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Irã condena mulher à morte pela primeira vez em protestos de janeiro

Bandeira do Irã
Bandeira do Irã - Marius Karp/ Shutterstock.com

O Irã condenou à morte por enforcamento Bita Hemmati, a primeira mulher sentenciada em conexão com os protestos que ocorreram em janeiro deste ano no país. Ela e o marido Mohammadreza Majidi-Asl receberam a mesma pena, junto com Behrouz Zamaninejad e Kourosh Zamaninejad. O Tribunal Revolucionário de Teerã, na filial 26, presidido pelo juiz Iman Afshari, emitiu a decisão. As quatro pessoas foram detidas no mesmo prédio residencial em Teerã.

As condenações incluem ainda cinco anos de prisão por assembleia e conluio contra a segurança nacional, além da confiscação de todos os bens dos condenados. As acusações principais envolvem ações operacionais em favor do governo dos Estados Unidos e de grupos hostis, segundo relatos de organizações de direitos humanos. Bita Hemmati aparece em vídeo transmitido pela televisão estatal durante interrogatório pela Guarda Revolucionária Islâmica em janeiro. A data exata da execução ainda não foi divulgada.

Sentença emitida pelo tribunal revolucionário

O caso envolve quatro pessoas detidas durante os protestos de janeiro. Mohammadreza Majidi-Asl e Bita Hemmati formam um casal. Behrouz e Kourosh Zamaninejad são irmãos. Todos residiam no mesmo edifício e foram presos em 9 de janeiro. O veredito foi comunicado aos réus recentemente.

As autoridades os consideraram culpados de atirar objetos, incluindo blocos de concreto, de um prédio contra forças de segurança durante as manifestações. Relatos indicam que as provas incluíram confissões obtidas sob interrogatório. Organizações monitoram o processo e apontam para ausência de devido processo legal, com julgamentos rápidos e sem acesso pleno a defesa independente.

Bita Hemmati - Reprodução/X
Bita Hemmati – Reprodução/X

Acusações e contexto dos protestos

Os protestos de janeiro ocorreram em várias partes do Irã. As manifestações envolveram milhares de pessoas e foram marcadas por confrontos com forças de segurança. As quatro pessoas participaram de atos específicos, como lançar itens de residências, conforme as acusações oficiais.

O tribunal atribuiu aos réus colaboração com entidades estrangeiras hostis. Bita Hemmati seria a primeira mulher condenada à morte diretamente ligada a esses eventos de janeiro. Até o momento, sete pessoas já foram executadas em conexão com os mesmos protestos, de acordo com dados de monitoramento.

  • Mohammadreza Majidi-Asl e Bita Hemmati, casal condenado à morte
  • Behrouz Zamaninejad e Kourosh Zamaninejad, irmãos também sentenciados
  • Acusações de atos contra forças de segurança durante protestos de janeiro
  • Sentença adicional de cinco anos de prisão e confiscação total de bens
  • Julgamento conduzido pela filial 26 do Tribunal Revolucionário de Teerã

Número de execuções no Irã em 2025

Organizações internacionais registraram alto volume de execuções no Irã ao longo de 2025. O total chegou a pelo menos 1.639 pessoas enforcadas no ano passado, o maior número desde 1989. O índice representa aumento de 68% em relação a 2024, quando foram registradas 975 execuções.

O relatório conjunto de duas entidades aponta que o número inclui 48 mulheres. Os dados consideram apenas casos confirmados por múltiplas fontes independentes e representam um mínimo absoluto. Autoridades iranianas não divulgam estatísticas oficiais completas sobre o tema.

Preocupações com o sistema judicial

Grupos de direitos humanos relatam que muitos julgamentos ligados aos protestos ocorrem de forma acelerada. Há menções frequentes ao uso de confissões obtidas sob pressão ou tortura. O acesso a advogados independentes é limitado nos processos conduzidos por tribunais revolucionários.

Bita Hemmati e os outros três condenados permanecem sob risco de execução iminente. A data programada ainda não foi informada publicamente. O caso atrai atenção internacional por marcar a primeira condenação à morte de uma mulher manifestante nos eventos recentes.

Monitoramento internacional do caso

Entidades como a Human Rights Activists News Agency e o Centro Abdorrahman Boroumand acompanham o andamento. Elas obtiveram cópia do veredito e divulgaram detalhes sobre as acusações e as penas. O foco recai sobre a transparência e as condições dos processos judiciais.

O Irã enfrenta críticas recorrentes por elevar o uso da pena de morte em períodos de instabilidade política. As execuções ligadas a protestos fazem parte de um padrão mais amplo observado ao longo dos últimos meses.

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