Brasil

Placas Mercosul podem ganhar nome de cidade e estado de volta em projeto no Congresso

placas de carro
placas de carro - Joa Souza/Shutterstock.com

Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional prevê a inclusão do nome do município, da sigla do estado e da bandeira da unidade federativa nas placas veiculares. O texto altera o Código de Trânsito Brasileiro e já recebeu aprovação em comissão na Câmara dos Deputados. A medida combina elementos do atual padrão Mercosul com informações que existiam no modelo anterior.

O projeto de lei 3214 de 2023 é de autoria do senador Esperidião Amin, do Progressistas de Santa Catarina. Ele argumenta que a identificação geográfica facilita o trabalho de autoridades em casos de infrações, roubos, furtos e outros crimes. A proposta também menciona benefícios para o senso de pertencimento regional e maior cautela no trânsito quando motoristas identificam veículos de outras localidades.

Avanço na tramitação do projeto

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o texto nesta semana. O relator defendeu a mudança como forma de auxiliar a fiscalização sem alterar o sistema de letras e números do padrão Mercosul. Agora a proposta segue para análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O projeto já havia sido aprovado no Senado Federal em 2024. Desde a apresentação em 2023, ele tramita com o objetivo de modificar a Lei 9503 de 1997. Caso avance em todas as etapas e seja sancionado, a norma entrará em vigor um ano após a publicação.

Argumentos apresentados pelo autor

O senador Esperidião Amin defende que a ausência de identificação geográfica nas placas atuais prejudica a localização rápida de veículos em situações de irregularidade. Ele cita casos em que a informação ajuda a identificar motoristas com documentação vencida ou envolvidos em transporte ilícito.

Além disso, a proposta busca reforçar a identidade local. Segundo o autor, a presença do nome da cidade e do estado nas placas contribui para o orgulho regional e pode influenciar o comportamento no trânsito, com maior atenção a veículos de fora.

  • Facilitação da fiscalização de infrações de trânsito por autoridades viárias
  • Auxílio em investigações de roubos e furtos de veículos
  • Identificação mais rápida de documentos vencidos ou irregularidades
  • Reforço ao senso de pertencimento da população com o município de origem
  • Possível aumento da cautela de motoristas locais ao verem placas de outras regiões
Placa Mercosul
Placa Mercosul – Foto: Leonidas Santana / Shutterstock.com

Histórico das mudanças nas placas brasileiras

O Brasil adotou a identificação de município e estado nas placas pela primeira vez em 1959. Essa característica permaneceu ao longo de décadas, mesmo com alterações no formato, cores e combinação de letras e números.

Em 2018, com a implementação gradual do padrão Mercosul, o nome da cidade e a sigla do estado deixaram de aparecer. O novo modelo unificou o visual entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com foco em padronização internacional. As placas passaram a incluir um QR Code para consulta digital de dados completos do veículo.

A transição ocorreu de forma paulatina. Veículos novos ou que precisavam de emplacamento por transferência de propriedade ou mudança de endereço adotaram o modelo Mercosul. O sistema atual mantém a placa vinculada ao veículo por toda a sua vida útil, sem obrigatoriedade de troca apenas por mudança de residência.

O que muda caso o projeto seja aprovado

Se o texto virar lei, as novas placas incluirão o nome do município de registro, a sigla do estado e a bandeira da unidade federativa. A combinação de letras e números permanece a mesma do padrão Mercosul. A mudança não exige troca imediata das placas já em circulação.

A adaptação deve ocorrer de forma gradual, semelhante ao que aconteceu na implementação do modelo atual. Proprietários só precisariam atualizar o emplacamento em situações como transferência de propriedade, reposição por dano ou furto, ou quando o veículo novo for registrado.

O projeto não detalha custos adicionais para os motoristas. Quando o padrão Mercosul entrou em vigor, os proprietários arcavam com a despesa em casos de emplacamento obrigatório.

Situação atual das placas no país

O padrão Mercosul completou dez anos de adoção no Brasil em 2026. Ele é obrigatório para veículos novos e em casos específicos de atualização cadastral. Placas antigas cinza continuam válidas enquanto estiverem em bom estado e sem necessidade de substituição.

Não existe prazo nacional para troca obrigatória de todas as placas antigas. A obrigatoriedade se aplica principalmente a transferências, mudanças de município ou reposições. O sistema atual permite circulação livre entre países do Mercosul com o mesmo modelo de identificação.

O debate sobre o retorno da identificação geográfica reacende discussões antigas sobre o equilíbrio entre padronização internacional e necessidades locais de fiscalização e identidade.

Detalhes técnicos da proposta

O texto prevê que as placas informem o município e o estado onde o veículo está registrado. A bandeira da unidade federativa também deve constar. Essas informações se somam aos elementos já presentes no padrão Mercosul, sem eliminar o QR Code ou o formato atual.

Especialistas em trânsito acompanham a tramitação porque a mudança pode afetar a percepção visual das placas e o trabalho de agentes de fiscalização. Até o momento, não há definição sobre o design exato ou o processo de implementação em larga escala.

A proposta permanece em análise na Câmara dos Deputados. Seu avanço depende de aprovação nas comissões restantes e, eventualmente, no plenário.

To Top