A piloto francesa Doriane Pin alcançou um marco histórico para o automobilismo feminino ao assumir o volante de um carro da Mercedes neste sábado, 18 de abril. O teste aconteceu no circuito de Silverstone, na Inglaterra, utilizando o modelo W12, veículo que disputou a temporada de 2021 da Fórmula 1. Com a atividade, a atual campeã da F1 Academy se tornou a primeira mulher a conduzir um monoposto da escuderia alemã em um treino oficial de desenvolvimento.
O evento encerra um período de três anos sem mulheres pilotando carros da principal categoria do mundo em sessões de pista. A última vez que o fato ocorreu foi em 2023, quando Jessica Hawkins realizou um teste privado com a Aston Martin. A movimentação de Pin em Silverstone reforça os esforços de integração de talentos femininos através do programa de jovens pilotos da Mercedes, no qual a francesa está inserida desde sua ascensão nas categorias de base.
Desempenho técnico com o modelo W12 de 2021
O carro escolhido para a sessão de testes carrega um simbolismo técnico elevado dentro da garagem de Brackley. O Mercedes-AMG F1 W12 E Performance foi o bólido que garantiu o oitavo título consecutivo de construtores para a marca, além de ter levado Lewis Hamilton ao vice-campeonato mundial após a decisão em Abu Dhabi. Pin percorreu dezenas de voltas no traçado britânico para adaptação aos sistemas de recuperação de energia e à carga aerodinâmica superior dos modelos de Fórmula 1.
A preparação para este dia envolveu meses de sessões intensas no simulador da equipe e acompanhamento físico rigoroso. A transição dos carros da F1 Academy, que possuem especificações de Fórmula 4, para um modelo de elite exige ajuste imediato à força G lateral e à pressão de frenagem. Engenheiros da Mercedes monitoraram a telemetria em tempo real, focando na consistência da piloto francesa em curvas de alta velocidade como Copse e Maggotts-Becketts.
- Doriane Pin utilizou o chassi W12 da temporada 2021
- O teste foi realizado no circuito completo de Silverstone
- Lewis Hamilton enviou mensagens de apoio à piloto após a atividade
- A atividade serviu para avaliação técnica e desenvolvimento de carreira
- Susie Wolff, última mulher a participar de um fim de semana de GP, também encorajou a francesa
Repercussão entre campeões e bastidores da categoria
A presença de Pin no cockpit da Mercedes gerou reações imediatas entre os principais nomes do paddock. Lewis Hamilton, que agora defende a Ferrari mas mantém laços históricos com a Mercedes, comentou publicamente o desempenho da jovem de 22 anos. O britânico elogiou a precisão da francesa e a importância de ver talentos da F1 Academy progredindo para os carros principais. A aprovação de um heptacampeão mundial adiciona peso institucional ao teste, sinalizando que a Mercedes considera Pin uma peça viável para futuras sessões de treino livre (FP1).
Além do apoio de Hamilton, a piloto recebeu incentivo direto de Susie Wolff. A atual diretora da F1 Academy foi a última mulher a guiar em um evento oficial de Grande Prêmio, durante o treino livre do GP da Grã-Bretanha em 2014, pela Williams. Wolff destacou que o sucesso de Pin é uma validação do ecossistema criado para levar mulheres ao topo da pirâmide do esporte a motor. O teste em Silverstone é visto como um divisor de águas na carreira da francesa, que busca os pontos necessários para a superlicença da FIA.
Próximos passos para a integração feminina no automobilismo
A trajetória de Doriane Pin após o título da F1 Academy em 2025 segue um cronograma de aceleração profissional. A meta da Mercedes é que a piloto continue acumulando quilometragem em modelos anteriores da categoria, dentro do programa de Testes de Carros Anteriores (TPC), permitido pelo regulamento da Federação Internacional de Automobilismo. Esse processo é fundamental para que ela se sinta confortável com a complexidade do volante e dos mapeamentos de motor antes de uma eventual estreia em treinos oficiais de sexta-feira.
O cenário atual da Fórmula 1 busca reduzir a disparidade de gênero no grid, que não conta com uma mulher em corridas oficiais desde Lella Lombardi na década de 1970. O teste deste sábado em Silverstone é um passo técnico, mas também político, ao mostrar que as equipes de ponta estão dispostas a investir recursos em pilotas promissoras. A análise dos dados colhidos hoje servirá para definir as próximas etapas da francesa em competições de fórmula e endurance ao longo de 2026.