A GoPro anunciou nesta quarta-feira o corte de 23% de sua força de trabalho global até o final de 2026. A medida atinge 145 funcionários da empresa sediada em San Mateo, na Califórnia, que contava com 631 colaboradores ao fim do primeiro trimestre. O plano de reestruturação busca reduzir custos operacionais e melhorar a alavancagem financeira após resultados negativos no ano fiscal de 2025. A companhia informou que o processo começa no segundo trimestre de 2026 e deve ser concluído substancialmente até o fim do ano.
O custo estimado para a demissão varia entre 11,5 milhões e 15 milhões de dólares, incluindo pacotes de indenização e benefícios de saúde. A maior parte dos encargos deve ser registrada no terceiro trimestre de 2026. Essa é a terceira rodada significativa de cortes desde 2024, quando a empresa já havia reduzido pessoal em duas ocasiões distintas.
Plano de reestruturação visa retorno à rentabilidade
A GoPro enfrenta pressão de concorrência acirrada no segmento de câmeras de ação e de fatores macroeconômicos que impactaram as vendas. No ano fiscal de 2025, a receita totalizou 652 milhões de dólares, queda de 19% em relação ao ano anterior. A empresa registrou prejuízo operacional de 83,3 milhões de dólares no período.
No quarto trimestre de 2025, a receita ficou em torno de 202 milhões de dólares, com resultado líquido negativo. Apesar dos desafios, a companhia manteve a receita de assinaturas e serviços próxima de 106 milhões de dólares ao longo do ano, graças a melhores taxas de adesão e retenção de usuários.
Redução de custos inclui cortes anteriores
A decisão atual segue rodadas de ajustes em 2024 que também visavam conter despesas. A GoPro indicou que as demissões fazem parte de esforços contínuos para alinhar a estrutura de custos à realidade do mercado. A empresa não detalhou quais áreas serão mais afetadas pelos cortes.
O plano aprovado pelo conselho de administração prevê que a maior parcela dos gastos com rescisões ocorra entre o segundo e o quarto trimestres de 2026. A companhia espera que as medidas gerem maior eficiência operacional a médio prazo.
Foco em inovação com novo processador GP3
Mesmo com a redução de equipe, a GoPro demonstra otimismo em relação ao futuro. A empresa aposta no processador GP3, de próxima geração e com recursos centrados em inteligência artificial, para impulsionar um novo ciclo de produtos. Esse chip promete o dobro de potência de processamento de pixels em comparação ao antecessor, além de melhor desempenho em baixa luminosidade.
As primeiras câmeras equipadas com o GP3 devem chegar ao mercado nos próximos meses. A tecnologia será aplicada em câmeras de ação, modelos 360 graus, equipamentos para vlog e opções premium compactas de cinema. A apresentação de novidades está prevista para eventos do setor ainda em 2026.
Detalhes do cronograma de implementação
O processo de reestruturação inicia formalmente no segundo trimestre de 2026. A maior parte dos cortes deve ocorrer de forma gradual até dezembro. A GoPro informou que comunicará os detalhes aos funcionários afetados conforme o cronograma avançar.
A companhia reforçou que a medida é global e abrange diferentes funções na organização. Até o momento, não há informações sobre o impacto em unidades específicas fora dos Estados Unidos.
Expectativas para os lançamentos futuros
A introdução do GP3 representa um dos principais pilares da estratégia de recuperação. O processador inclui unidade de processamento neural dedicada para reconhecimento de cenas e detecção de sujeitos, o que deve elevar a qualidade de imagem e a eficiência energética. A GoPro destaca que o novo hardware abre caminho para aplicações profissionais em formatos menores.
A empresa planeja ampliar a linha de produtos além das câmeras tradicionais de ação, buscando maior participação em nichos como vlogging e cinema compacto de alto padrão.
Contexto de mercado para câmeras de ação
O segmento de câmeras portáteis enfrenta saturação e avanço de concorrentes com soluções integradas em smartphones e drones. A GoPro busca diferenciar-se por meio de hardware especializado e integração de inteligência artificial para edição automática e estabilização avançada.
A redução de custos ocorre em paralelo a investimentos em pesquisa e desenvolvimento para os novos modelos. A companhia não forneceu projeções financeiras detalhadas para 2026 além dos impactos imediatos do plano de reestruturação.
Cortes afetam estrutura atual de 631 funcionários
Com 631 empregados ao final do primeiro trimestre, a saída de 145 pessoas deixará a empresa com cerca de 486 colaboradores após a conclusão do processo. A GoPro indicou que os cortes visam reduzir despesas operacionais sem comprometer as áreas estratégicas de inovação.
A medida foi comunicada por meio de arquivo regulatório junto à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. A empresa segue listada em bolsa e deve atualizar o mercado sobre os avanços do plano nos próximos trimestres.