A sonda JUICE da Agência Espacial Europeia detectou vapor de água saindo do cometa interestelar 3I/ATLAS. As medições ocorreram em novembro de 2025, poucos dias após o cometa atingir o ponto mais próximo do Sol. O objeto liberava cerca de duas toneladas de água por segundo em alguns momentos, volume equivalente a 70 piscinas olímpicas por dia.
A detecção aconteceu quando a sonda seguia rumo a Júpiter e passou relativamente perto do cometa. Instrumentos como o espectrômetro MAJIS e o instrumento de onda submilimétrica SWI registraram a atividade. Parte significativa do vapor não saía diretamente do núcleo sólido, mas de grãos de gelo na coma, a nuvem de poeira e gás ao redor do objeto.

Detalhes da detecção pela sonda JUICE
A sonda ativou cinco instrumentos científicos para observar o cometa entre os dias 2 e 25 de novembro de 2025. Em 2 de novembro, quatro dias após o periélio, o MAJIS identificou uma taxa de 2.000 quilos de vapor de água por segundo. Esse valor corresponde a cerca de 70 piscinas olímpicas diárias.
O instrumento SWI confirmou que a maior parte do vapor saía do lado voltado para o Sol. Análises indicam que grãos de gelo ejetados para a coma sublimam e contribuem para a liberação total. A sonda estava a cerca de 60 milhões de quilômetros do cometa no ponto mais próximo.
A equipe continua a processar os dados completos, com parte das informações chegando à Terra em fevereiro de 2026 devido a limitações de transmissão durante a fase de proteção térmica.
Características do cometa interestelar 3I/ATLAS
O cometa 3I/ATLAS, também designado C/2025 N1 (ATLAS), é o terceiro objeto interestelar confirmado que passa pelo Sistema Solar. Sua trajetória hiperbólica indica origem fora do nosso sistema. O ATLAS, telescópio financiado pela NASA no Chile, detectou o objeto em 1º de julho de 2025.
Na época da descoberta, o cometa estava a cerca de 4,5 unidades astronômicas do Sol e se movia a aproximadamente 61 quilômetros por segundo em relação ao Sol. O periélio ocorreu por volta de 29 ou 30 de outubro de 2025, a cerca de 1,4 unidade astronômica, pouco dentro da órbita de Marte. O objeto não representa risco para a Terra, com a aproximação mínima ao planeta em torno de 1,8 unidade astronômica.
Observações anteriores, incluindo de telescópios terrestres e outros instrumentos, já haviam indicado atividade no cometa ainda longe do Sol. Medições de produção de água variaram conforme a distância heliocêntrica, com valores em torno de 40 quilos por segundo em distâncias maiores e aumentos próximos ao periélio.
Composição e mecanismo de liberação de água
O cometa apresenta composição distinta de cometas do Sistema Solar, com proporção elevada de dióxido de carbono em relação à água. Parte da água liberada vem de sublimação secundária de grãos gelados na coma, e não apenas da superfície do núcleo.
Essa dinâmica ajuda a explicar a atividade observada. O mecanismo envolve ejeção de partículas de gelo que depois liberam vapor ao serem aquecidas pela radiação solar. Estudos preliminares indicam que a fração de água de fontes estendidas pode chegar a 80% antes do periélio e reduzir para cerca de 50% mais perto do Sol.
- O cometa liberou cerca de 2.000 kg de vapor de água por segundo em 2 de novembro de 2025
- A maior parte da liberação ocorreu no lado voltado para o Sol
- Grãos de gelo na coma contribuíram significativamente para o total de água detectada
- A taxa não é considerada excepcional para cometas próximos ao Sol, mas se destaca pela origem interestelar
- Instrumentos da JUICE incluíram MAJIS e SWI para medições espectrais
Observações complementares de outras missões
Outras observações de telescópios terrestres e espaciais acompanharam o cometa ao longo de sua passagem. Dados de espectroscopia detectaram hidroxila, indicativo indireto de água, mesmo quando o objeto ainda estava a mais de 2,5 unidades astronômicas do Sol.
A missão JUICE aproveitou a posição favorável durante sua viagem para coletar imagens e dados. A câmera de navegação da sonda também registrou o cometa. Essas imagens preliminares mostram a coma e fluxos de gás e poeira.
O cometa continua em trajetória de saída do Sistema Solar após passar pela região de Júpiter. Ele não retornará, pois sua velocidade excede a necessária para permanecer ligado gravitacionalmente ao Sol.
Implicações para o estudo de objetos interestelares
A passagem de 3I/ATLAS oferece oportunidade rara para comparar cometas formados em outros sistemas estelares com os do nosso. A detecção de água e outros voláteis ajuda a entender condições de formação em ambientes distantes.
Cientistas analisam se a composição rica em dióxido de carbono reflete origem em regiões mais frias ou quimicamente distintas. Os dados da JUICE contribuem para modelos de atividade cometária em objetos hiperbólicos.
A sonda segue sua missão principal rumo às luas geladas de Júpiter, com chegada prevista para 2031. As observações do cometa representam um bônus científico durante a viagem.