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Richarlison revela depressão após Copa de 2022 e pensamentos de morte em desabafo

Richarlison
Richarlison - Cesar Ortiz Gonzalez/ shutterstock.com

O atacante Richarlison, do Tottenham e da Seleção Brasileira, revelou em entrevista detalhada à revista France Football que enfrentou um quadro severo de depressão após a Copa do Mundo de 2022. O jogador de 28 anos descreveu o período como o momento mais difícil de sua vida, marcado por uma combinação de frustrações esportivas e problemas de ordem pessoal.

A crise emocional do atleta atingiu o ápice com pensamentos autodestrutivos durante atividades cotidianas. Richarlison relatou que chegou a considerar jogar o próprio carro contra uma parede enquanto dirigia, evidenciando a gravidade do sofrimento mental que o acompanhou por cerca de um ano e meio após o torneio disputado no Catar.

O impacto da eliminação e crises pessoais

A descompressão após a saída precoce do Brasil no Mundial de 2022 serviu como gatilho para uma série de eventos negativos na vida do atacante. De acordo com o relato do jogador, a dor da eliminação nos gramados foi rapidamente acompanhada por problemas físicos recorrentes que o impediram de manter a regularidade no futebol inglês. Somado a isso, questões familiares e a descoberta de uma traição financeira por parte de seu antigo empresário agravaram o cenário de instabilidade emocional.

Richarlison descreveu esse intervalo de tempo como uma sucessão de golpes diários que minaram sua resistência psicológica. O jogador afirmou que a sensação era de estar em um poço sem fundo, onde as soluções pareciam distantes e a pressão externa do esporte de alto rendimento tornava a recuperação ainda mais complexa. O isolamento emocional foi um dos principais obstáculos enfrentados pelo “Pombo”, apelido pelo qual é conhecido mundialmente.

Recuperação através da terapia e suporte familiar

O processo de reabilitação do jogador envolveu uma mudança drástica de postura em relação à saúde mental e à gestão de sua carreira. A rede de apoio fundamental para sua melhora incluiu:

  • Acompanhamento psicológico profissional e contínuo.
  • Auxílio jurídico de um novo advogado para organizar seu patrimônio.
  • Suporte emocional constante da atual esposa.
  • Foco em procedimentos médicos para sanar lesões crônicas.
  • Distanciamento de influências negativas em seu círculo íntimo.

O atacante destacou que a ajuda profissional foi determinante para que ele mudasse a perspectiva sobre os problemas que o cercavam. Atualmente, ao olhar para trás, Richarlison avalia que os pensamentos negativos do passado não fazem mais sentido diante da estabilidade que conquistou. A organização de seus bens e a resolução de pendências burocráticas também trouxeram a paz necessária para que ele voltasse a se concentrar exclusivamente no desempenho dentro de campo.

Origens e resistência ao crime na infância

Além de abordar o passado recente, o jogador relembrou as dificuldades enfrentadas durante a infância e adolescência em Nova Venécia, no Espírito Santo. O ambiente onde cresceu era cercado pela violência e pela oferta constante do tráfico de drogas, o que exigiu resiliência e base familiar para evitar caminhos ilícitos. Richarlison revelou que chegou a manusear armas de fogo naquele período, mas que a educação recebida dos pais o manteve longe da criminalidade.

O relato sobre suas raízes serve como um contraponto à vida de sucesso na Europa, reforçando que o dinheiro e a fama não blindam o ser humano contra crises de saúde mental. Ele lamentou o destino de amigos de infância, citando que muitos estão mortos ou detidos, enquanto reforça o sentimento de gratidão por ter seguido a carreira esportiva. O desabafo é visto por especialistas como um passo importante para quebrar o tabu sobre depressão no ambiente altamente competitivo do futebol profissional.

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