A China manteve presença elevada de navios da guarda costeira e embarcações menores armadas em águas próximas ao Segundo Banco Thomas, conhecido como Ayungin Shoal pelas Filipinas. O local fica dentro da zona econômica exclusiva filipina nos arquipélagos Spratly. Relatos recentes apontam movimentação incomum de forças marítimas chinesas na região.
O BRP Sierra Madre continua ancorado ali desde 1999 para marcar a reivindicação territorial de Manila. Tropas filipinas realizam missões periódicas de rotação e reabastecimento ao contingente a bordo. Imagens de satélite e monitoramento naval mostram navios chineses em exercícios e bloqueios próximos ao shoal.
Movimentações chinesas chamam atenção de Manila
A Força Armada das Filipinas observou aumento de embarcações da guarda costeira chinesa e pequenos botes rígidos infláveis equipados com armamento nos arredores do Segundo Banco Thomas em agosto de 2025. Um desses botes carregava uma metralhadora montada. Tropas filipinas a bordo do Sierra Madre registraram a atividade por monitoramento direto e sistemas de vigilância.
A presença incluiu manobras com múltiplas unidades. Autoridades filipinas descreveram o movimento como incomum e monitoraram de perto para evitar incidentes. Nenhum choque direto ocorreu nessa ocasião específica, mas o episódio reforçou preocupações sobre segurança na rota de reabastecimento.
- Navios da guarda costeira chinesa operaram em formação próxima ao shoal.
- Pequenos botes armados realizaram exercícios com apoio aéreo não tripulado.
- Tropas filipinas bloquearam aproximação de uma embarcação chinesa com dois botes de borracha.
- Atividade ocorreu em período de tensão mais ampla na região.
- Filipinas mantiveram vigilância constante a partir do Sierra Madre.
Histórico de confrontos no shoal
Choques entre embarcações chinesas e filipinas marcaram missões de reabastecimento nos últimos anos. Em junho de 2024, um incidente envolveu abordagem agressiva, colisão e uso de ferramentas por pessoal chinês contra botes filipinos. Oito militares filipinos ficaram feridos, um deles com perda de um dedo. Manila e Pequim depois firmaram um arranjo provisório para facilitar as missões.
Mesmo com o acordo, episódios de bloqueio, canhões d’água e manobras perigosas continuaram em outras áreas do Mar do Sul da China, como Scarborough Shoal e Sabina Shoal. Em 2025, relatos incluíram uso de canhões d’água contra barcos pesqueiros filipinos e presença elevada de navios chineses em vários pontos.
O shoal fica a cerca de 200 milhas náuticas da ilha de Palawan e dentro da zona econômica exclusiva filipina de 200 milhas. A China reivindica soberania sobre quase todo o mar com base em linhas históricas que o tribunal internacional rejeitou em 2016.

Decisão arbitral de 2016 e posição chinesa
O Tribunal Permanente de Arbitragem em Haia decidiu em julho de 2016 que as reivindicações históricas chinesas dentro da chamada linha de nove traços não têm base legal sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O veredicto favoreceu a Filipinas em quase todos os pontos apresentados. Pequim rejeitou a autoridade do tribunal e não aceitou o resultado.
A sentença esclareceu que certas feições marítimas, como recifes submersos, não geram zonas marítimas próprias. Atividades de dragagem e construção em recifes também violaram obrigações ambientais e de segurança marítima, segundo o tribunal. A China seguiu com expansão de ilhas artificiais em Paracel e Spratly, incluindo instalações portuárias, pistas de pouso e radares.
Imagens de satélite recentes mostram continuidade de obras em recifes como Antelope Reef, com dragagem e estruturas novas. Essas ações ocorrem em paralelo a operações de guarda costeira em shoals disputados.
Filipinas ampliam laços de defesa com parceiros
O presidente Ferdinand Marcos Jr. reforçou parcerias de segurança após assumir o cargo em 2022. Manila ampliou acesso de bases americanas, realizou exercícios conjuntos e recebeu apoio em equipamentos. Os Estados Unidos confirmaram que o Tratado de Defesa Mútua de 1951 se aplica a ataques contra forças, navios ou aeronaves filipinas no Mar do Sul da China.
O Japão forneceu embarcações e equipamentos de vigilância marítima para a guarda costeira e marinha filipina. Exercícios multilaterais com Estados Unidos, Japão e outros países ocorreram em águas da zona econômica exclusiva filipina. Essas atividades visam melhorar capacidade de monitoramento e resposta.
- Aumento de acessos a bases sob acordo de cooperação de defesa aprimorada com os EUA.
- Transferência de equipamentos de segurança marítima do Japão para Filipinas e Vietnã.
- Exercícios navais conjuntos com participação de forças americanas, japonesas e filipinas.
- Diálogo bilateral com China para gestão de incidentes, sem resolução plena das reivindicações.
- Monitoramento constante por satélite e patrulhas aéreas e navais.
Recursos naturais e rotas comerciais em jogo
O Mar do Sul da China abriga reservas estimadas de petróleo e gás natural, além de áreas ricas em pesca. Rotas marítimas que passam pela região carregam trilhões de dólares em comércio global anual. Liberdade de navegação nessas águas interessa a vários países, inclusive aqueles sem reivindicações diretas de soberania.
A China construiu instalações militares em ilhas artificiais, com capacidade para abrigar aviões de combate, mísseis e sistemas de radar. Esses postos ampliam o alcance operacional chinês. Países vizinhos, incluindo Filipinas, Malásia e Vietnã, mantêm suas próprias posições em feições marítimas.
Negociações para um código de conduta entre China e Associação das Nações do Sudeste Asiático seguem em andamento há anos. Avanços ocorreram em algumas rodadas, mas diferenças persistem sobre obrigações vinculantes e escopo geográfico.
Situação atual e monitoramento
Missões filipinas de reabastecimento ao Sierra Madre continuaram em 2025 e 2026, com algumas realizadas sem incidentes maiores após o arranjo provisório. Autoridades filipinas relatam persistência de presença chinesa elevada em vários shoals. O monitoramento inclui dados de satélite, patrulhas e relatos de pescadores locais.
Diplomatas dos dois lados mantiveram contatos para evitar escalada. Ao mesmo tempo, Manila busca fortalecer capacidades próprias e laços com parceiros externos. A região segue como ponto de atenção para segurança marítima no Indo-Pacífico.