Helmut Marko, ex-assessor da Red Bull, criticou as novas regras da Fórmula 1 que entram em vigor em 2026. Ele apontou que o equilíbrio quase igual entre motor de combustão e parte elétrica criou problemas práticos na pilotagem. O austríaco disse que o regulamento leva a ultrapassagens artificiais e reduz o papel da habilidade do piloto. Mesmo assim, ele acredita que é possível encontrar soluções para os pontos fracos identificados.
As declarações ocorreram em meio a discussões sobre o futuro da categoria. Marko mencionou situações vistas no Japão, como diferenças de velocidade de até 50 km/h entre carros em diferentes modos de energia. Ele concordou com comentários de Lewis Hamilton sobre gerenciamento de energia, mas reforçou que isso afasta a Fórmula 1 do conceito de ter o piloto mais rápido na melhor máquina como vencedor.
Críticas ao equilíbrio de potência
Helmut Marko afirmou que o problema principal está na divisão próxima de 50% entre potência do motor de combustão interna e a parte elétrica. Ele lembrou que as regras foram definidas há dois anos, quando a visão dominante era de que a eletrificação seria o único caminho. Desde então, o cenário mudou com a chegada de combustíveis sem emissão de carbono e o retorno do motor de combustão em maior evidência.
O consultor destacou que, na prática, o sistema exige que os pilotos gerenciem energia de forma constante, com ações como levantar o pé cedo ou realizar recuperações de energia em momentos específicos. Isso impede que os carros sejam pilotados no limite durante toda a volta. Ele citou que a bateria precisa ser carregada, mas os trechos disponíveis para isso nem sempre são suficientes.
Marko também alertou para riscos de segurança. Em um exemplo do Grande Prêmio do Japão, um piloto em modo de boost passou por outro em fase de recuperação de energia, criando diferença de velocidade significativa. Ele disse que situações assim precisam ser evitadas porque simulam um carro praticamente parado na visão do outro.
Expectativa de ajustes no regulamento
Apesar das críticas, Helmut Marko expressou confiança de que soluções serão encontradas. Ele defendeu que os pontos fracos do regulamento sejam corrigidos o máximo possível. Reuniões já ocorreram e novas estão agendadas para tratar do tema, incluindo encontros de grupos esportivo e técnico nos próximos dias.
Ele sugeriu que o desenvolvimento agora deve focar mais em aspectos de software, mas insistiu que o equilíbrio precisa ser revisto. Marko comentou que o regulamento atual pode ter deixado passar alguns detalhes importantes. Na visão dele, o objetivo é trazer de volta o foco na pilotagem e no desempenho puro da máquina.
O austríaco reforçou que o clima entre os pilotos é de insatisfação com o novo formato. Ele defendeu mudanças rápidas para reduzir a dependência excessiva da bateria e dar mais peso ao motor de combustão. Segundo ele, o que se vê hoje não corresponde ao que a Fórmula 1 sempre representou.
- O equilíbrio de potência fica próximo de 50% entre combustão e elétrico
- Ultrapassagens ocorrem muitas vezes de forma artificial por diferença de energia
- Gerenciamento de bateria exige ações que limitam pilotagem no limite
- Reuniões técnicas e esportivas foram marcadas para discutir correções
- Combustíveis neutros em carbono ganharam espaço desde a definição das regras

Impacto no estilo de pilotagem
Helmut Marko concordou que o piloto que melhor gerencia energia tende a ter vantagem. No entanto, ele considerou que isso distancia a categoria do que deveria ser o espírito da Fórmula 1. Na opinião dele, a vitória precisa voltar a premiar o melhor piloto no melhor carro, e não quem programa melhor o software ou administra melhor a carga da bateria.
Ele descreveu algumas ultrapassagens como meros “passar por cima” em vez de manobras reais. O consultor usou termos como artificial para classificar o resultado desse tipo de dinâmica. Ele defendeu que o esporte deve priorizar a velocidade pura e a habilidade humana sobre algoritmos de energia.
Marko mencionou que os pilotos sentem o impacto direto dessas mudanças. O novo regulamento obriga a levantar o pé do acelerador mais cedo em trechos de reta ou a realizar downshifts para recuperar energia. Essas ações reduzem a fluidez da pilotagem e o prazer de guiar no limite.
Reuniões da FIA e calendário de discussões
A FIA e os times iniciaram debates sobre possíveis ajustes. Uma primeira reunião sobre correções ocorreu no dia 9 de abril. Novas discussões estão previstas para o dia 20 de abril, com foco em mudanças para esta temporada e a próxima.
Antes disso, o grupo esportivo se reúne no dia 15 de abril e o grupo técnico no dia 16. O objetivo é avaliar o que pode ser feito para melhorar o regulamento sem comprometer a segurança ou os objetivos de sustentabilidade. Helmut Marko acompanhou esses movimentos e manifestou otimismo de que avanços virão.
Ele lembrou que o regulamento buscou atrair novos fabricantes, como Audi e General Motors, e reforçar a presença de outros, como Honda e Ford. Mesmo com esses ganhos, ele avalia que ajustes são necessários para equilibrar melhor os aspectos técnicos e esportivos.
Visão sobre o futuro da categoria
Helmut Marko reconheceu aspectos positivos no novo regulamento, como potencial para mais ação em pista em alguns cenários. Ainda assim, ele insistiu que o equilíbrio atual precisa de revisão para evitar que o gerenciamento de energia domine as corridas.
Ele defendeu que a Fórmula 1 mantenha seu DNA de alta performance e habilidade ao volante. O consultor disse que o tempo dado ao novo regulamento deve servir para identificar e corrigir falhas de forma prática. Na visão dele, o esporte evolui, mas não pode perder o que o torna único.
As declarações reforçam o debate aberto na paddock sobre as regras de 2026. Várias vozes têm apontado desafios semelhantes, e as reuniões técnicas devem ajudar a definir o caminho adiante.