.

Histórico da operação e do ativismo

O M/V Bandero partiu da Austrália em fevereiro como parte da chamada Operação Guerras do Krill. A missão busca interromper a pesca industrial do crustáceo na região antártica. Antes da colisão, a embarcação ativista manteve impasse de cinco horas com dois barcos da Aker QRILL e utilizou dispositivos metálicos para afetar as redes de pesca.

Paul Watson fundou o Sea Shepherd na década de 1970 e acumula histórico de ações diretas em defesa de espécies marinhas. Ele já enfrentou prisões em diferentes países, incluindo detenção na Groenlândia em 2024 por pedido do Japão, posteriormente rejeitado pela Dinamarca. A Fundação Capitão Paul Watson continua campanhas de conservação marinha em várias partes do mundo.

Medidas adotadas após o choque

A empresa norueguesa notificou imediatamente as autoridades competentes. Um dos países envolvidos enviou embarcações para monitorar a área próxima à Península Antártica. A tripulação do pesqueiro de krill relatou que o risco ambiental foi evitado por margem estreita, mas reforçou a necessidade de proteção efetiva da região.

O incidente destaca as tensões crescentes entre grupos de conservação e a indústria pesqueira no sul do planeta. Ambas as partes mantêm posições firmes sobre o futuro da atividade de captura de krill em águas antárticas.

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