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Sistemas do INSS geram prejuízo de R$ 233,2 milhões e impedem 1,75 milhão de análises

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INSS - rafastockbr / Shutterstock.com

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estima um prejuízo de R$ 233,2 milhões devido a falhas recorrentes em seus sistemas operacionais. Esses problemas afetaram diretamente a capacidade produtiva da autarquia. A Dataprev, empresa de tecnologia responsável pelos sistemas, é apontada como a gestora dessas ferramentas.

Uma nota técnica conjunta, que cobre o período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2026, revelou que entre 5% e 15% das análises de benefícios foram comprometidas. Em alguns meses, o impacto chegou a quase 40%. As instabilidades são consideradas um fator crucial para a demora na redução da fila de processos.

Detalhes do impacto e custo das falhas

O prejuízo financeiro estimado pelo INSS, de R$ 233,2 milhões, corresponde aos custos de remuneração dos servidores que ficaram impossibilitados de trabalhar. Embora estivessem disponíveis para suas funções, esses profissionais não puderam realizar as análises de aposentadorias, pensões e auxílios devido à paralisação das ferramentas tecnológicas. A nota técnica interna, datada de 17 de março, detalha como a interrupção nos serviços da Dataprev causou essa perda.

Esse entrave com a Dataprev foi um dos fatores que contribuíram para a demissão do ex-presidente do órgão, Gilberto Waller. Ele deixou a função na segunda-feira (13) e foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira. A mudança na liderança reflete a urgência do governo em resolver os problemas que afetam a eficiência do instituto.

Fila de benefícios e capacidade produtiva comprometida

O relatório técnico sublinha que os problemas tecnológicos são um dos principais obstáculos para o avanço das filas do INSS. Durante os 15 meses analisados, aproximadamente 1,75 milhão de processos deixaram de ser examinados em consequência direta das falhas nos sistemas. Essa paralisação das ferramentas de trabalho representou uma perda de cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período.

Esse represamento contribui significativamente para o estoque de pedidos pendentes, que ao final de fevereiro de 2026, alcançou a marca de 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise. A situação gera grande impacto para milhões de cidadãos que dependem da agilidade do órgão para acessar seus direitos previdenciários e assistenciais. Um levantamento recente com base em dados oficiais do INSS revelou que, no primeiro semestre de 2025, falhas nos sistemas foram registradas em pelo menos 67 dias. Em algumas ocasiões, os sistemas permaneceram inoperantes por horas ou até mesmo por dias consecutivos, agravando ainda mais a situação.

Períodos críticos de instabilidade

Os dados da nota técnica mostram que as instabilidades não foram distribuídas de forma uniforme, com picos de gravidade onde a operação dos sistemas foi severamente afetada. A capacidade de resposta do INSS às demandas da sociedade foi drasticamente reduzida nesses momentos.

Os meses com maior impacto na produtividade foram:

  • Fevereiro de 2026: 39,8% de impacto sobre a produção.
  • Julho de 2025: 38,9% de impacto.
  • Novembro de 2025: 28,6% de impacto.

Nesses períodos, a eficiência na concessão de benefícios previdenciários e assistenciais diminuiu consideravelmente, prolongando o tempo de espera para os cidadãos. A recorrência de falhas em percentuais tão elevados demonstra uma fragilidade significativa na infraestrutura tecnológica que suporta as operações do INSS.

INSS busca responsabilização da Dataprev

Diante do diagnóstico apresentado, o INSS está avaliando o fortalecimento de medidas de gestão contratual para responsabilizar a Dataprev pelas perdas. A nota técnica sugere o encaminhamento dos autos à Procuradoria Federal Especializada para investigar os fundamentos jurídicos que permitam a cobrança dos prejuízos causados pelas instabilidades.

Para a administração do Instituto, a regularidade dos sistemas é uma condição crítica para o cumprimento de suas atribuições e para assegurar o acesso tempestivo dos brasileiros aos seus direitos. Além da dimensão operacional e financeira, as falhas impactam a própria imagem institucional e a capacidade de resolução do serviço prestado ao cidadão, gerando desconfiança e frustração.

Posicionamento da Dataprev

Em nota oficial, a Dataprev afirmou não ter tido acesso à nota técnica interna do INSS, datada de 17 de março. A empresa declarou desconhecer a metodologia e os critérios utilizados para estimar o suposto prejuízo financeiro ao erário em razão dos “incidentes sistêmicos” mencionados na reportagem. A Dataprev ressaltou que, nos contratos firmados com o INSS, opera com Acordos de Nível de Serviço (ANS), baseados em métricas de mercado de TI, que estabelecem metas de disponibilidade das aplicações de 98%.

A empresa também esclareceu que o INSS possui dezenas de serviços, e que não é adequado somar os tempos dos incidentes, pois se tratam de ocorrências pontuais, em serviços específicos, e de curta duração média. Entre 2024 e 2025, a Dataprev registrou disponibilidade superior a 96% nas medições realizadas nos serviços prestados. Em 2026, até meados do mês de março, a empresa afirma não ter identificado quebras de ANS, com o valor mínimo de disponibilidade apurado nos serviços sendo de 98,50%. Os contratos também preveem a aplicação de penalidades em caso de descumprimento de cláusulas contratuais. A Dataprev ainda destacou que, para um diagnóstico completo de eventuais instabilidades, é necessário considerar fatores externos, como infraestruturas locais e condições de conectividade das redes de acesso, sobre as quais a empresa não possui controle nem visibilidade. Há 51 anos, a Dataprev processa em dia os pagamentos dos benefícios previdenciários para mais de 42 milhões de cidadãos, sem atrasos.

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